Terça-feira, 19 de maio de 2026 - 16h42

O uso do celular ao volante segue como um dos
comportamentos de maior risco no trânsito brasileiro. Levantamento da
Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revela que, apenas entre janeiro e
fevereiro de 2026, mais de 601 mil motoristas foram multados no país por
utilizarem o aparelho enquanto dirigiam.
A professora Candisse Almeida, do curso de
Enfermagem da Estácio, alerta que o celular compromete de forma crítica a
atenção do condutor, provocando distrações visuais, manuais e cognitivas, um
conjunto que aumenta significativamente o risco de colisões e acidentes graves.
Segundo ela, mesmo o uso do viva-voz compromete a
percepção situacional do condutor. Além das notificações e mensagens, outras
condutas também têm contribuído para sinistros.
“Observamos muitas vítimas que relatam distrações
cognitivas e operacionais, como o manuseio de painéis multimídia, a alimentação
ao volante ou, no caso de motociclistas, o ajuste de capacetes e mochilas
durante o movimento”, explica.
A professora destaca que com a perda de atenção, os
reflexos diminuem e aumentam as chances de colisões de alto impacto. Ela
relatou as lesões mais frequentes.
“A distração acaba comprometendo o condutor de
acionar a frenagem ou fazer uma manobra evasiva, que acaba incorrendo em
colisões de alto impacto. E com frequência geram Traumatismos Cranioencefálicos
(TCE), Trauma Torácico e Abdominal, fraturas de membros inferiores e
superiores, sendo mais comuns em motociclistas e pedestres, além de lesões na
coluna cervical”, afirmou.
Ela informa que o resultado dos acidentes é o
agravamento da superlotação nos hospitais, o que gera atraso em cirurgias
eletivas e aumentam o tempo de espera nos prontos atendimentos, já que o trauma
é sempre prioridade pela gravidade.
“Um paciente de trauma grave costuma exigir atuação
imediata de uma equipe multidisciplinar, ocupando leitos de UTI por longos
períodos e consumindo insumos de alto custo. E o custo não se limita ao
internamento ou à cirurgia. Envolve afastamento do trabalho, reabilitação prolongada
e o peso previdenciário”, detalha Candisse.
Para a professora, prevenir essas ocorrências exige
ações integradas. Ela destaca que campanhas precisam estimular atenção plena ao
dirigir, uso correto de dispositivos de segurança e respeito ao pedestre. Ela
ressalta que muitos acidentes poderiam ser evitados e que o fortalecimento da
educação em saúde é fundamental para que a população compreenda a gravidade das
sequelas, muitas vezes permanentes.
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