Sábado, 27 de dezembro de 2025 - 12h30

As
festas de final de ano como Natal e Réveillon - marcadas por grandes
celebrações - são momentos de alegria, empolgação e confraternização, mas
trazem novamente para o debate o uso de fogos de artifícios com estampido. O
tema é sensível e preocupa famílias, profissionais da saúde e defensores da
causa animal, uma vez que o uso desse tipo de artefato envolve riscos graves,
especialmente para animais, idosos, crianças neurodivergentes e pacientes
hospitalizados.
Entre outros pontos, a poluição sonora
provocada pelos fogos de artifício causa irritabilidade, distúrbios do sono,
doenças metabólicas, cardiovasculares e digestivas. Além disso,
pessoas com autismo, idosos e pacientes internados também podem sofrer crises,
ansiedade severa e desregulação sensorial.
No caso de
pessoas com muita sensibilidade auditiva, a dica é de preparação e
previsibilidade. Uma possibilidade é o uso de fones de ouvido com cancelamento
de ruído ou de tampões intra-auriculares que podem ser úteis para reduzir o
impacto dos estalidos sonoros dos fogos.
Em cães e gatos,
devido a audição mais aguçada, o barulho pode gerar estresse extremo e
comportamento de fuga. Cães, gatos e aves interpretam o barulho
como ameaça e, em desespero, podem se jogar de janelas, correr para as ruas e
serem atropelados.
O Conselho
Federal de Medicina Veterinária recomenda que, para amenizar o estresse, os
tutores permaneçam próximos aos animais durante as comemorações, proporcionando
conforto e segurança.
Além disso, é recomendado manter os animais em
um ambiente fechado e silencioso que abafe o ruído dos fogos. O uso de
brinquedos e atividades relaxantes também podem ajudar a distrair os pets.
Outra medida
é a contenção, o uso de faixas de compressão ou "roupas calmantes",
que dão uma sensação de segurança ao animal.
No país, não há uma única legislação
disciplinando ou proibindo a prática. Um decreto de 1942 diz que a venda
de fogos de artifício com estampido é proibida para menores de 18 anos de
idade, nos casos em que com 0,25 centigramas de pólvora. A legislação diz ainda
que a queima não pode acontecer nas proximidades dos hospitais,
estabelecimentos de ensino, nas portas, janelas, terraços, etc., dando para a
via pública e na própria via pública.
Alguns
estados como o Maranhão, Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás e Amapá, além do
Distrito Federal, têm leis que tratam do uso de fogos de artifício com
estampido. Em geral, as legislações proíbem o uso desses fogos a partir de uma
quantidade de decibéis que varia de 70 a 100.
Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF)
decidiu que os municípios têm legitimidade para aprovar leis que proíbam a
soltura de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos que produzam estampido.
A decisão
validou uma lei municipal de Itapetininga, em São Paulo. Outras cidades do
estado como Caraguatatuba e Cubatão, também têm legislação sobre o uso de fogos
de artifício com estampido. Nas cidades de Joinville, no Paraná,
Sapiranga, no Rio Grande do Sul, e capitais como Belo Horizonte, Campo Grande,
São Luís, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, a legislação permite o uso
de fogos sem estampidos ou com ruído de até 120 decibéis em eventos da
prefeitura ou autorizados pelo Executivo municipal.
No Congresso
Nacional, tramita o Projeto de Lei 5/2022 que
proíbe a fabricação, o armazenamento, a comercialização e o uso de fogos de
artifício que produzam barulho acima de 70 decibéis. O texto, já aprovado no
Senado, aguarda deliberação da Câmara dos Deputados.
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