Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026 - 13h57

Disciplina, técnica,
produtos de qualidade e equipe alinhada são os principais ingredientes da
receita de sucesso da cearense Cheiro do Pão, que nasceu da paixão do jovem
empreendedor Brunno Malheiros (33) pela panificação. Entre a abertura da
empresa em um espaço de 90 metros quadrados no quintal da casa da avó paterna,
no dia 23 de julho de 2020 - em meio a pandemia da Covid-19, com duas fornadas
por semana – e janeiro de 2026, lá se vão cinco anos e seis meses e cerca de
1.500 atendimentos por mês no mesmo espaço. O faturamento da Cheiro do Pão está
superior aos indicadores local e nacional - que vem apresentando uma média de crescimento
de 10,92% -, chegando a 92% comparando dezembro de 2025 com 2024; 76% no último
trimestre (2025/2024) e 43% no período completo desses anos.
A Cheiro do Pão
saltou de um faturamento bruto de R$ 1.521.238,40 em 2024 para R$ 2.176.786,43
no ano passado. Uma boa parte desse resultado veio em dezembro, após a
premiação de segundo melhor panettone de chocolate do mundo na competição
“Panettone World Championship”, na Itália. Nesse mês de festas, quando o
produto passa a ser o carro-chefe, o faturamento cresceu 92% quando comparado
com o mesmo período de 2024, fechando o ano com R$ 605.335,65 em vendas, ante
R$ 314.106,15. Apenas no último mês do ano de 2025, Brunno Malheiros comprou R$
143 mil em matéria-prima nacional e importada da Itália e da França para a
produção de todos os itens ofertados na padaria. Também foram investidos
recursos, ao longo do ano passado, na compra de equipamentos, a exemplo de um
mixer francês Robot Coupe, com capacidade de 100 litros, e uma masseira de
cinco quilos para alimentação do fermento do panettone.
Para o padeiro Brunno
Malheiros, como gosta de se apresentar, os números são consequência de tudo o
que vem plantando desde 2017, quando fez o primeiro curso de panificação
profissionalmente em São Paulo, na Levain Escola de Panificação. O contato com
a ciência do pão (matemática, química, física e biologia) e o aprendizado da
raiz da panificação (fermentação natural) o fez decidir qual caminho queria
seguir. De aluno, entre outros cursos que vieram depois e continuam permanentemente,
Brunno passou a ensinar, criando a Escola Cheiro do Pão, que funciona dentro da
padaria com aulas práticas. Em 2025, ele recebeu 13 profissionais de várias
regiões do país que queriam se aperfeiçoar na fabricação de panettones e pães.
Outros oito alunos foram monitorados on-line. No ano passado, também deu uma
consultoria presencial para a Agrária Indústria de Farinhas, no Paraná.
Ciente da importância
de compartilhar conhecimento e contribuir com o crescimento de outros padeiros,
em novembro do ano passado Brunno lançou o e-book “Gestão do Lievito Madre na
Produção de Panettones”
(https://brunnomalheiros.hotmart.host/lievitomadrenapratica). Nele, os
profissionais da área que pretendem trabalhar com esse produto, que é o mais
complexo e difícil na panificação, terão acesso às técnicas avançadas,
aprendendo a gerir o fermento por meio de um método prático e didático para ter
controle da produção e, assim, produzir panettones de excelência. “Minha
contribuição é levar as pessoas a descobrirem como ter um fermento saudável e
produtivo. Afinal, 90% do sucesso de um panettone está na massa madre, que é
muito mais do que um ingrediente. É um organismo vivo que carrega cultura,
técnica e sensibilidade. Sua gestão bem-feita eleva o padrão dos produtos,
encanta os clientes e diferencia o trabalho do padeiro profissional”, explica
Brunno.
“Nosso compromisso
sempre será oferecer o melhor produto para os clientes, e isso tem sido
possível porque contamos com uma equipe qualificada e que veste a camisa da
Cheiro do Pão. O resultado que temos alcançado, bem como as premiações e
reconhecimentos, mostra que estamos no caminho certo. Ainda tem muita coisa boa
para acontecer!” Brunno Malheiros.
Números
Maior mercado de
padarias independentes do mundo, o Brasil fechou o ano de 2024 com 288.791
empresas ativas do setor (dado mais recente do Sebrae), entre Microempreendedor
Individual (MEI), Microempresa (ME), Empresa de Pequeno Porte (EPP) e Demais
(que ultrapassam o limite da EPP, de R$ 4,8 milhões/ano, e migram para outros
regimes tributários). Embora as padarias estejam concentradas no Sudeste (148.721,
representando 51,50% no cenário nacional), seguido pelo Nordeste (52.771, ou
18,27%), Sul (50.429, ou 17,46%), Centro-Oeste (23.379, ou 8,10%) e Norte
(13.491, ou 4,67%), em termos de faturamento, o Norte (16,36%) e o Nordeste
(13,37%) tiveram melhor performance no ano de 2024 em relação a 2023. Esses são
os dados disponíveis pelo Instituto de Desenvolvimento das Empresas de
Alimentação, cuja atualização está prevista para ser divulgada no final de
fevereiro.
Fazendo um recorte do
Ceará, segundo dados obtidos com a Associação Brasileira da Indústria de
Panificação e Confeitaria (ABIP), são 8.826 padarias em funcionamento, ficando
no 10º lugar no ranking nacional. Dentre as capitais, Fortaleza se destaca na
sétima colocação, com 3.784 empresas do setor. De acordo com o Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias de Panificação e Confeitaria, Massas Alimentícias
e Biscoitos do Estado do Ceará (Sindipan-CE), a média de crescimento do
faturamento local é de 10%, com destaque para Fortaleza, Maracanaú, Sobral,
Região do Baixo Jaguaribe, Maranguape e Juazeiro do Norte. E é dentro desse
cenário que a Cheiro do Pão vem se destacando na fermentação natural e levando
não apenas o nome do estado, mas do Brasil em importantes competições
internacionais.
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