Porto Velho (RO) domingo, 26 de maio de 2019
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Intereclesial

Testemunhos proféticos emocionam participantes do Intereclesial


 
O ginásio do SESI de Porto Velho foi palco, nesta sexta-feira, de um dos eventos mais aguardados do 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs): “os testemunhos proféticos”. Foram escolhidos pela coordenação do Intereclesial para relatar sua experiência de vida o arcebispo emérito da Paraíba, dom José Maria Pires; o bispo emérito de Goiás (GO), dom Tomás Balduíno e a senadora, Marina Silva.

O ginásio estava com a sua capacidade plena alcançada, três mil pessoas. Primeiro a falar, dom José Maria Pires, na verdade não contou somente a sua trajetória de vida, mas a trajetória dos negros no Brasil. O arcebispo relatou as humilhações e o constrangimento que sofreu enquanto jovem.

Apelidado de “bispo zumbi”, uma referência a Zumbi dos Palmares (famoso escravo criador do primeiro quilombo do Brasil e líder de uma revolução contra a escravidão), dom José Maria ressaltou a importância dos negros na formação social e cultural brasileira. “O negro sempre foi subjugado, considerado pessoa de segunda categoria e, muitas vezes, tratado pior do que animais. Essa inferioridade moral em nós foi posta ao longo dos séculos e vem, paulatinamente, sendo desconstruída. Por incrível que pareça, as humilhações nos transformaram em pessoas extremamente perseverantes e determinadas. Hoje, em nossa cultura, há traços afro-descendentes em todos os aspectos imagináveis, da arte à música”, sublinhou. O arcebispo foi interrompido diversas vezes pelos aplausos emocionados dos presentes.

A senadora Marina Silva contou, de forma resumida, a sua vida, desde a infância até os dias atuais. A senadora conseguiu emocionar a todos, principalmente a delegação do Acre, seu estado natal. “Nasci em um seringal, que fica aproximadamente 11 horas da margem do rio mais próximo e 22 horas de distância de barco até Rio Branco. Sou a terceira filha de 11 irmãos. Desde que nasci sofria com doenças tropicais e vivi boa parte de minha juventude e adolescência em regime de semi-escravidão. Com hepatite, aos 16 anos segui para a capital para tratar de minha saúde e para estudar. Era empregada doméstica quando conheci Chico Mendes em um curso. Entrei para a Comunidade Eclesial de Base, que Chico estava desenvolvendo no interior do Acre. Nesta minha batalha não posso deixar de agradecer também a dom Moacyr Grechi, pois quando jovem ia às missas em Rio Branco que ele celebrava e a figura dele foi muito inspiradora para mim. Quando posso venho cumprimentá-lo e agradecer-lhe por isso”, relatou Marina.

Em vídeo gravado especialmente para o Intereclesial, o bispo emérito de São Felix do Araguaia, dom Pedro Casaldáliga, deixou seu testemunho e saudou o povo das CEBs. “Deixo meu abraço mais forte e solícito a todos, e que Deus possa sempre iluminar o coração dos que fazem das CEBs o que elas são: uma potência dentro da nossa Igreja”.

Subiu ao palco para contar a vida de dom Pedro, seu “afilhado”. “Dom Pedro é um grande homem e tenho orgulho enorme de ser seu padrinho. Uma pessoa reta, digna e de um caráter fora do normal. Nascido na Itália, mas com o coração e o espírito brasileiros”, afirmou dom Tomás.

Fonte: Ascom/Intereclesial

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