Porto Velho (RO) quarta-feira, 18 de setembro de 2019
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Intereclesial

12º INTERECLESIAL: CEBs recordam mártires da caminhada


 
O sol forte e o calor de mais de 30 graus não foram empecilho para a “Caminhada dos Mártires” realizada pelo Intereclesial de CEBs, na tarde desta quarta-feira, 22, em Porto Velho (RO). Participaram da manifestação mais de três mil pessoas empunhando faixas e cartazes com fotos e nomes de lideranças assassinadas por causa de seu engajamento nas lutas populares.

Sentados de frente para o rio Madeira, a multidão pode contemplar as obras da usina hidrelétrica Santo Antônio, que mereceram veementes protestos dos peregrinos. Do alto de uma pedra, lembrando uma das passagens mais famosas do evangelho, o sermão da montanha, um jovem proclamou texto bíblico que relata as bem-aventuranças. A multidão ouviu atenta e repetiu cada bem-aventurança que ecoava no silêncio da noite que chegava.

O vice-presidente da CNBB, dom Luiz Soares Vieira, destacou que a felicidade pregada por Jesus não está na riqueza ou no poder, mas “na pobreza e na mansidão”.

Numa referência clara às hidrelétricas e outras obras previstas para a Amazônia, dom Luiz ressaltou que o desenvolvimento é bem-vindo, desde que respeite o ambiente. “Deus nos livre de um mundo feio em que não haja mais peixes, pássaros, árvores, animais, homens e mulheres”, disse o arcebispo. “É impossível acreditarmos em Deus se não estivermos de bem com os irmãos e com a natureza. O ambiente é nossa casa e fazemos parte dele. No momento em que matarmos a natureza, estamos matando a nós mesmos”, afirmou.

A emoção tomou conta do povo quando foram lembrados os nomes de lideranças assassinadas por causa de seu trabalho junto aos pobres. “Não queremos mais mártires, queremos nossa gente em pé”, gritou um padre vindo do Pará, mostrando, num vidro, terra misturada com o sangue da Irmã Dorothy Stang, assassinada em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu (PA). “Dorothy vive!”, gritou alguém. “Sempre, sempre, sempre”, respondeu em coro o povo. “A terra, não é propriedade de ninguém, é parte de nós”, disse outro, seguido também por todos.

Durante o Intereclesial temas ligados à terra, ao desenvolvimento, à preservação do meio ambiente aparecem de maneira muito forte, lembrando, especialmente, a realidade da Amazônia. Nos trabalhos da tarde de ontem, discutiram-se também os desafios enfrentados na preservação de outros biomas brasileiros e latino-americanos. O Intereclesial termina no sábado, 25, com um missa às 17h.
 
 

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