Porto Velho (RO) domingo, 18 de novembro de 2018
×
Gente de Opinião

História

IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA RONDÔNIA


IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA RONDÔNIA - Gente de Opinião


IMIGRAÇÃO JAPONESA: A VIAGEM HISTÓRICA DO ÁFRICA MARU - DO JAPÃO PARA A AMAZÔNIA

Em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil, onde a comunidade nipônica é a maior presença fora do Japão, o site Gentedeopinião procurou alguns dos imigrantes que faziam parte das 30 famílias vindas do Japão em julho de 1954 após a segunda guerra mundial. Convidadas pelo governo do Brasil embarcaram no navio Africa Maru (foto) na cidade portuária de Kobe - na época uma das seis maiores cidades do Japão - cruzaram o oceano até o porto de Belém no Pará e depois no navio Tapajós no trajeto Belém/Porto Velho subindo o rio Amazonas e Madeira. 

Os imigrantes japoneses foram desbravadores na Amazônia. Encontraram mata virgem nas terras doadas pelo governo além de muitos outros desafios como doenças tropicais, o clima, o idioma, e a prática da lavoura diferente daquela praticada no seu país. 

De 1954 até hoje, partindo da tentativa do cultivo de seringueira, dedicaram-se à criação de aves e ao cultivo de verduras e hortaliças, os imigrantes muito contribuíram no desenvolvimento da agricultura, ao mesmo tempo em que ainda prestam inestimável colaboração ao desenvolvimento social de Porto Velho. Muitas famílias mudaram-se da colônia para a cidade de Porto Velho e outras regiões do Brasil, restando na colônia apenas sete famílias que se dedicam integralmente à agricultura e avicultura. 

Atualmente entre Brasil e Japão existe um forte relacionamento econômico com grandes investimentos de empresas japonesas. Existe ainda o intercâmbio através do futebol e outras culturas que foram levadas para o oriente pelos brasileiros de origem japonesa, cujo número não pára de crescer no Japão. 

Na colônia 13 de setembro está localizada a sede da Associação Cultural 13 de setembro fundada pelos migrantes de 1954 e seus descendentes. O senhor Heishiro Kuriyama, 71 anos – chegou com 17 anos – é o atual Presidente da Associação e nos concedeu a seguinte entrevista. 
 

IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA RONDÔNIA - Gente de Opinião

Registro histórico em Kobe (Japão), uma semana antes do embarque para a Amazônia



GENTEDEOPINIÃO - O senhor é o Presidente da Associação 13 de setembro. Como é a associação?
HEISHIRO KURIYAMA – A associação tem por finalidade agregar os migrantes e seus descendentes, mantendo nossa cultura e nossos costumes. Foi fundada legalmente com estatuto registrado em 1981 e em 1982 o número de sócios beneméritos era de 12 sócios, mas em 1983 somente os residentes na colônia poderiam ser sócios e hoje somos 25 membros. Uma das grandes festividades da associação foi a comemoração do 30º aniversário, onde tivemos a presença do governador Jorge Teixeira de Oliveira dentre outras autoridades e também convidados como o Monge Azuma de Manaus para a cerimônia Budista em homenagem aos pioneiros falecidos.

GENTEDEOPINIÃO – O Senhor lembra como foi o critério para o recrutamento das famílias?
HEISHIRO KURIYAMA – Bem, na época o critério passava pelas famílias íntegras, fiéis aos seus princípios e que possuíssem físicos robustos. Tinham ainda que obedecer às seguintes condições - plantio de cinco mil pés de seringueiras - no prazo de dez anos - e construir uma cooperativa agrícola. Posteriormente, a família aprovada na seleção recebia um “comunicado de aprovação”, onde deveria tomar algumas providências, como certidão de antecedentes criminais e passaporte. Estas famílias eram chamadas de “YOBIYOSE IMIN” (famílias que seguiram para o Brasil através de carta de chamada). 

 

Kumamoto 10 famílias
Nagasaki 3 famílias
Oita 2 famílias
Kyoto 1 família
Tokyo 6 famílias
Chiba 1 família
Fukushima 2 famílias
Miyagi 1 família
Yamagata 3 famílias
Hokkaido 1 família

GENTEDEOPINIÃO – De quais cidades vieram os Imigrantes Guaporé?
HEISHIRO KURIYAMA – Bem, na época fomos denominados Imigrantes Guaporé, fomos os primeiros imigrantes japoneses nessa região. Como não vieram 2ª nem 3ª leva de imigrantes, como aconteceu em outras colônias, as 30 famílias foram a única leva de imigrantes nesta região. Viemos de várias províncias: 
 
GENTEDEOPINIÃO – Nessa mudança vocês trouxeram todos os pertences pessoais ou tinha limitações na bagagem?
HEISHIRO KURIYAMA – Não, não havia limitação quanto a peso, mas foi recomendado que cada volume pesasse até 60 quilos.

GENTEDEOPINIÃO – Quais eram as informações sobre o Brasil?
HEISHIRO KURIYAMA
– Antes de embarcar para o Brasil houve um período de vinte dias de curso na Kobe Emigration Center, onde recebemos informações sobre o Brasil, como usos e costumes, noções sobre a língua portuguesa etc. Também passamos por exames médicos meticulosos, pois o Brasil não aceitava pessoas infectadas com Tracoma (doença ocular), além de fazermos as últimas compras para a grande viagem rumo ao Brasil.

GENTEDEOPINIÃO – Quantas famílias saíram do Japão no navio África Maru?
HEISHIRO KURIYAMA – Era um total de 412 pessoas (67 famílias), que saíram da Kobe Emigration Center e embarcaram no navio em 29 de maio de 1954. O África Maru era um navio grande, com capacidade para oito mil toneladas, típico transportador de emigrantes ao Brasil deste antes da guerra, além das famílias que seguiam para Bate Estaca no Guaporé (atual Estado de Rondônia), havia também as famílias que iriam para a Colônia Monte Alegre e Colônia Manacapuru (mais tarde colônia Bela Vista) nos arredores de Manaus, no Amazonas.

GENTEDEOPINIÃO – O senhor lembra algum fato que lhe chamou atenção durante a viagem?
HEISHIRO KURIYAMA
– A viagem de 40 dias até Belém-PA foi muito agradável, um serviço de bordo irrepreensível, refeições deliciosas e várias recreações. Porém, ainda no pacífico, deu pane no motor do navio e ficamos a deriva durante um dia. A correnteza acabou levando o navio para o norte e começamos a sentir muito frio, mas depois de certo tempo o motor foi consertado e o navio chegou sem problemas a Los Angeles na América do Norte. Era a primeira vez que os imigrantes estavam vendo a América do Norte e quem falava o idioma inglês desembarcou, mas o restante permaneceu a bordo. Depois atravessamos o Canal do Panamá e fizemos uma parada no porto da Venezuela, onde se comemorava a independência do País. Autorizados todos nós desembarcamos. Outro fato curioso foi quando o navio cruzou a linha do equador. Foi realizada uma festa tradicional com pedido de navegação segura no convés superior do navio e aconteceu uma festa com imigrantes artistas. Seguimos viagem e no dia 7 de julho de 1954 chegamos ao tão esperado porto de Belém onde fomos recebidos pelo cônsul geral do Japão, Koseki, lotado em Belém e o Senhor Kotaro Tsuji, intermediário dos imigrantes da região Amazônica. Mesmo para aqueles que sofreram com enjôo do mar, foi uma viagem longa, mas chegamos todos bem. Chamou atenção de todos, ainda no porto, as palavras de encorajamento proferidas pelo capitão do navio “Enquanto estão no navio, tudo bem, mas é depois do desembarque que começam as dificuldades. Uma vida rigorosa espera pelos senhores. Sejam persistentes e tenham coragem!” calaram fundo o coração de todos. 

IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA RONDÔNIA - Gente de Opinião

Foto com os idosos na Colônia 13 de setembro em Porto Velho - RO

GENTEDEOPINIÃO – No Brasil, como foi a chegada dos imigrantes em Rondônia, então chamada de Guaporé?
HEISHIRO KURIYAMA – Bem, cumpridas as formalidades de entrada no Brasil, no dia seguinte (8), foi feita a baldeação para os barcos fluviais enviados pelos Estados recebendo os imigrantes. As famílias com destino ao Guaporé embarcaram no barco Rio Tapajós, acompanhadas pelo senhor Rokuen Uwamori instrutor e intérprete enviado pela Kaigai Kyokai Rengokai, que dali por diante cuidaria dos imigrantes de Guaporé. O Rio Tapajós era um barco de passageiros de 300 toneladas, movido a vapor produzido pela queima de madeira, era o maior barco que navegava nesta bacia fluvial, na época. Disseram que depois de mais algumas viagens, teria o motor trocado por um a diesel. O barco era grande, mas estava lotado com 180 imigrantes e suas bagagens, alem de outros passageiros locais, lenha, alguns bois vivos para abastecer o barco de carne fresca, capim para a ração destes animais e provisões. Os japoneses sofreram com a comida brasileira e água do rio com que não estavam habituados. Fizemos escalas em Santarém e Itacoatiara, o barco não seguiu para Manaus, entrando no maior afluente do Amazonas, o rio Madeira.

GENTEDEOPINIÃO – Já navegando no rio Madeira em direção a Porto Velho, como foi a viagem e a expectativa para chegar à terra prometida?
HEISHIRO KURIYAMA
– Foi uma viagem difícil, com hábitos alimentares diferentes, frio à noite, barco lotado, mas não houve nenhum doente ou ferido. Durante a viagem aconteceu um fato que pegou todos de surpresa, como era mês de julho, lá no Japão é verão, não imaginávamos que na região amazônica, em pleno país tropical, a temperatura caísse quando atingida por frente fria vinda do sul. Todos os imigrantes sofreram com o frio, pois todos tinham deixado os agasalhos e cobertores no porão, carregando para os pequenos camarotes somente o mínimo necessário. 

 

IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA RONDÔNIA - Gente de Opinião

Jovens Nissei e Sansei na Colônia 13 de Setembro em Porto Velho-RO

GENTEDEOPINIÃO – Na Amazônia julho é mês de estiagem. Teve alguma dificuldade até chegar ao porto de Porto Velho?
HEISHIRO KURIYAMA – Sim é verdade, o nível do rio estava baixo. Navegar pelo rio Amazonas não teve problema, mas no rio Madeira tornou-se perigoso, pois a água estava muito baixa. A certa altura tiveram de desistir de navegar à noite e mesmo durante o dia, a viagem seguia com um piloto medindo a profundidade da água. Com a carga em excesso, a velocidade era baixa. Cada parada num porto, o barco tinha de ser abastecido com mais lenhas, gados, ração, e a viagem levou 15 dias até chegar a Porto Velho, no dia 22 de julho - data comemorativa da imigração Guaporé. Chegamos a Porto Velho num sábado e as repartições públicas não funcionavam, tivemos que aguardar o desembarque da bagagem até o dia 24, uma segunda-feira. Mas autorizaram o desembarque das pessoas, e quase todos os imigrantes saíram para conhecer a cidade. A primeira impressão que tivemos foi de uma bela cidade. Mas, por outro lado, não foram poucos os que ficaram em dúvida, após uma olhada no mercado, se poderiam tirar sustento vendendo os produtos agrícolas num mercado tão pequeno. O descarregamento da bagagem dos imigrantes iniciou pela manhã do dia 24. Com o nível de água baixo, a margem estava íngreme, e o descarregamento foi difícil. Era a primeira vez que chegavam imigrantes japoneses no Guaporé, e o ancoradouro ficou repleto de brasileiros que vieram ver os japoneses. Todos ficaram admirados com a grande quantidade de bagagens que os imigrantes trouxeram. O transporte foi feito em caminhões do governo do Território.

GENTEDEOPINIÃO – Existia algum tipo de incentivo para os imigrantes?
HEISHIRO KURIYAMA – Sim. Logo que chegamos durante os dez primeiros meses, recebemos ajuda de custo de governo do Território, no valor de Cr$ 1.500,00. Equivalia a cerca de 15.000 ienes e como esse valor era igual para todas as famílias, foi insuficiente para famílias mais numerosas, mas suficiente para família pequena. Havia muita diferença no montante do dinheiro que trouxemos do Japão e isso fez muita diferença na hora de iniciar nova vida na colônia. Muitas famílias haviam vendido os bens que possuíam no Japão, mas como a orientação que tivemos foi de trazer mais vestimentas e utensílios de uso cotidiano, seguimos à risca o que resultou em muitas dificuldades.

GENTEDEOPINIÃO – Quando vocês chegaram foram direto para a Colônia 13 de setembro?
HEISHIRO KURIYAMA – Não, como ainda não estava pronto o alojamento que ficaríamos até que cada família tivesse sua casa nas respectivas terras, fomos morar num alojamento provisório que ficava a cerca de vinte quilômetros de Porto Velho, e havia sido construído como hospital para leprosos. Era um prédio de alvenaria, com escritório, quartos, eletricidade e água encanado e só faltava ser inaugurado. Na cerimônia de entrega do prédio, o governador Ênio Pinheiro mudou o nome da colônia para “13 de Setembro” e a partir de então até hoje ela é chamada por este nome. O recrutamento no Japão havia sido com o nome de Colônia Guaporé ou Bate-Estaca, mas foi mudado em homenagem ao 13 de setembro, data memorável em que as terras dos Estados do Amazonas e do Mato Grosso foram desmembrados para formar oficialmente o Território do Guaporé.

GENTEDEOPINIÃO – Como foi a adaptação depois da viagem? Vocês tinham vizinhos?
HEISHIRO KURIYAMA – A cerca de 2 Km do alojamento provisório havia uma colônia de migrantes que vieram de outras regiões do Brasil, chamada Candeias. O rio Candeias que passa ali tem largura de 200 metros, e na época não havia ponte, sendo a travessia era feita por balsas. Os jovens iam muitas vezes nadar nesse rio. Os chefes de família faziam visitas de observação à colônia dos brasileiros e naquela época, havia pouco automóvel, andar até essa colônia e voltar debaixo do sol escaldante era uma tarefa penosa. Nós sentíamos falta de verduras e legumes, mas um dos imigrantes que havia sido soldado nas ilhas do sul do Pacífico na Segunda Guerra Mundial, informou aos demais que o miolo do coqueiro tinha sabor semelhante ao broto de bambu e substituía verduras e legumes. Coqueiros foram derrubados e o miolo usado para alimentação, e constatamos que era muito saboroso. 

IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA RONDÔNIA - Gente de Opinião

Heishiro Kuriyama, atual presidente da Associação 13 de Setembro em Porto Velho-RO, em entrevista ao Gentedeopinião.



GENTEDEOPINIÃO – No início da entrevista o senhor falou da obrigação do plantio de seringueira, como aconteceu essa experiência?
HEISHIRO KURIYAMA
– Essa era a condição número 1 para a imigração na colônia Guaporé, a obrigatoriedade do cultivo de seringueira. Em novembro de 1956 recebemos do Banco da Amazônia, financiamento para o plantio, para medição, para preparar as covas, para capinar, etc, que totalizavam Cr$ 32.000,00. Foi decidido, por indicação da Secretaria de Agricultura, que algumas famílias fariam a colheita de sementes em seringais de Jaci-Paraná e nas margens do rio Jamari. Assim, seguiu para lá um grupo composto por Takagi, Funai, Toyoda, Hashimoto, Kadowaki, Kitagawa, Hattori Nischida, Matsuno, Sasahara, Sudo e Hatahara. Como o retorno desse grupo atrasou em alguns dias do programado, os que permaneceram na colônia já haviam organizado uma equipe de resgate, que estava prestes a partir, quando o grupo retornou são e salvo, o que deixou todos aliviados. O retorno havia atrasado porque chegaram atrasados para a coleta. Foram em dois locais, mais recolheram mais em Jaci-Paraná. As sementes recolhidas foram distribuídas por todas as famílias, plantadas em canteiros, e replantadas após a germinação. O nosso objetivo era a formação de seringais, trabalhávamos com entusiasmo e esperança, mas tivemos que desistir e procurar outra atividade. Nós, japoneses, seríamos seringueiros pioneiros no Território do Guaporé.

GENTEDEOPINIÃO – Quando começou a avicultura na colônia?
HEISHIRO KURIYAMA
– Porto Velho na época era carente de ovos, e começamos a considerar a viabilidade da avicultura. Kurazo Kuroda foi o pioneiro, participou em 1960 do seminário sobre avicultura realizada pela Cooperativa Agrícola de Cotia, os imigrantes foram adquirindo pintos da raça New Hasmpshire, e iniciou-se a criação de aves. Depois a colônia recebeu em doação da Secretaria da Agricultura uma incubadora a querosene e os pintos daí nascidos tornaram-se os pioneiros da granja da colônia. O preço do ovo era alto, mas eram vendidos a preços populares. No começo os consumidores ficaram desconfiados com os ovos postos à venda pelos japoneses. Punham contra a luz ou sacudiam para se certificarem de que os ovos não estavam chocos, porque na época era comum vender ovos de galinhas criadas soltas, recolhidos em ninhos junto às margens dos rios, onde muitos estavam chocos ou estragados. Mas os ovos oferecidos pelos japoneses eram frescos, e houve grande procura. A avicultura ficou estabelecida como atividade de sustentação da colônia e desde então todas as famílias passaram a dedicar-se a ela. 

GENTEDEOPINIÃO – E verdura não tinha?
HEISHIRO KURIYAMA
– Bom, a partir de 1954, por dois ou três anos foram produzidos por agricultores brasileiros, hortaliças como cheiro verde, coentro, couve, manteiga, maxixe, uma espécie de tomate pequeno e amargo usado para cozinhar com carne ou em sopas, alface amarga, pepino disforme, quiabo e outras. Não havia cebola, cenoura, pimentão, repolho, couve-flor, chuchu. Após dois ou três anos, essas hortaliças foram cultivadas pelos japoneses que plantaram semente japonesa e a partir daí a cidade passou a ser abastecida com verduras e legumes de ótima qualidade.

GENTEDEOPINIÃO – Crescendo junto com o antigo Território do Guaporé e superando tantas adversidades, quando foi que a colônia sentiu o peso do desenvolvimento e da concorrência nos produtos vindos de outros estados do país?
HEISHIRO KURIYAMA – Realmente nós conquistamos o mercado local colocando hortaliças de boa qualidade no mercado de Porto Velho, inclusive muitas das espécies de hortaliças que não existiam aqui na região. Agora o movimento aumentou muito quando o governo iniciou a obra da atual Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (BR-364), que liga a região norte ao sul do país. Com a abertura da estrada a circulação de mercadorias em Porto Velho mudou completamente e o movimento econômico foi tomando um rumo totalmente diverso do que tivera até então. Começaram a chegar, em grande quantidade, caminhões e pessoas. Também começou a chegar de São Paulo, produtos com melhor qualidade e preço, os fregueses, que conquistamos com muito trabalho, passaram a adquirir os produtos paulistas.

GENTEDEOPINIÃO – Das famílias que vieram para o Território do Guaporé, ficaram todas ou houve alguma desistência?
HEISHIRO KURIYAMA
– Na época as dificuldades eram muitas. Foram muitos os chefes de família que deixaram a colônia contendo lágrimas de tristeza. Hoje essas famílias estão espalhadas por todo o país, algumas adquiriram novas terras e continuam na agricultura, outras se dedicaram ao comércio, à indústria ou ao trabalho intelectual. É alentador observar aquelas pessoas que chegaram pequeninas do Japão e os jovens nisseis nascidos na colônia, hoje destacarem-se na sociedade em vários ramos que não a agricultura. Há também aqueles que não abandonaram o ideal inicial e permanecem na nossa Colônia 13 de Setembro, dedicando-se à agricultura, ampliando suas atividades, e chamo atenção para o papel dos jovens que cresceram na colônia, que hoje se destacam na colônia ou na cidade de Porto Velho. 

 

IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA RONDÔNIA - Gente de Opinião

Katsuhiko Matsuno e família, residente na Colônia 13 de setembro em Porto Velho - RO.

GENTEDEOPINIÃO – Senhor Heishiro agradecemos a sua acolhida e do senhor Matsuno,(que visitamos na colônia 13 de setembro) nesta entrevista especial para o gentedeopinião, e gostaríamos de saber se haverá alguma programação associada a comemoração dos 100 anos da migração japonesa no Brasil, já que serão realizados trabalhos em parceria com o IBGE para fazer um levantamento estatístico da comunidade nipo-brasileira em todo o país, cuja conclusão será em 2009.
HEISHIRO KURIYAMA – Nós é que agradecemos. A Associação 13 de setembro está à disposição para registrar outros fatos históricos sobre a nossa imigração para esta terra brasileira de Rondon. Sobre sua pergunta, o que nós podemos falar é que ainda não existe nada programado, por enquanto. Em julho próximo vamos novamente fazer a nossa comemoração pela chegada em Rondônia. Agora, acho que no ano de 2009 em Manaus deverá acontecer grande comemoração dos 80 anos de imigração japonesa no estado do Amazonas.

Fonte: Gentedeopinião com informações e fotos do Senhor Heishiro Kuriyama / Katsuhiko Matsuno / Edição comemorativa dos 50 anos da Colônia 13 de Setembro.

 

Mais Sobre História

Chega ao fim mistpewrio da autoria do pedido de tombamentos da Madeira Mamoré

Chega ao fim mistpewrio da autoria do pedido de tombamentos da Madeira Mamoré

Porto Velho, RONDÔNIA – O que é tombamento e quais as suas condições legais para esse tipo de feito acontecer à manutenção da história de um povo, c

Castiel: patronímia, família e tradição - Por David Castiel

Castiel: patronímia, família e tradição - Por David Castiel

De toda a herança moral que herdamos, a de maior força é com certeza o sobrenome que ostentamos e que passamos aos nossos filhos: No meu caso refiro-m

DO TEMPO DO GUAPORÉ  - Por Luiz Leite

DO TEMPO DO GUAPORÉ - Por Luiz Leite

 DO TEMPO DO GUAPORÉViva as nossas referências!                                                                    Apogeu, ápice, luxo monumental. A