Porto Velho (RO) quinta-feira, 14 de novembro de 2019
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História

Guarda Territorial de Rondônia completou 64 anos


 

Criada em 11 de fevereiro de 1944, pelo então governador coronel Aluízio Ferreira a Guarda Territorial completou nesta quarta-feira 65 anos de sua criação. Após várias modificações em sua estrutura organizacional e que muito se aproximou de uma Corporação militar, possuindo inclusive Corpo de Bombeiros, foi extinta em 1977, dois anos depois da criação da Polícia Militar de Rondônia. A guarda era comandada por um oficial do Exército.  

"Lembramos com muita gratidão o exemplo dos pioneiros. Foram desbravadores que com muita luta nos deixaram legado da gênese da Polícia Militar", disse a coronel PM Angelina dos Santos Correia Ramires, Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de Rondônia.


Criação

Com a criação do Território Federal de Rondônia, então Guaporé, pelo Decreto-Lei nº 5.812, de 13 de setembro de 1943, com áreas desmembradas dos estados do Amazonas e Mato Grosso, o governador, então Coronel Aluízio Ferreira, necessitando de uma organização para a manutenção da ordem e mão-de-obra na execução de trabalhos públicos, baixou o Decreto nº 01, de 11 de fevereiro de 1944, criando a Guarda Territorial, corporação de caráter civil, comandada por um oficial do exército.

Com a extinção da Guarda Territorial aceleram-se os trabalhos de implantação e organização da Polícia Militar recém criada. Pelo transcurso de tempo da edição da Lei de Criação, bem assim do Decreto que a regulamentou, pode-se vislumbrar que montar uma estrutura policial militar complexa, desdobrada nas atividades administrativas e operacionais e, ao mesmo tempo, prover à segurança pública da área, não era empresa para pouco tempo.

O problema prioritário, a maior preocupação do legislativo e, particularmente, do governador, consistia no aproveitamento dos componentes da extinta Guarda Territorial no novo organismo. Este aproveitamento, preconizado na própria Lei de Criação, só foi disciplinado pelo Decreto Territorial nº 835/77, que, inclusive instituiu um processo seletivo para tal.

Pelo diploma legal, nortearam-se as Comissões e o Comando da Corporação para avaliarem e decidirem sobre o referido aproveitamento.


Dois Guardas e suas lembranças
 
Foi subdelegado em vários municípios, sem ônus para o território. Mesmo como autoridade na época, no dia seguinte, conta o ex-guarda territorial Lourival Nascimento das Chagas, poderia esta varrendo ruas, abrindo picadas, sendo estivador, descarregando barcos e outras funções. Eles ficaram conhecidos como "tratorzinhos da guarda territorial". Mesmo assim, trabalhavam com grande satisfação.

A missão mais importante foi proteger a área onde seria construído o prédio para abrigar a futura sede do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar. "Pela manhã, retirava os invasores, ia embora. À tarde retornava e lá estavam outros". A área compreendia quadrilátero entre a avenida Calama, Tiradentes, Rua Buenos Aires e Avenida Rio Madeira. "Arrisquei minha vida protegendo esta área para depois por uma determinação da primeira dama, ser criado no local o bairro Meu Pedacinho de Chão"  No momento em que conversávamos com o ex-guarda, falando sobre os momentos em que esteve como servidor do Território, suas lembranças fizeram como que as lágrimas caíssem. "Foram dias difíceis, porém a saudade do companheirismo, nos traz grandes emoções".

Em 1951 ele foi designado para trabalhar na Vila de Rondônia, hoje Ji-paraná, para abrir uma pista de pouso, utilizando as ferramentas como machado, enxada, foice e outros. Desta empreitada ele traz uma triste lembrança. "Estávamos muito tempo longe da família. Não tendo outro meio de dar noticias, pedimos ao piloto que levasse algumas cartas. Ele disse que não levava e nos deixou constrangidos".

Lourival trabalhou com Aluízio Ferreira, João Humberto, que segundo ele, construiu o palácio Getúlio Vargas, Antonio Carlos Campintelli, provável fundador do município de Ariquemes e por último o ex-senador e hoje chefe da casa civil do governo de Rondônia, Odacir Soares. Sem transportes, falta de alimentação, estruturas dos quartéis e condições de trabalho foram os principais entraves da época.

Nosso trabalho era "24 por um suspiro". Citação militar que faz referencia ao trabalho dia sim, dia não. "Saiamos do trabalho pela manhã, íamos em casa, tomávamos café e retornávamos  para novamente proteger a população, abrir picadas, ser estivador, abrir  ruas entre outros.

O ex-guarda territorial Ismael Cosmo da Silva que aniversaria neste dia 11 de fevereiro, também nos falou de suas experiências. "Em 1951, na Vila Nova de Rondônia, o quartel era uma casa de madeira suspensa do chão, sem porta, sem janela, coberta de palhas com o assoalho bastante precário. Embaixo, dormiam tranqüilamente porcos. O medo maior era que a onça que sempre vinha comer porcos, quem sabe, um dia errar de prato e pegar os guardas", disse com saudades daqueles tempos.  
 
Fonte: Lenilson Guedes

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