Porto Velho (RO) segunda-feira, 11 de novembro de 2019
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Governador Confúcio Moura destaca a importância de marechal Rondon para o país


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Rondon, patrono de Rondônia

Aerofotogrametria nos anos 1970, imagens de satélite pouco depois, e atualmente o programa Google Earth e as cartas geográficas do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) vieram na sequência do reconhecimento das determinações geográficas e do estudo das riquezas minerais feitos pela Comissão Rondon.

“Tudo é pouco para exaltá-lo”, disse o governador de Rondônia, Confúcio Moura: “Rondônia deve a ele a sua própria existência; toda a reverência que se possa fazer à sua memória é mais que justificável”.

A manifestação do governador coincide com a aprovação do Projeto de Lei 1834/07, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, que inscreve o nome do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon no Livro dos Heróis da Pátria. O texto aprovado em caráter conclusivo segue agora para a sanção presidencial.

O marechal Cândido Rondon fez levantamentos do solo regional, do clima, das florestas e dos rios, paralelamente à construção das linhas telegráficas. Depois dele veio, criaram gado e construir cidades nesta parte da Amazônia Ocidental Brasileira.

Confúcio Moura lembra que as linhas telegráficas, o contato com indígenas e o levantamento de milhares de quilômetros lineares de terras e águas do noroeste mato-grossense à Amazônia “permitem à sociedade valorizar o legado de Rondon”.

O jornalista Emanuel Pontes Pinto, que durante décadas dirigiu o extinto jornal O Guaporé, em Porto Velho, lembrou que a Comissão atuou em Mato Grosso entre 1890 e 1930. “Nesse período, descobriram mananciais de ouro, diamantes, manganês (pirolusita, polianita e manganita), gipsito, ferro, prata, turmalina, cristal de rocha, ágata e mármore”, disse.

Segundo Pontes Pinto, engenheiros e técnicos brasileiros e alemães que trabalharam para o Serviço Telegráfico Nacional foram os responsáveis pelo planejamento e construção das linhas.

A instalação dos telégrafos na floresta amazônica apoiava a integração nacional e descortinava o Brasil desconhecido. Oficialmente, a finalidade principal da Comissão Rondon, de 1907 a 1915, foi demarcar os locais das 20 linhas telegráficas de Cuiabá (MT) a Santo Antônio do Rio Madeira.

Santo Antonio era uma vila mato-grossense que se tornara cidade em 1912 e depois seria extinta e incorporada à cidade de Porto Velho, em 1945. Na época, Porto Velho situava-se no Estado do Amazonas. A cidade foi criada em 1914, a partir da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Autor de dois livros nos quais narra a saga do marechal, o jornalista destacou a abnegação de Rondon: “Ele doou sua vida às grandes causas que abraçou”.

RODOVIA SEGUIU LINHAS TELEGRÁFICAS

“Rondônia não existe somente a partir da onda migratória decorrente da abertura da BR-029 (atual BR-364), coluna dorsal de todo o trânsito rodoviário do estado”, esclareceu o governador Confúcio Moura, ao convocar especialmente a rede educacional para conhecer melhor a formação territorial que deu lugar ao estado.

A BR-364 (Cuiabá-Porto Velho-Rio Branco-Cruzeiro do Sul) completa 55 anos em 2015, junto com o sesquicentenário (150 anos) do nascimento de Rondon e o centenário dos trabalhos de sua célebre comissão. Para abrir a rodovia que dá acesso aos estados de Rondônia, Acre e Amazonas, o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira seguiu o traçado das linhas telegráficas. Onze cidades ao longo da rodovia surgiram em decorrência dos postos telegráficos.
 

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BR-29, depois BR-364, surgiu a partir do “Caminho de Rondon”

“Quando JK inaugurou a BR-364 em Vilhena, a 750 quilômetros de Porto Velho, na divisa com Mato Grosso, só havia naquele município uma única casa, e nela Rondon havia instalado o posto telegráfico que abrigava a família Zonoecê, de índios Parecís.

Além dessa casa, havia tão somente o acampamento dos trabalhadores da construtora Camargo Correia”, lembra o superintendente estadual de turismo Julio Olivar.

Tão isolada era a Amazônia no século passado, que o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss escreveu no livro Tristes Trópicos: “No início do século XX, os 1500 quilômetros que separam Cuiabá (MT) da Amazônia ainda era uma terra proibida, a tal ponto que, para ir de Cuiabá a Manaus ou a Belém, no Rio Amazonas, o mais simples era passar pelo Rio de Janeiro e continuar para o Norte pelo mar e pelo rio até o seu estuário”.

HOMENAGEM

Na terça-feira (5), dia em que se comemora 150 anos de marechal Rondon, o governo de Rondônia em parceira com os Correios, Porto Velho Shopping e 17ª Brigada de Infantaria e Selva realiza a abertura de uma exposição sobre Rondon e o lançamento do selo comemorativo. O evento, que será às 16h, no Porto Velho Shopping, é gratuito e aberto à população.

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Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Reprodução Acervo Secel (Originais Major Reis/Comissão Rondon)
Decom - Governo de Rondônia

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