Sábado, 14 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Luka Ribeiro

Tango argentino ao som da bigorna



Felipe Azzi
 

                        Era muito afeiçoado a poesias. Recitava com autoridade, de Olavo Bilac a Castro Alves, com pausa estratégica em Fagundes Varela. PASCÔNCIO NATALÊNCIO DOS SANTOS vivia de recitados poéticos e da venda de mel de abelhas, da variedade Jandaíra, que dizia ser especial para abrir os brônquios da gurizada.

                          Era sujeito simplório e de intenções puras. Tirante o cacoete de repuxar a aba da gola do paletó para a direita, com o estiramento do pescoço para a esquerda, defeitismo de que era possuído, no mais, era pessoa confiável e de boa paz. Mas, no ofício poético, sofria muito com os destemperos dos conterrâneos, devido aos exageros de seu poetismo incontrolável.

                           Certa ocasião, num comemorativo municipal, entulhou de versos os ouvidos circunstantes, que o serralheiro AGARTINO CRUZ, já de orelhas crescidas feito abano, vociferou:

                            – Isso é um abuso... Não tem escutador que aguente... Alguém tem que dar cabo a esse despautério... Esse cretino não perde por esperar!

                             E não esperou muito mesmo. Dias depois, passando PASCÔNCIO, entretido com o seu pensar poético, defronte da Serralheria “Boa Sorte”, foi convidado por AGARTINO para apreciar a conformidade do ferro batido na bigorna e, em jeito amistoso, atrelou PASCÔNCIO próximo à bigorna, e danou a malhar o ferro em brasa, resultando num barulho dos capetas. Não bastando, colocou na vitrola um “vinil” de 78 rotações, de conhecido tango argentino, repetindo a mesma canção, vinte vezes, sem intervalo.

                              Findo o suplício, PASCÔNCIO saiu trançando as pernas, meio zonzo, cantarolando o verso que mais calhou no seu mimoso pensar:

                              – Quiero emborachar mi corazon por um amor, tan loco amor... Que más que amor... És um sufrir!...”

                               E, para ser fiel à milonga do tango, foi encharcar a cara com cachaça no Bar de RIOMAR, antigo ponto de encontro para bebericos, da “Pérola do Mamoré”.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoSábado, 14 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Abram alas para a majestade das ruas! -"A "Majestosa" Banda do Vai Quem Quer Desfila Hoje Celebrando 46 Anos de Tradição

Abram alas para a majestade das ruas! -"A "Majestosa" Banda do Vai Quem Quer Desfila Hoje Celebrando 46 Anos de Tradição

Sob a liderança de Siça Andrade, o maior bloco do Norte toma as ruas da capital carregando o legado de Manelão e Silvio Santos, além de uma forte mens

O Camarote das Estrelas. Legado deixado por Manelão e Silvio Santos.

O Camarote das Estrelas. Legado deixado por Manelão e Silvio Santos.

Lá no alto, onde o céu de Porto Velho ganha um azul que nenhum filtro de celular consegue copiar, dois amigos se ajeitam em um camarote privilegiado.

Vem Rondonizar - Carnabemdita estréia no carnaval de Porto Velho no domingo, segunda e terça-feira

Vem Rondonizar - Carnabemdita estréia no carnaval de Porto Velho no domingo, segunda e terça-feira

Criado no final de 2025 a partir de encontros de músicos, carnavalescos, compositores, jornalistas, publicitários, advogados, médicos e empresários,

Banda do Vai Quem Quer desfila neste sábado celebrando 46 anos de tradição

Banda do Vai Quem Quer desfila neste sábado celebrando 46 anos de tradição

A capital rondoniense se prepara para um dos maiores eventos do calendário popular da Amazônia. Neste sábado, 14 de fevereiro, a Banda do Vai Quem Q

Gente de Opinião Sábado, 14 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)