Porto Velho (RO) sábado, 23 de fevereiro de 2019
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Gente de Opinião

Educação

Robôs ou pessoas informadas, preparadas para a vida?


Professora Soniamar Salin*

Numa discussão hoje sobre educação questionou-se que a Escola onde trabalho não se preocupa com qualidade e sim com quantidade de alunos que entram nas universidades tornando-os meros robôs e, que por isso muitas “autoridades” da educação em nosso Estado não valorizam o trabalho que ali é realizado. Pergunto: O que se entende por educação de qualidade? Seria essa onda de se jogar tudo para a escola fazer mesmo não tendo infraestrutura apropriada? Como desenvolver a contento a série de projetos que são simplesmente “jogados” nas escolas sem ter número de educadores suficientes para atendê-los? É muito fácil falar que se quer ensino de qualidade com um professor desvalorizado, trabalhando em diversas escolas para suprir suas necessidades básicas e de criticar quem consegue desenvolver alguma coisa nesse caos em que se encontra a Educação Pública.Robôs ou pessoas informadas, preparadas para a vida? - Gente de Opinião

Já dizia meu ex-diretor que o JBC era uma “ilha” e, continua sendo, pois continua incomodando os críticos de plantão que não reconhecem o que ali é feito. No texto publicado no livro Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica  de José Manuel Moran ele diz que “geralmente há uma preocupação com ensino de qualidade mais do que com a educação de qualidade. Ensino e educação são conceitos diferentes. No ensino se organizam uma série de atividades didáticas para ajudar os alunos a que compreendam áreas específicas do conhecimento (ciências, história, matemáticas).

Na educação, o foco, além de ensinar, é ajudar a integrar ensino e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão de totalidade. Fala-se muito de ensino de qualidade. Muitas escolas e universidades são colocadas no pedestal, como modelos de qualidade. Na verdade, em geral, não temos ensino de qualidade. Temos alguns cursos, faculdades, universidades com áreas de relativa excelência. Mas o conjunto das instituições de ensino está muito distante do conceito de qualidade.”

O que a Escola João Bento da Costa tenta fazer é isso: ajudar uma comunidade que dificilmente teria condições de competir com alunos de escolas privadas às universidades integrando-o através do Projeto Terceirão uma visão de totalidade onde não se prepara apenas para o Enem (como alguns críticos dizem) e sim para a vida, pois há um trabalho de reflexão, de conhecimento, de ética que vão além de tornar nossos alunos meros robôs. De que vale trabalhar apenas conceitos que não levam nossos alunos de Escola Pública a adentrar às universidades sendo obrigados a pararem de estudar por que não tem condições de pagar um cursinho?Qual o mal em prepará-los para conseguirem aprovação nas Universidades Federais via SISU e, via PROUNI nas Faculdades particulares? Nossos alunos ao sair da terceira série do Ensino Médio têm condições para enfrentar qualquer concurso público e, não é o que vejo outras escolas fazerem. Na maioria, infelizmente, 50% dos aprovados não têm realmente conhecimento para enfrentar um vestibular, concurso e/ou Enem e, quando necessitam percebem a defasagem que foi seu ensino. O JBC pode até não ter uma educação de excelência ainda, mas está no caminho certo, pois nesses anos de projeto foram muitos que tiveram oportunidade de se profissionalizar devido ao trabalho ali realizado. Da turma de 2012, nesse momento já são 98 (noventa e oito) alunos aprovados via SISU e 124 (cento e vinte e quatro) via PROUNI. Isso não é qualquer escola que consegue e vem muito mais por aí, pois a UNIR só divulgará o seu resultado  agora em março.

Nossos críticos ferrenhos deveriam se dirigir a esses alunos e perguntarem se não valeu a pena e, se nossas “autoridades” acham que estamos criando robôs, quem dera que todas as escolas fizessem isso, pois assim teríamos mais pessoas nas universidades que deixariam de ser alienadas e quem sabe poderiam mudar esse quadro político em que se encontra nosso Estado e nosso país.

Até agora, do ano letivo de 2012, foram 98 alunos aprovados pelo SISU e 124 pelo PROUNI. Falta a UNIR divulgar a sua lista de aprovados para o próximo semestre. Portanto, em nome da equipe do Terceirão, nossos cumprimentos aos aprovados, pois temos a certeza de que vocês não foram robotizados e sim, preparados para a vida de forma geral.

 *Soniamar Salin, professora do João Bento da Costa, Projeto Terceirão.

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