Porto Velho (RO) segunda-feira, 24 de setembro de 2018
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Educação

Reeducandos aguardam resultado para a universidade


O Setor de Treinamento e Ensino ao Apenado (Stea) da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) comemora os reflexos positivos do seu trabalho obtido na edição 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em que um total de 286 reeducandos distribuídos nas seis unidades prisionais da capital participaram da prova.

Segundo Irlei Rodrigues da Silva Ramalho, pedagoga e coordenadora do Enem do Sistema Prisional da Sejus, cada unidade teve sua sala e aplicadores, “o que diferenciou o processo foi apenas a data da aplicação das provas, pois a logística utilizada foi a mesma”, explica a pedagoga.

De acordo com informações repassadas pela Stea, na Unidade Prisional Edivan Mariano Rosendo (Panda), 17 reeducandos foram inscritos na Unir; na Unidade Jose Mario Alves (Urso Branco), foram 25 inscritos; na Unidade Ênio Pinheiro foram 14; do Centro de Ressocialização Vale do Guaporé, 18 inscritos; da Penitenciária Feminina (Pefem), 29 inscritas e no Provisório Feminino, 11 inscritas.

Expectativa

Muitos dos reeducandos que realizaram os testes não alcançaram a média, como o caso de J.S., do Centro de Ressocialização. J. fez 534 pontos no exame, mas não alcançou a média de 400 pontos da redação. “Apesar de não conseguirem a aprovação como no caso citado, os reeducandos sentem-se felizes por seu desempenho, uma vez que não tinham nenhuma expectativa”,

Integrantes do Projeto “O Topo do mundo”, os reeducandos Andrey Tineli fez a maior pontuação, 633 e foi inscrito em Ciências Biológicas, na Unir; Rosberg Silva e Fernando Pablo foram inscritos em Geografia, agora aguardam o resultado da seletiva. “São bons exemplos de que é possível a reabilitação”, ressalta a pedagoga.

Irlei conta que se sente feliz em ver a dedicação dos reeducandos. “Se ao menos 50% dos inscritos forem selecionados pelos centros acadêmicos representará uma grande conquista para o nosso sistema”, afirma a coordenadora.

Alternativa

Com mais de 600 inscritos por semestre, apenas em Porto Velho, a Escola do sistema prisional foi criada no final da década de 80, durante o governo de Jerônimo Santana, denominada de Escola Ênio Pinheiro. Durante a gestão do governador Confúcio Moura ela foi recriada com o nome de Escola Madeira Mamoré, o que acabou com o estigma do reeducando que ao chegar no mercado de trabalho era rotulado por ser egresso do sistema.

A divulgação das possibilidades e benefícios oferecidos pela Vara de Execuções Penais para redução de pena e a atuação da escola que implantou o terceiro ano, são os principais atrativos para os apenados, mas em 2014, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) encerrou o programa seriado semestral, adotando o ensino modular dentro do sistema.

Uma problemática apontada pelo Diretor da Escola do Sistema Prisional Madeira Mamoré, Aristóteles Alves, conta que o novo modelo educacional adotado não é bem aceito pelos reeducandos.

A Portaria Nº. 225 da Seduc, publicada em 16 de janeiro de 2014, será implantada a partir de março e a preocupação dos educadores com o novo modelo é que haja uma evasão do projeto. “É um retrocesso, pois já foi implantado anteriormente e não funcionou”, alega o diretor.

“Queremos uma reflexão acerca do sistema modular, pois sem duvidas haverá uma evasão dos alunos e para que todo o esforço e conquistas apresentadas até o momento não caia no ostracismo é necessário esta ponderação”, conclui Aristóteles.

Recuperação possível

Aos 42 anos, natural de Formosa do Oeste, no Paraná, Joel Pereira de Araújo é um reeducando em monitoramento e atualmente faz estágio no Stea. Ele veio para Porto Velho por causa da família. “A minha sogra estava doente e eu e minha esposa viemos cuidar dela”, conta.

Ele chegou por estas paragens em 2001, período em que já começou a trabalhar na roça e onde permaneceu até 2005, ano em que conseguiu comprar uma pequena chácara. Em 2007, foi preso, “foi um ano ruim em que cometi muitos erros”, pondera. “Fiquei preso até novembro de 2013 e passei por todas as unidades prisionais, menos o Ênio Pinheiro”.

No Urso Panda conheceu o projeto pedagógico, onde iniciou os estudos na 5ª série do ensino fundamental. “Tudo que você pensar de bom aconteceu na minha vida quando comecei a estudar. Na época fui atrás da remissão de pena e acabei por encontrar esse caminho que acredito que me levará para a faculdade”, comemora a virada.

Ele que se inscreveu para Geografia e aguarda o resultado da seleção já visualiza um futuro promissor, “se Deus quiser ainda farei outra faculdade”, persevera.

Fonte: Romeu Noé / Decom
 

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