Sábado, 17 de setembro de 2016 - 16h28
Um ano após ouvir de uma pedagoga que seu filho de criação “não tinha jeito” e “ia virar traficante”, a vendedora de 62 anos diz se sentir aliviada com os rumos do garoto.
O adolescente de 15 anos era conhecido por faltar nas aulas e por arranjar brigas. Mudou seu comportamento após a professora começar a visitar a casa da família e a ouvir suas queixas.
A prática se tornou comum nas escolas municipais de Contagem, na Grande Belo Horizonte, após a implantação de um programa que tenta diminuir a evasão escolar e melhorar a atitude dos alunos dentro da sala de aula.
A ideia foi levada adiante há aproximadamente um ano e, depois de uma apresentação do programa no México, Contagem foi aceita na rede “Cidades Aprendizagem”, da Unesco (braço da ONU), que incentiva a doação de políticas públicas para educação.
Alguns professores ganham cargo de “articulador comunitário” e se aproximam das famílias de estudantes com algum problema para diagnosticar a situação.
Os dados são enviados para um comitê municipal e, se necessário, é providenciada assistência psicológica, médica e social aos alunos.
O programa, de acordo com o relatório do instituto que presta consultoria ao município, provocou uma “redução drástica de faltas na escola (84%)” e “melhoria do comportamento”.
Atenção
No caso do adolescente de 15 anos que chegou a ser tratado como um estudante que “não tinha jeito”, a articuladora Glauce Leonel, 38, descobriu que ele havia sido abandonado pela mãe e, por isso, se sente rejeitado.
Segundo ela e a mãe de criação, a aproximação da escola e a maior atenção dada ao aluno já surtiram efeito.
“Não é que tenha havido uma mudança mágica no comportamento, mas ele tem se adequado depois que a escola de aproximou. Passou a assistir às aulas e parou de enfrentar os outros”, afirma Leonel, que antes de ser articuladora lecionava educação física. Atualmente, ela visita outros 18 estudantes.
Apesar de a iniciativa ser bem vista, a ajuda requerida pelos educadores nem sempre vem com rapidez. O próprio menino de 15 anos atendido por Leonel e que mudou seu comportamento, por exemplo, ainda não conseguiu a assistência de um psicólogo, embora a articuladora ache que seja necessário.
Saúde
Crianças com problemas de saúde também são monitoradas pelos articuladores. Lázaro Fernandes, 8, tem uma doença não diagnosticada que fragiliza os ossos, dificulta a fala e a respiração.
“A primeira visita que recebi da Raquel [de Souza, a articuladora] foi quando meu filho se quebrou todo após uma queda”, diz a dona de casa Elizabete Fernandes, 38, mãe do menino. Foram obtidos remédios e equipamentos.
Ele também passou a ser assistido por uma psicóloga e se tornou mais sociável. “É outra criança”, diz a mãe.
“Nosso objetivo é fechar um cerco de proteção para o que está acontecendo com o aluno”, explica Tereza Cristina de Oliveira, uma das responsáveis pelo programa.
Segundo ela, a prioridade são estudantes com suspeita de uso de drogas, de abuso ou que têm pouca frequência em sala de aula. Aproximadamente 50 escolas fazem parte do programa.
Fonte: ANDI / Folha de São Paulo
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