Porto Velho (RO) quinta-feira, 20 de setembro de 2018
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Educação

Nota de Repúdio às Ações truculentas da Polícia Federal



“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”


                                                           Bertold Brecht


UNIR-Centro. Porto Velho-RO, 21 de outubro de 2011.
 


À todos os estudantes, professores, mães, pais,
estudantes das escolas e trabalhadores em geral
.


1- Vimos aqui expressar publicamente o nosso mais profundo repúdio às ações truculentas e covardes praticadas por agentes da Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (21) contra estudantes, professores e inclusive um deputado federal, resultando na absurda e arbitrária prisão do Professor Valdir Aparecido da Silva, do Departamento de História do campus de Porto Velho.


2- Denunciamos ainda o ato do REItor José Januário Oliveira Amaral em solicitar que a PF reprima as justas manifestações de estudantes e professores, com cumplicidade e silêncio do Secretário de Ensino Superior do MEC Prof. Luiz Claudio Costa, e principalmente por permitir que professores da UNIR sejam presos e tratados como bandidos. Não esperávamos outra atitude menos fascista Januário!


3- A luta pelo afastamento do reitor da UNIR, o sr. José Januário Oliveira Amaral, considera as inúmeras denúncias de improbidade administrativa existentes no âmbito de sua gestão junto à Universidade, o que rendeu um relatório circunstanciado contendo mais de 1.500 páginas à Secretaria de Educação Superior do MEC na última semana e nas ações relativas às investigações de desvios de verbas da Fundação Riomar, formação de quadrilha e etc, ajuizadas pelo Ministério Público Federal. Mesmo com tantas evidências e inclusive provas, as únicas ações enérgicas e imediatas das autoridades do estado brasileiro são: repressão, processos judiciais, reintegração de posse, interdito proibitório, ameaças, truculência e perseguição à estudantes e professores grevistas. Absolutamente nada é feito com a mesma rapidez no sentido de “limpar” o esgoto e remover os ratos que infestaram nossa universidade.


4- É um verdadeiro absurdo que o professor Valdir tenha ficado detido por várias horas na sede da Polícia Federal aguardando chegar o início da madrugada para ser interrogado e supostamente intimidado e coagido pelo delegado e vários agentes para que assumisse coisas que não fez e dar informações sobre o movimento de greve, sendo levado em seguida para o presídio Urso Panda. Desde já nos solidarizamos com o professor e não descansaremos até sua soltura. Professor não é bandido Januário/MEC!


5- Denunciamos que 4 estudantes foram intimados pela Polícia Federal para prestar depoimento e provavelmente serem “interrogados” nos mesmos moldes do professor Valdir. Os estudantes não se intimidarão com processos judiciais, intimidações ou ameaças! Não temos medo de polícia, pois não somos criminosos!


6- À paisana, os agentes da PF faziam serviço de espionagem, buscando identificar estudantes para posterior processo de perseguição quando, ao som de uma bomba, apontaram para o professor Valdir e avançaram sobre o mesmo, buscando intimidá-lo e a todos os presentes. No meio da situação, tomaram a máquina fotográfica do professor Narcísio, do Departamento de Biologia, e posteriormente prenderam o professor Valdir. Além disso, agrediram, com um golpe de cassetete, o deputador federal Mauro Nazif, que vem acompanhando e prestando seu apoio à nossa luta desde o início.


7- Identificamos que a Polícia Federal inseriu alguns agentes no meio da greve, um deles é aluno do Curso de Direito da universidade e participou da prisão do professor Valdir. Tentam a todo custo identificar os estudantes mais comprometidos com a nossa luta para posteriormente iniciar os processos de perseguição que historicamente impetram contra àqueles que levantam-se em luta pelos seus legítimos direitos. Repudiamos, com todo o nosso vigor, esta prática covarde e digna das famigeradas polícias políticas secretas existentes nos períodos do Regime Militar para perseguir, prender e assassinar estudantes que lutavam pela libertação de nosso povo.


8- Devemos deixar claro que não temos a menor intenção de retroceder em nossa luta. Vamos resistir de todas as formas até o fim! Somente o processo de sindicância que será instaurado não resolverá os problemas. Exigimos do MEC o imediato afastamento do Reitor da UNIR. Esta é a condição básica para que nos retiremos do prédio da UNIR-Centro. Fora esta condição, não permitiremos que nenhum agente de polícia invada o prédio da nossa universidade.


9- Avisamos se ocorrer conflito e algo acontecer aos estudantes que ocupam o prédio da reitoria ou aos professores, mães e pais que nos apoiam do lado de fora, a culpa será inteiramente do REItor Januário Amaral que trata, como sempre tratou os problemas da UNIR, com autoritarismo e como caso de polícia. Responsabilizamos ainda o Secretário de Educação Superior do MEC Luiz Cláudio Costa que se comprometeu verbalmente em não deixar acontecer a reintegração de posse e garantir a integridade física e moral dos grevistas, mas que na prática finge não ver os acontecimentos e a intervenção da Polícia Federal.


10- Convidamos todos os estudantes, pais, mães, professores e estudantes das escolas para somar forças conosco por uma nova UNIR, que seja pública, transparente, verdadeiramente democrática e acima de tudo, que preze pela qualidade.


Viva a Luta Combativa dos Estudantes e Professores da Unir!
Lutar pela educação não é crime! Não somos bandidos!
Abaixo a Criminalização do Movimento Estudantil!
Resistir! Lutar! Até a Greve Triunfar!


COMANDO DE GREVE DOS ESTUDANTES DA UNIR

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