Quinta-feira, 3 de setembro de 2015 - 18h02
Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil
A diretora do Banco Mundial, Cláudia Costin, disse hoje (3) que o governo brasileiro poderia, a partir do ajuste fiscal, analisar a eficiência dos investimentos em educação. “Podemos aproveitar a crise para fazer um grande balanço de onde estamos gastando o dinheiro da educação. Muitas vezes se gasta mal o dinheiro na área", afirmou Cláudia Costin, que participou, nesta quinta-feira, no Rio, do Seminário Internacional Caminhos para a Qualidade da Educação Pública, promovido pelo Instituto Unibanco e a Folha de S.Paulo.
Apesar de defender a reavaliação das despesas em educação, Cláudia destacou que, mesmo em momentos de crise, é necessário preservar os investimentos na área. “A educação tem de ser um pouco mais protegida que os outros, porque ela constrói o futuro. Ela não garante os votos do governante do momento, mas garante a construção do futuro. Então, os recursos da educação devem ter um olhar muito mais carinhoso no momento em que se pensam cortes.”
Para a diretora do Banco Mundial, é positivo o anúncio do Ministério da Educação de oferecer um curso de formação para os diretores de escolas públicas. “Sem dúvida, isso vai levar a um gasto mais adequado e uma gestão mais profissionalizada na escola.” Segundo ela, grande parte dos gestores de estabelecimentos de ensino não tem capacitação adequada para a tarefa.
“Hoje, temos professores que recebem formação ainda inadequada para o magistério. Há professores mais experientes para a gestão escolar, muitas vezes sem nenhuma preparação para o desempenho da profissão.”
Sobre a importância dos gestores de escolas públicas, ele informou que as pesquisas mostram que o papel do diretor de escola é decisivo para se criar uma ambiência escolar favorável à aprendizagem e garantir o direito a aprender das crianças.
Essa relevância também foi destacada pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), José Francisco Soares. “A escola é uma interação de pessoas. Existe ainda a noção de buscar o sucesso. São esses fatores que a gente chama de não tangíveis. Por isso, se fala tanto na ideia do diretor que inspira. São não tangíveis, mas são extremamente influentes”, disse Soares em relação à capacidade e empenho do diretor.
A partir das bases de dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), esses gestores podem, segundo o presidente do Inep, buscar exemplos que ajudem na gestão de suas escolas. “Usar na prática [os dados] significa comparar sua escola com uma que atende a alunos parecidos. É muito importante fazer comparações relevantes. Vou comparar minha escola com uma outra que tem condições físicas e alunos parecidos.”
A análise de dados será um dos temas tratados pelo curso de formação que será oferecido aos gestores de escolas públicas. “O dado é fundamental para descrever a realidade. Ou seja, a realidade educacional está refletida nos levantamentos que o Inep faz no censo e nas avaliações”, disse o presidente do Inep.
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