Porto Velho (RO) segunda-feira, 24 de setembro de 2018
×
Gente de Opinião

Educação

Dificuldades na escola levam aluna surda ao magistério


Yara Aquino
Agência Brasil

Brasília - As dificuldades que enfrentou na escola por ser surda despertaram o interesse de Adriana Gomes Batista em seguir o magistério para tornar mais fácil o aprendizado de crianças na mesma condição. Atualmente, ela é professora da rede pública de ensino do Distrito Federal e dá aulas na Escola Bilíngue Libras e Português Escrito.

Quando estudou, a professora Adriana sofreu com a falta de material adequado e de intérprete em sala de aula. “Eu precisei me esforçar muito para avançar nos estudos. Foi muito exaustivo. Não tinha intérprete na sala de aula, eu não tinha o recurso visual. Quando criança, aprendi o português lido e isso era mais difícil. Por isso, tive o sonho de estudar para trabalhar com as crianças que tinham dificuldade”, relatou Adriana em linguagem de sinais, traduzida à Agência Brasil pela coordenadora da escola.

Hoje, na sala de aula, Adriana ensina com o uso de dinâmicas de grupo, batalha naval, jogos, tudo combinado com imagens, sinais e vocabulário. A didática não é um desafio para a profissional que conhece as duas posições, a de aluna e a de professora surda.

Garantir a igualdade de condições no aprendizado entre os alunos surdos e os demais é uma meta da educadora. O recurso visual e a expressão são fundamentais no ensino. Antes, Adriana produzia material, fazia cópia de imagens e conta que era um trabalho exaustivo. Agora, na Escola Bilíngue, relata que o material é adequado. “Com a Escola Bilíngue, o conteúdo é o mesmo do estudante ouvinte. Queremos essa isonomia, essa igualdade”, conta a professora, que já soma 15 anos de profissão.

Para o futuro, ela quer mais. A intenção é ter material filmado para fazer avançar o trabalho em sala. “A linguagem de sinais envolve expressões e o ideal é material filmado”, explica. A educadora relata que quando ingressam na escola muitos alunos surdos ainda não entraram em contato com a linguagem de libras. Além de ensinar os alunos, a escola tem também cursos voltados para a família, destinados a facilitar a comunicação dos estudantes em casa.

Na Escola Bilíngue onde a professora Adriana ensina, as aulas são ministradas diretamente na linguagem de sinais, com o uso frequente de datashow e em turmas formadas por surdos. O modelo é diferente do adotado nas escolas inclusivas, onde as turmas são mistas e o professor dá aula oral com a presença de um intérprete de libras.

“Antes, existia apenas o modelo de inclusão. O aluno tinha um limite de conteúdo e ele acabava perdendo muito”, avalia a professora. “O principal desafio é vencer as limitações dos alunos surdos. Queremos que eles ultrapassem as limitações que existiam no modelo de inclusão”, acrescenta.

Mais Sobre Educação

Acadêmicos de engenharias da Uniron sensibilizam governador Daniel Pereira com o livro “A vida secreta das árvores”

Acadêmicos de engenharias da Uniron sensibilizam governador Daniel Pereira com o livro “A vida secreta das árvores”

De uns tempos para cá, a ciência comprova que as árvores e o homem têm muito mais em comum do que poderíamos imaginar. Da mesma forma que o ser humano

Movimento Rondônia pela Educação vai apresentar planejamento estratégico a candidatos ao governo de Rondônia

Movimento Rondônia pela Educação vai apresentar planejamento estratégico a candidatos ao governo de Rondônia

O movimento Rondônia pela Educação, liderado pela Federação das Indústrias de Rondônia e composto por mais de cem entidades e instituições rondoniense

ENEM: Aulão na rede acontecerá em outubro

ENEM: Aulão na rede acontecerá em outubro

A Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (RO) começou os preparativos para realização do projeto “Aulão na Rede” que acontecerá os dias 30 e 31