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Curso de Arqueologia da UNIR inicia primeira escavação urbana em Rondônia


Atividades de observação e educação patrimonial serão abertas à comunidade - Gente de Opinião
Atividades de observação e educação patrimonial serão abertas à comunidade

Pesquisadores do Curso de Arqueologia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Campus de Porto Velho, iniciaram na segunda-feira, dia 8, sua primeira escavação em uma região urbana no Estado. O local escolhido pelo grupo são as ruínas do extinto Hospital da Candelária, em Porto Velho, devido à sua importância histórica para a constituição urbana da capital de Rondônia.

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Construído para atender os trabalhadores durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, hoje o hospital da candelária está em ruínas, restando apenas o alicerce da antiga construção. “O objetivo da pesquisa é buscar, por exemplo, evidências da ocupação do Estado, de trabalhadoras e trabalhadores que vieram de lugares distantes para trabalhar na construção, mas que não constam nos registros oficiais”, explica a professora Juliana Santi, docente no Departamento Acadêmico de Arqueologia (Darq/UNIR) e coordenadora do projeto.

A intenção dos pesquisadores é fazer um resgate histórico e contribuir com a construção de narrativas que utilizem a cultura material arqueológica como fonte primária de informação, demonstrando as relações entre pessoas e coisas, inerentes ao processo de urbanização de Porto Velho. “Devido às doenças e à insalubridade do trabalho no meio da mata, sabemos que o hospital foi essencial para a construção da Estrada de Ferro e é essa história que pretendemos resgatar”, afirma Juliana.

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A professora explica que atualmente o espaço que abrigava o Hospital da Candelária não é tombado pelo patrimônio histórico porque estudos anteriores concluíram que não havia mais evidências da estrutura física do local. Contudo, a Arqueologia encontra evidências da história no solo, por isso que são realizados os trabalhos de escavação. Dessa forma, os pesquisadores pretendem mapear a estrutura ainda existente, que alicerçava os antigos galpões do hospital, e evidenciar os vestígios dessa história. “Não sabemos o que vamos encontrar, mas a Arqueologia vem para mostrar que o Hospital ainda está ali, além da possibilidade de levantar informações que os documentos oficiais não registraram”, conclui.

Visitação aberta ao público

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Nesse projeto, o ensino, a pesquisa e a extensão universitária alcançam a comunidade Portovelhense por meio de oficinas e diálogos com a comunidade afetada, aulas abertas ao público em geral e disponibilização de espaços para visitação.

As visitas às escavações podem ser agendadas diretamente com a coordenadora do projeto pelo telefone 69 99952-1373 e estarão disponíveis durante todo o período de atividades práticas nas escavações, de 8 a 24 de maio, das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira.

No local há espaços identificados para demonstração das atividades e monitores do projeto para explicar aos visitantes a metodologia empregada nas pesquisas e a importância desse tipo de estudo para a história da cidade.

Essa etapa de visitação, chamada “Sítio Escola nas Ruínas do Hospital da Candelária e Cemitério”, integra uma disciplina obrigatória do curso de Arqueologia da UNIR, e as atividades práticas incluem: organização das unidades de escavação e das áreas para exumação dos materiais arqueológicos; coletas e acondicionamento de sedimentos; discussões teóricas sobre os métodos e técnicas utilizados; ações de Educação Patrimonial junto à comunidade em geral e de escolas; e conversas com os moradores locais.

Sobre o projeto

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O projeto de pesquisa é intitulado “Arqueologia Histórica em Porto Velho, RO: Coisas, Pessoas, Conflitos, Apagamentos e Resistências”. Teve início em 2022 e seguirá até outubro de 2024, com autorização do Iphan. Conta com a participação de dez alunos do Curso de Arqueologia da UNIR, quatro professoras (Juliana Santi, Valéria Silva, Laura Cabral e Elisangela Oliveira), uma técnica em Arqueologia da universidade (Glenda Félix) e pesquisadoras e pesquisadores egressos.

Além de uma exigência do currículo do curso, as atividades de campo são também uma oportunidade de aperfeiçoar os conhecimentos teóricos e práticos dos acadêmicos de Arqueologia, que conseguem melhor aproveitamento das disciplinas práticas, unindo pesquisa (história do Hospital e cemitério da Candelária), ensino (atividades acadêmicas teóricas e práticas) e extensão (atendimento à comunidade).

Os resultados das pesquisas práticas sobre arqueologia histórica em Porto Velho embasarão outros três projetos de conclusão de cursos de alunos da graduação em Arqueologia da UNIR, abrindo possibilidade para novos trabalhos e discussões que evidenciarão outros aspectos da constituição histórica de Porto Velho.

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