Porto Velho (RO) terça-feira, 18 de setembro de 2018
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Bolívia mercantiliza o ensino médico


Bolívia mercantiliza o ensino médico - Gente de Opinião
Em sentido horário, Simi Bennesby, Hiran Gallo, Maria do Carmo Wanssa, deputado Marcos Rogério e Almerindo Brasil, durante reunião no Cremero
 

O Conselho Regional de Medicina de Rondônia - Cremero recebeu, na última quinta-feira, a visita do deputado federal Marcos Rogério (PDT-RO) que buscou maiores informações sobre a situação da medicina em Rondônia e debateu as regras das provas de revalidação de diplomas de médicos formados em países sul-americanos. O assunto foi amplamente debatido durante a visita, quando a diretoria do Cremero e o diretor do Conselho Federal de Medicina, Hiran Gallo, rechaçaram a ideia de flexibilização da revalidação de diplomas para médicos formados no exterior. O Cremero entende que a morte, em Rondônia, de várias pessoas que se submeteram a tratamento médico cirúrgico na Bolívia corrobora com o argumento da formação médica ruim oferecida naquele País

Os diretores do Conselho Regional e do Conselho Federal de Medicina afirmaram que não se pode brincar com a saúde e a vida da população, colocando-a sob os cuidados de profissionais que não tiveram uma boa formação. A presidente do Cremero, médica Maria do Carmo Wanssa, lembrou ao deputado que, pelo que tem conhecimento, existe uma mercantilização do ensino médico oferecido aos brasileiros que vão estudar na Bolívia. “Ninguém sabe se o Governo daquele país fiscaliza as faculdades ou quais são as regras que regem sem funcionamento. Mas o que podemos afirmar com clareza é que se o nível de ensino fosse bom um número maior de formados conseguiriam aprovação na prova do Revalida, o programa do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde para a revalidação de diplomas de médicos formados no exterior. Passou, ainda, ao deputado informações contidas em palestra ministrada em encontro recente no CFM por professor boliviano que mostra as estatísticas comprovando suas afirmações

O deputado falou do trabalho que vem fazendo junto a Comissão da Amazônia na Câmara Federal na tentativa de minorar o problema da falta de médico na região Norte, enquanto a presidente do Cremero manifestou preocupação com a falta de qualificação dos profissionais da área formados nos países vzinhos.

No encontro com o deputado Marcos Rogério, do qual participou a presidente do Cremero, Maria do Carmo Wanssa; o conselheiro federal do Cremero e tesoureiro do Conselho Federal de Medicina, Hiran Gallo; o vice-presidente do Cremero, Almerindo Brasil de Souza; e a tesoureira Simi Bennesby Marques, ficou acertado a continuidade da conversa em outras oportunidades, com a possibilidade de se agendar uma visita do parlamentar ao Conselho Federal de Medicina, onde poderá colher maiores subsídios sobre a revalidação de diploma médicos.

Maria do Carmo Wanssa explanou que muitos médicos recém-formados na Bolívia, por exemplo, buscam no Brasil reconhecimento rápido de seus diplomas, embora tenham estudado em faculdades que não obedecem aos mesmos critérios técnicos exigidos no Brasil. Segundo ela, a Bolívia faz da formação de médicos um comércio, uma vez que não seleciona previamente os alunos, tem número ilimitado de vagas e não oferece um quadro substancial de doutores e mestres.

O deputado Marcos Rogério, que, equivocadamente, defendeu no plenário da Câmara Federal o aproveitamento dos médicos formados nos países vizinhos para suprir as necessidades da população brasileira, esclareceu que faz parte de uma comissão que há algum tempo vem debatendo o assunto e que já visitou alguns países para conhecer o sistema que forma estes profissionais. Segundo ele, há e faculdades ruins, mas também há faculdades muito bem equipadas na Bolívia. Ele propôs uma forma eficaz de avaliação dos médicos não brasileiros, destacando que eles precisam ter formação voltada para a realidade brasileira. O deputado ressaltou, ainda, o que concorda com a seleção para a entrada no País, assim como também a prova unificada do processo revalida e propôs discutir são os critérios exigidos na prova e o valor da nota de corte.

O conselheiro federal Hiran Gallo destacou que conhece excelentes profissionais formados nas faculdades bolivianas, mas deixou claro que é preciso aferir rigorosamente os conhecimentos e a formação dos médicos vindos do exterior. “No Brasil - disse ele - os médicos são avaliados na residência médica, que é rigorosa”, afirmou.

No encerramento do encontro, o deputado Marcos Rogério disse que está à disposição do Cremero para avançar nos estudos sobre o assunto. O conselheiro Hiran Gallo se ofereceu para acompanhar o parlamentar numa visita ao Conselho Federal de Medicina para que conheça os estudos já concluídos sobre o assunto. A reunião foi considera muito proveitosa tanto pelo Cremero como pelo Marcos Rogério.

Fonte:
Carlos Araújo

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