Terça-feira, 28 de junho de 2022 - 16h58

Nos últimos
anos as cooperativas de crédito têm se tornado, cada vez mais, uma excelente
alternativa aos grandes bancos comerciais, mostrando a sua força na oferta e
demanda de produtos que atendem uma grande parcela do público outrora excluído
do mercado financeiro.
Como julho é
comemorado como o mês do cooperativismo, vale a pena lembrar que muito desse
entusiasmo ocorre graças a um crescimento acelerado das cooperativas nos
últimos cinco anos e a fatores como a desburocratização do sistema,
compartilhamento de ganhos e evolução junto às comunidades locais.
Segundo dados
do Banco Central, levantados em 2021, o setor teve um crescimento expressivo
entre as demais instituições financeiras, especialmente os bancos, o que
garantiu um lugar de destaque no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Nessa linha,
o estudo revela que a carteira de crédito do Sistema Nacional de Cooperativismo
atingiu R$ 95 bilhões em 2017, ou seja, 2,47% do SFN, enquanto que, no ano
passado, a marca chegou a R$ 228,7 bilhões, ou 5,1% do SFN.
O advogado
Adriano Coelho, do escritório MBT Advogados, é especialista em atendimento
jurídico da área de cooperativismo e ressalta que uma das primeiras vantagens
das cooperativas de crédito é o fato de se tratarem de empreendimentos formados
por uma associação de pessoas para prestar serviços financeiros,
exclusivamente, aos associados. Ou seja, há uma noção maior de propriedade
sobre valores envolvidos nas operações financeiras.
“Quando uma
pessoa ingressa em uma cooperativa de crédito, está investindo em algo que será
seu, passando a fazer parte como ‘dona’ daquele empreendimento ou associação.
Ainda que seja com uma pequena parte, que é a sua cota de capital
integralizada, os resultados serão divididos com ela”, explica.
O recebimento
das sobras anuais funciona como uma espécie de divisão dos resultados no
sistema cooperativado, visto que a instituição não visa o lucro.
“Diferentemente
do banco, na cooperativa não se é um mero cliente, mas sim alguém que faz parte
daquela instituição, conforme o estatuto social da associação”, diz Adriano.
Em resumo,
numa cooperativa de crédito se tem acesso aos mesmos produtos financeiros que
um grande banco oferece, e as cotas de capital que são integralizadas e a
movimentação financeira proporcionam sobras que serão divididas como resultado
da cooperativa. “Isso é interessante em termos de investimento, porque o
capital que está integralizado renderá conforme uma taxa comum de aplicação de
renda fixa de qualquer outra instituição, e ainda será turbinado pela divisão
dos resultados financeiros da cooperativa ao final do exercício”, frisa o
advogado.
Ganhos
reais do ponto de vista da comunidade
Outra vantagem
importante, e que tem tudo a ver com o espírito do cooperativismo, é que as
movimentações financeiras geram resultados que ficam na comunidade local.
“Numa cidade
do interior, faz diferença o dinheiro que irá circular no comércio local e
servir para investimentos na região, criando um círculo virtuoso”, analisa
Adriano.
Fluxos
rápidos e acesso direto à gerência
A fácil adesão
torna a entrada em uma cooperativa, geralmente, menos burocrática do que abrir
uma conta em um grande banco. Essas instituições estão trabalhando de forma
cada vez mais efetiva para facilitar a relação e o contato com o cooperado. “A
adesão é algo muito simples, com o preenchimento de ficha cadastral, com os
mesmos documentos solicitados por qualquer banco. Os fluxos de aprovação no
conselho de administração são ágeis, proporcionando, inclusive, maior rapidez
nas situações do que em grandes bancos estatais, além de um contato direto com
o gerente, um atendimento mais humanizado e pessoal do cooperado, que é tratado
como ‘alguém’ e não como um simples número”, compara.
A
integralização das cotas de capital se dá também por valores simbólicos, para
que qualquer pessoa possa acessar e usufruir dos serviços cooperativos.
Por fim,
Adriano ressalta também que é necessário ter cuidados com o acesso a esses
produtos financeiros, como com qualquer outro.
“Certificar-se
sobre taxas e encargos embutidos nos serviços, verificar se a administração de
determinada cooperativa é responsável com a saúde financeira da instituição e
buscar informações sobre o conselho são dicas valiosas que tornam o futuro na
cooperativa mais promissor, e até mesmo mais lucrativo para o cooperado”,
finaliza.
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