Terça-feira, 5 de setembro de 2023 - 10h57

Em agosto, a economia brasileira testemunhou um
cenário de endividamento em declínio, mas, ao mesmo tempo, um aumento dos
níveis de inadimplência. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada mensalmente pela Confederação
Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias
endividadas no País apresentou sua segunda queda desde novembro de 2022,
atingindo 77,4% das famílias em agosto, o menor nível desde junho de 2022.
Por outro lado, a inadimplência preocupa, com
12,7% da população afirmando não ter condições de pagar suas dívidas de meses
anteriores, um recorde da série histórica do indicador, iniciada em janeiro de
2010. “A queda do endividamento é um sinal positivo de que mais famílias estão
conseguindo controlar melhor suas dívidas e ajustar seus orçamentos”, destaca o
presidente da CNC, José Roberto Tadros. “No entanto, a taxa de juros elevada e
o crédito caro ainda são empecilhos à melhoria da situação financeira dos
brasileiros”, completa.
A CNC estima que a proporção de consumidores
endividados continuará a diminuir nos próximos meses, chegando a cerca de 77%
em setembro. No entanto, a previsão é que o endividamento volte a crescer na
reta final de 2023, encerrando o ano próximo de 78% do total de famílias no
País.
Endividamento cai,
inadimplência sobe
A Peic de agosto aponta que o percentual de
famílias endividadas registrou uma queda de 0,7 ponto percentual, o menor nível
desde junho do ano passado. Essa redução se soma a uma diminuição de 1,6 ponto
percentual, no acumulado do ano. Além disso, entre os endividados, o número de
pessoas que se consideram “muito endividadas” também diminuiu, alcançando seu
ponto mais baixo desde abril de 2022.
Por outro lado, a situação da inadimplência no
País é motivo de preocupação. A pesquisa revela que o volume de consumidores
com dívidas atrasadas atingiu a maior proporção desde novembro de 2022, com 30%
das pessoas enfrentando algum compromisso financeiro em atraso. Para completar
o cenário, o dado ainda mais alarmante é que 12,7% dos consumidores afirmaram
não ter condições de pagar suas dívidas de meses anteriores, marcando o ponto
mais alto da série histórica.
“O aumento da inadimplência acende um sinal de
alerta para a economia brasileira como um todo”, aponta a economista da CNC
responsável pela Peic, Izis Ferreira. Segundo ela, a inflação em queda e o
aumento do emprego formal têm contribuído para melhorar os orçamentos
domésticos, reduzindo a necessidade de as pessoas recorrerem ao crédito, mas as
altas taxas de juros e o aumento do número de dívidas a vencer continuam a
desafiar as famílias brasileiras.
Os dados da Peic também destacam que o
endividamento está em declínio tanto no mês quanto no ano entre os consumidores
de diferentes faixas de renda, com destaque para a queda mais significativa
entre aqueles com renda média (de 3 a 5 e de 5 a 10 salários mínimos). No
entanto, a inadimplência cresceu em todas as faixas de renda nas comparações
mensal e anual.
Em relação a agosto de 2022, a alta da
proporção de consumidores com dívidas atrasadas foi mais expressiva entre as
pessoas com 3 a 5 salários de renda (aumento de 1,6 p.p.). Entre os que
afirmaram não ter condições de quitar dívidas já atrasadas e que, portanto,
permanecerão inadimplentes, o crescimento anual foi maior na faixa de renda até
3 salários mínimos (crescimento de 2,1 p.p.). Nessa faixa, 17,5% indicaram, em
agosto, que não conseguirão pagar as dívidas.
Queda das dívidas no
cartão
Quanto às modalidades de dívida, a pesquisa
aponta uma redução do número de endividados no cartão de crédito em agosto, com
85,5% dos endividados, ante os 85,9% de julho. Essa é a segunda queda
consecutiva, colocando o indicador no menor nível desde agosto do ano passado.
Foi também a mais expressiva entre as modalidades de dívida. Também é possível
observar uma leve redução, de 0,1 ponto percentual, do volume de endividados no
cheque especial (que ficou em 4,1%) e no crédito consignado (5,1%).
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