Quarta-feira, 1 de abril de 2026 - 14h02

A Fecomércio-RO manifestou preocupação com os efeitos econômicos da
proposta em debate no Congresso Nacional que altera o modelo de jornada de
trabalho 6x1. O posicionamento da entidade foi apresentado com base em estudo
da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC.
Segundo o presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac-Instituto
Fecomércio/RO e vice-presidente da CNC, Raniery Araújo Coêlho, a mudança pode
gerar impacto direto sobre a estrutura de custos das empresas e na manutenção
dos postos de trabalho, especialmente em segmentos com operação contínua.
“Estamos diante de uma proposta com potencial de impacto direto sobre a
sustentabilidade das empresas, com reflexos na manutenção e na geração de
emprego e do custo de produção. Setores como turismo, além das micro e pequenas
empresas, tendem a sentir esses efeitos com mais intensidade”, afirmou.
O posicionamento foi embasado no estudo Jornada de trabalho e
estabilidade do ambiente de negócios, apresentado pelo economista-chefe da CNC,
Fábio Bentes, com participação do advogado da entidade, Roberto Lopes, e da
diretora de Relações Institucionais, Nara de Deus.
De acordo com a confederação, a redução da jornada pode produzir efeitos
relevantes nos setores de comércio, serviços e turismo, com aumento da folha
salarial, necessidade de readequação das escalas e risco de perda de
competitividade em atividades que dependem de funcionamento contínuo.
No comércio, o estudo projeta custo adicional anual de R$122,4 bilhões,
com impacto estimado de 21% sobre a folha de pagamento do setor. No segmento de
serviços, a estimativa é de R$235 bilhões em custos adicionais, com
possibilidade de repasse de até 13% aos preços finais ao consumidor.
A CNC também aponta a possibilidade de redução de até 631 mil empregos
formais nos curto e médio prazos. No turismo, segundo a entidade, o impacto
pode chegar a 54%, a depender do porte das empresas e do perfil das operações.
Para a Fecomércio-RO, a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho
exige transição gradual e consideração das especificidades de cada setor da
economia. A entidade defende que o debate avance com diálogo entre empregadores
e trabalhadores, de forma a preservar segurança jurídica, competitividade e
empregos.
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