Porto Velho (RO) sábado, 4 de abril de 2020
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Economia - Nacional

Mais de metade da população depende dos cofres públicos



Stênio Ribeiro
Agência Brasil
  

Brasília - A população brasileira está cada dia mais dependente dos cofres públicos para movimentar a economia, o que explica em parte o bom comportamento do consumo nos últimos meses, segundo revelou hoje (7) a economista-chefe do banco Fibra, Maristella Ansanelli.

De acordo com suas contas, são 11,6 milhões de brasileiros cadastrados no programa Bolsa Família, mais 26,6 milhões de aposentados e pensionistas e cerca de 10 milhões de funcionários públicos nos três níveis de governo.

Ela supõe que uma família média é composta por quatro pessoas, no caso do Bolsa Família, o funcionalismo público atende em média duas pessoas e os aposentados e pensionistas contam por uma pessoa apenas, num cálculo conservador.

Numa estimativa grosso modo, isso dá em torno de 93 milhões de pessoas, ou mais de 50% da população brasileira, que recebem renda diretamente do governo, segundo Maristella. Por essa razão, os indicadores de vendas no varejo passaram praticamente incólumes nos últimos meses, acrescentou.

É, portanto, um contingente significativo da população "imune aos impactos da crise [financeira internacional] sobre a renda e o emprego, e fica mais fácil entender o bom comportamento do consumo recente", explicou.

A isso, ela adiciona também os diversos estímulos monetários e fiscais que foram dados ao consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de veículos e de material de construção; redução dos juros básicos da economia, de 13,75% para 8,75% ao ano, de janeiro para cá; forte atuação dos bancos públicos na concessão de crédito; e os reajustes de salário mínimo e benefícios acima da inflação.

No seu entender, a combinação dessas medidas tende a manter o consumo em trajetória positiva no curto prazo. "Para o longo prazo, no entanto, ficam as preocupações com relação à sustentabilidade dessas políticas do ponto de vista das contas públicas", ressaltou.
 

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