Porto Velho (RO) domingo, 29 de março de 2020
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Gente de Opinião

Economia - Nacional

Intenção de consumo P.Velho começa o ano em baixa


 

Sílvio Persivo
 

Sob o ponto de vista analítico se trata de um comportamento sazonal típico a queda de intenção de consumo em janeiro, em especial, por causa das compras de fim de ano que, tradicionalmente, aumentam provocando um maior endividamento das famílias. Ocorre que esta intenção de consumo permanece em queda pelo terceiro mês consecutivo ainda que a Perspectiva de Consumo tenha caído muito levemente apenas -0,04. Sem dúvida o que afetou o consumo, decisivamente, foram às medidas governamentais que, com o aumento do compulsório e a diminuição do volume de crédito, ocasionaram um decréscimo de -5,3% impactando de forma muito forte o Momento para Duráveis que teve uma queda muito alta de -17,9%. Deve-se salientar que ainda assim o Nível de Consumo Atual aumentou 4,6% e a Perspectiva Profissional também aumentou 2,4%, enquanto a Renda Atual, passando de 156,1 pontos para 156,2 manteve-se praticamente estável. Como se espera que haja um aperto monetário ainda maior, de vez que as taxas de juros foram elevadas pelo Banco Central, a perspectiva de consumo deve continuar em baixa nos próximos meses tendo em vista que o crédito deve ficar mais restrito e mais caro. Também as famílias parecem estar mais cautelosas em relação ao crédito e o endividamento continua baixando continua, bem como as contas em atraso demonstrando que as famílias procuram ter maior controle sobre suas finanças.

INDICE

                       NOVEMBRO

                     DEZEMBRO 

               JANEIRO

       VARIAÇÃO %

INTENÇÃO DE CONSUMO

DAS FAMÍLIAS

Emprego Atual

Perspectiva Profissional

Renda Atual

Acesso a Credito

Nível de Consumo Atual

Perspectiva de Consumo

Momento para Duráveis

    

      149,8

      144,8

      160,9

      155,4

      153,6

      123,8

      166,3

      144,0

     

 

 

     146,7

     147,5    

     153,9

     156,1

     156,9

     113,3

     180,3

     118,9

 

    144,5

    153,8

    157,6

    156,2

    148,6

    118,5

    179,5

     97,6

 

        -1,5

         4,3

         2,4

        0,01

       -5,3

        4,6

      - 0,4

     -17,9



Emprego Atual

Numa demonstração que a economia de Porto Velho continua aquecida o crescimento de 4,3% do nível de emprego atual representa o quinto mês consecutivo de aumento do nível de emprego atual num mês que, em geral, se caracteriza por uma baixa criação de novos empregos. Interessante é verificar que o crescimento do emprego, em janeiro, se verificou tanto nos níveis de maior escolaridade e salários mais altos como nos empregos de menor escolaridade e salários mais baixos. Porto Velho continua assim a gerar novos empregos o que indica que seu dinamismo econômico persiste mesmo com as medidas nacionais restritivas do crédito.

Perspectiva Profissional

O segundo mês de crescimento da Perspectiva Profissional em 2,4%, depois de uma queda em novembro, é um significativo sinal de que as oportunidades profissionais continuam em ascensão em Porto Velho mesmo com uma menor atividade econômica no início do ano. Embora os 157,6 pontos de janeiro sejam inferiores aos 168,4 pontos do ano passado é preciso considerar que este é o terceiro mês seguido de crescimento das perspectivas profissionais e que aumentam as oportunidades de emprego, em especial para os estratos de renda acima de 10 salários mínimos.

Perspectiva de Consumo, Nível de Consumo Atual e Renda Atual

Somente a Perspectiva de Consumo caiu levemente -0,4 o que se deve creditar a maior dificuldade do crédito em virtude das taxas mais elevadas e a maior seletividade que afetou mais significativamente a faixa acima de 10 salários mínimos. No entanto, o Nível de Consumo Atual teve uma elevação de 4,6% e a Renda Atual, com apenas 0,01 de crescimento, praticamente se manteve estável indicando que a atividade econômica e a intenção de consumo nos próximos meses deve se manter próximo deste patamar com uma leve tendência à baixa o que irá depender de como a elevação da taxa Selic irá repercutir na economia local. A Renda Atual de Porto Velho com o índice de 157,6 pontos continua sendo 4,1% maior que o índice nacional de 151,3 pontos.

Piora significativamente o Momento para Duráveis

A queda mais significativa entre todos os índices e que mais afetou a intenção de consumo de Porto Velho foi, sem dúvida, a Momento para Duráveis que caiu de 118,9 pontos, em dezembro, para o patamar negativo de 97,6 pontos, bem abaixo dos 135,8 pontos da média nacional. Isto indica que o consumo de bens duráveis de Porto Velho está sendo fortemente afetado pelo crédito embora não se possa descartar a retração sazonal desta época, bem como o alto nível de endividamento das famílias.

Sobre o ICF

Em conjunto com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, realizou a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias de Porto Velho (ICF-Rondônia) relativa ao mês de dezembro, ao exemplo do que fez durante todo o ano, que tem como objetivo antecipar o potencial das vendas do comércio. Os resultados do ICF são avaliados sob dois ângulos. O primeiro é o grau de satisfação e insatisfação dos consumidores. O índice abaixo de 100 pontos indica uma percepção de insatisfação, enquanto acima de 100 (com limite de 200 pontos) indica o grau de satisfação em termos de seu emprego, renda e capacidade de consumo. O segundo ângulo é o da tendência do grau de satisfação e insatisfação, por meio das variações mensais do ICF total. O ICF é composto por sete itens. Quatro deles – emprego atual, renda atual, compra a prazo e nível de consumo atual - comparam a expectativa do consumidor em relação a igual período do ano passado. Os demais itens referem-se a perspectivas de melhoria profissional para os próximos seis meses, expectativas de consumo para os próximos três meses e avaliação do momento atual quanto à aquisição de bens duráveis. As informações são obtidas a partir de 500 questionários aplicados em Porto Velho.


Fonte: Sílvo Persivo com informações da CNC/Fecomércio-Pesquisa Direta
 

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