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Economia - Nacional

Governo quer evitar endividamento excessivo das famílias


Gilberto Costa
Agência Brasil

Brasília – O governo está atento ao endividamento das famílias proporcionado pela facilidade de crédito, diminuição de juros, aumento do poder aquisitivo e ascensão de 38 milhões de brasileiros à chamada nova classe média.

Segundo o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Moreira Franco, “o governo não vai iGente de Opiniãonterferir”, mas vai cuidar para que as famílias “não se endividem além da possibilidade”. Em sua opinião, o endividamento não está em patamar “excessivo”, as pessoas gastam “conforme as suas necessidades” e há um bom volume de poupança, “35% da classe média está poupando”, garantiu. Moreira Franco participou hoje (4) do programa de rádio Bom Dia, Ministro produzido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços. Durante o programa, o ministro não antecipou nenhuma medida de prevenção.

Perguntado se o governo estaria estimulando muito o consumo de automóveis e motos e se não haveria gastos em excesso com itens considerados supérfluos, como cosméticos, em vez de maior investimento das famílias em educação, o ministro respondeu que o incremento do consumo de carros é natural pela “falta de estrutura de transporte de massa” e destacou que a elevação de gasto com cosméticos é consequência da maior participação das mulheres no mercado de trabalho.

O ministro admitiu, no entanto, que é necessário melhorar a qualidade do ensino no Brasil. “A escola não vem atendendo com qualidade ao que o mercado de trabalho exige”, criticou antes de ponderar que será necessário aumentar os gastos no sistema educacional público a ponto de absorver um aumento de demanda de 30 milhões de pessoas. “A estrutura de gasto deverá ser proporcional à força de entrada [da população ascendente] na classe média.”

Durante o programa, Moreira Franco rebateu as críticas de especialistas que consideram errado chamar o grupo social emergente de nova classe média. “O critério [de classificação] é renda, de acordo com a realidade brasileira”, disse ao lembrar que apenas 10% da população tem renda familiar per capita acima de R$ 1,7 mil (e 0,3% acima de R$ 10 mil).

O ministro defendeu o critério usado pelo governo, de situar a classe média no intervalo de renda mensal per capita de R$ 291 a R$ 1.019, destacando que ele está “calibrado” com a realidade internacional. “Somente 18% da população mundial vive [com renda] acima de R$ 1.019”, reforçou. Franco destacou que a classe média no Brasil é responsável por deixar R$ 1 trilhão no mercado de consumo – o que pode estimular aumento da produção interna e do emprego.

Para o governo, o principal fator de ascensão social é o aumento da renda, face ao “ganho real” dos salários e a “inflação controlada”. “A classe média não é resultado só das políticas assistenciais. O crescimento [do estrato social] é consequência do aumento da renda do trabalho.”

O ministro elogiou o foco do programa Brasil Carinhoso que irá priorizar o atendimento e o aumento de renda das famílias com crianças. “No Brasil, os mais pobres são as crianças; os idosos são mais ricos”, disse ao explicar que o sistema de proteção social (desenhado desde a Constituição Federal de 1988) ampara melhor os idosos.

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