Porto Velho (RO) sábado, 8 de agosto de 2020
×
Gente de Opinião

Economia - Nacional

Governo deve destinar R$ 200 milhões para apoiar a comercialização do leite



Danilo Macedo
Agência Brasil

Brasília - O governo federal deve anunciar, nos próximos dias, medidas de apoio à comercialização de leite. Segundo o diretor de Geração de Renda e Agregação de Valor do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Arnoldo de Campos, a negociação, já avançada, visa à liberação de cerca de R$ 200 milhões por meio de leilões de Contratos Privados de Opção de Venda (Prop).

Os produtores de leite vêm enfrentando dificuldades porque a produção nacional aumentou muito e houve queda da demanda. O assessor técnico da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Marcelo Costa Martins, disse que o leite e seus derivados são os primeiros produtos a serem cortados quando o trabalhador se encontra em dificuldade. Como o preço da cesta básica vem aumentando mais que o poder de compra, o consumo de leite está diminuindo.

Para assegurar uma renda mínima ao produtor, seria necessário que ele recebesse pelo menos R$ 0,60 por litro, afirmou Martins em audiência pública realizada hoje (4) na Câmara dos Deputados para tratar da crise do setor de lácteos. O deputado Adão Pretto (PT-RS) reclamou, no entanto, que o produtor está recebendo, em algumas regiões do país, bem menos que isso.

"O produtor estava vendendo o litro por até R$ 1 e agora tem região que está pagando R$ 0,25. O consumidor, que estava pagando entre R$ 1,30 a R$ 1,50 pelo leite na embalagem de caixinha, continua pagando o mesmo preço. Não baixou um centavo para o consumidor. Então, para onde está indo isso?", comentou.

A produção nacional de leite, segundo Arnoldo Campos, é de aproximadamente 30 bilhões de litros. Destes, cerca de 28 bilhões são consumidos internamente, 1 bilhão são exportados (depois de transformados em leite em pó) e o restante, mais 1 bilhão de litros, são o excedente, responsáveis pela atual crise no setor, que causa dor de cabeça a produtores e ao governo.

Apesar da sinalização de que o governo vai liberar R$ 200 milhões para operações de Prop, o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) disse que o setor precisa de mais recursos para apoiar a comercialização. "O governo federal poderia implementar os mecanismos de apoio à comercialização, como os Contratos Privados de Opção de Venda (Prop), Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), além dos Empréstimos do Governo Federal (EGF) e Aquisição do Governo Federal (AGF), para salvar um setor típico da agricultura familiar que gera emprego, renda e divisas para o país", afirmou.

O deputado se reúne esta noite com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e pedirá a liberação imediata de R$ 500 milhões para a comercialização do produto na forma de Empréstimos do Governo Federal (EGF). O diretor do MDA, Arnoldo de campos, disse, durante a audiência da Câmara dos Deputados, que "é um momento bastante preocupante e não se tem noção de quanto tempo vão durar essas projeções de queda".


 

Mais Sobre Economia - Nacional

Entre vinhos e lagostas Lewandowski instaura o caos + Não há empregos sem empresas

Entre vinhos e lagostas Lewandowski instaura o caos + Não há empregos sem empresas

Não há empregos sem empresasEm 1985, a inflação no Brasil atingiu o valor de 242,23%. Em 1986, com receio da aceleração descontrolada da inflação, o g

MEI: Quem terá direito ao vale de R$600 e como pedir? + COVID19 no Brasil: cuidados

MEI: Quem terá direito ao vale de R$600 e como pedir? + COVID19 no Brasil: cuidados

COVID19 no Brasil: cuidadosNa tentativa de conter a disseminação do novo Coronavírus (COVID19), diversos países do mundo reforçaram suas medidas de is

Corte de recursos do Sistema S pode causar fechamento de unidades e demissão de dez mil

Corte de recursos do Sistema S pode causar fechamento de unidades e demissão de dez mil

Um documento enviado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aos governadores brasileiros revela que o corte de 50%

Empresas não prestaram informações sobre admissões e demissões referentes a janeiro e fevereiro

Empresas não prestaram informações sobre admissões e demissões referentes a janeiro e fevereiro

A Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia informa que identificou a falta de prestação das informações sobre admissões