Porto Velho (RO) quinta-feira, 2 de abril de 2020
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Economia - Nacional

Economistas prevêem menor consumo de energia pela indústria



Alana Gandra
Agência Brasil


Rio de Janeiro - A blindagem do setor elétrico diante da crise financeira internacional está garantida porque vai sobrar energia na área industrial, conforme avaliou o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ), Nivalde de Castro, em entrevista à Agência Brasil.

Em estudo feito pelo grupo, a conclusão é de que, com a paralisação parcial de atividades da indústria, o consumo de energia do setor vai começar a cair, por causa da desaceleração da atividade econômica.

O primeiro movimento de redução do consumo de energia foi observado nas indústrias que produzem bens  intermediários, como alumínio, zinco e níquel, chamados produtos eletro-intensivos,  destinados à exportação.

Como a queda da demanda nos Estados Unidos, e mais recentemente na Europa e Japão, foi muito abrupta, Castro disse que a produção desses bens foi paralisada e as indústrias ficaram com energia sobrando. O efeito foi positivo para “desestressar” o mercado livre, onde essas indústrias consomem energia elétrica.

O resultado foi uma queda no preço dos contratos de compra de energia no mercado livre, que passou, em uma semana, de R$ 200,00 o megawatt/hora (MW/h) para R$ 130,00 o MW/h, em função da retração da demanda.

Para os consumidores do mercado cativo, ele disse que a demanda cai  menos rapidamente do que no setor industrial. E como esse mercado tem um mecanismo de ajuste bem formulado, Castro acredita que “o máximo que vai acontecer é a lucratividade das empresas distribuidoras diminuir de 2008 para 2009, porque elas vão vender menos energia”.

Já para os consumidores residenciais, a tendência da tarifa, segundo o economista, é subir, porque dois componentes da tarifa de energia elétrica do mercado cativo são vinculados à taxa de câmbio. Um deles é a energia comprada da usina de Itaipu em dólar. E, a cada aumento da moeda norte-americana, o consumidor acaba pagando mais reais para o mesmo consumo de energia elétrica.

O segundo componente é que uma parcela da estrutura tarifária das distribuidoras é indexada ao Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), cuja tendência é capturar a valorização do dólar.

Castro alertou, entretanto, que uma terceira variável pode ajudar a diminuir o preço da tarifa residencial. É a utilização das usinas termelétricas movidas a óleo e a gás, da qual ainda não se tem uma estimativa, porque seu uso depende das chuvas que cairão no país em dezembro, estendendo-se até abril do próximo ano.

“Se a demanda cair, conseqüentemente, eu não vou ter que despachar tantas usinas. E as primeiras que eu deixo de despachar são as usinas térmicas mais caras. Então, eu vou ter um componente de diminuição de tarifa pelo pagamento desse encargo de segurança do sistema, que é de onde sai o pagamento do despacho dessas usinas para manter o nível de reservatórios”, informou o economista.

O Gesel/UFRJ realiza na próxima segunda-feira (8), no Rio de Janeiro, o Fórum Perspectivas do Setor Elétrico Brasileiro 2009. O evento reunirá especialistas para debater os impactos da crise  internacional e seus desdobramentos sobre o setor elétrico.

 

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