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Economia - Nacional

Divisão do Copom sinaliza corte maior dos juros


Agência O Globo SÃO PAULO - BRASÍLIA (Reuters) - Três diretores do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, reunidos na última semana, defenderam que a contribuição das importações para o controle da inflação poderá ser maior do que a inicialmente contemplada. Com base nisso, defenderam um corte de 0,5 ponto percentual da Selic. As importações ajudam a manter reduzida a taxa de inflação ao abastecerem o mercado com produtos que competem com os nacionais. Diante da concorrência - favorecida pelo dólar baixo, que deixa os preços dos importados mais atraentes - os fabricantes brasileiros pensam duas vezes antes de aumentar os preços. Outros quatro diretores do Copom, contudo, avaliaram que o cenário macroeconômico de crescimento robusto da demanda e da atividade, aliado às incertezas do impacto dos recentes cortes do juro, justificariam a manutenção do ritmo de corte de 0,25 ponto. Por serem maioria, estes últimos venceram a votação e a taxa básica de juros do país, a Selic, foi reduzida para 12,5% ao ano. As avaliações constam da ata da última reunião do Copom divulgada nesta quinta-feira. O mercado financeiro interpretou a divisão do placar como um sinal de que o BC poderia acelerar o ritmo de corte no juro nas próximas reuniões. A ata da reunião, assim como os documentos de encontros anteriores, enumera razões favoráveis e contrárias a uma alteração no ritmo de flexibilização da política monetária. Desta vez, a ata diz que o cenário internacional permanece positivo, apesar das "incertezas quanto ao desempenho da economia norte-americana". Por outro lado, nota que "pressões de preços, a princípio isoladas e transitórias", inclusive em setores onde não há concorrência com importados, "atingem a economia em um momento em que a demanda doméstica se expande a taxas robustas", o que justificaria a "parcimônia" na redução dos juros.Eles também voltaram a frisar que parte importante dos cortes de juros promovidos nos últimos meses ainda não se refletiu no nível de atividade. Os diretores informaram, ainda, que a projeção do BC para o IPCA em 2007, com base em cenário que leva em conta taxas de câmbio e de juros estáveis, sofreu ligeira elevação, mas permanece abaixo da meta de 4,5%. Preços administrados, energia e telefone O conjunto dos preços administrados por contrato deve subir 4,2% em 2007, prevê o Copom. O percentual é ligeiramente inferior à estimativa apresentada nas reuniões de janeiro e março, de 4,5%. Os itens administrados tiveram peso total de 30,99% no IPCA de março. O Copom também reduziu a previsão de reajuste do conjunto de itens administrados e por contrato em 2008, de 5,6% para 5,2%. Esta projeção leva em conta, entre outros fatores, componentes sazonais, variações cambiais e inflação. O Copom também reduziu sua projeção para o reajuste das tarifas residenciais de eletricidade em 2007. A estimativa passou dos 3,3% considerados em março para 2,2% na avaliação feita em abril. Para a tarifa de telefonia fixa, a estimativa também caiu. Passou do aumento de 3,9% previsto desde janeiro para uma expectativa de reajuste de 3,4% neste ano. Gasolina sem aumento Copom conservou a projeção, apresentada desde janeiro, de aumento zero para a gasolina e o gás de cozinha em 2007. O grupo mantém a previsão mesmo admitindo a continuidade das incertezas quanto à trajetória dos preços do petróleo no mercado internacional. A ata menciona que as cotações "seguem mostrando alta volatilidade" e subiram desde a reunião passada do Copom, no começo de março. Para os diretores do BC, trata-se de uma "tendência altista no curto prazo", ligada a "episódios de incerteza geopolítica" (como a violência na Nigéria e os atritos entre Irã e ocidente). "A despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória futura dos preços do petróleo, permanece plausível o cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2007", diz a ata da reunião de abril.

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