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Economia - Nacional

CUT rechaça 'oportunismo' e defende garantia de empregos contra crise



Vinicius Konchinski
Agência Brasil

O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, reconheceu hoje (19) as dificuldades que a crise trouxe a alguns setores da economia brasileira, mas criticou alguns empresários que, segundo ele, têm sido oportunistas ao tratar do tema. Henrique disse que algumas empresas que anunciaram cortes de emprego foram beneficiadas por ações do governo, tiveram grandes lucros e, por isso, têm a obrigação de garantir o posto de trabalho aos seus funcionários.

"O impacto da crise é diferente em diversos setores", disse Henrique, em entrevista coletiva. "Você tem os setores prejudicados, como o exportador, e outros que estão se aproveitando da crise para apresentar propostas de redução de trabalho e renda."

De acordo com Henrique, resultados obtidos por bancos, grandes montadoras, companhias do setor de energia elétrica e do setor de mineração demonstram que esses segmentos têm condições de manter seus postos de trabalho. Contudo, algumas dessas empresas anunciaram que pretendem demitir "porque devem crescer menos em 2009". "Não estamos nem falando de redução na produção, só em crescer menos do que no ano passado", complementou.

"Uma montadora do Paraná diz que vai crescer dois pontos percentuais a menos e chamaram os trabalhadores para negociar", exemplificou o sindicalista. "Querem cortar a jornada de trabalho com corte no salário do trabalhador. Isso não vamos aceitar."

Segundo o presidente da CUT, as empresas têm alternativas que podem ser usadas antes da suspensão de contratos de trabalho ou da dispensa de funcionários por causa da crise. Ele citou como exemplo as férias coletivas, o corte de horas-extras e até mesmo folgas que depois podem ser compensadas.

Para ele, a suspensão do contrato ou a demissão reduziriam a renda da população, o consumo e, por conseqüência, a produção - o que agravaria ainda mais a situação das empresas já prejudicadas. "Isso [demissão] deveria ser a última medida e não a primeira, como tem sido proposto."

Henrique disse ainda que vai aproveitar a reunião marcada para hoje (19) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir que todas as empresas beneficiadas por redução de tributos ou empréstimos de bancos públicos garantam a manutenção dos postos de trabalho.

"É necessário ter contrapartidas das empresas beneficiadas tanto por empréstimos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], Banco do Brasil e Caixa como na utilização de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador [FAT]. E a contrapartida é a garantia do emprego", defendeu.


 

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