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Economia - Nacional

Construtoras a preço de cafezinho - Ações da Camargo e Gafisa caem mais de 60%


 
Papéis têm desvalorização superior a 80% e os especialistas não veem sinais de recuperação no curto prazo


Mariana Segala - AE

O preço das ações de construtoras listadas na Bolsa de Valores de São Paulo caiu tanto que, com R$ 2, valor de um cafezinho, é possível comprar papéis de pelo menos oito delas. Com R$ 4, pouco mais que um capuccino, entram na escolha ações de outras cinco empresas. E, com R$ 10, compra-se papéis das demais empresas do setor. Os investidores, no entanto, não devem se empolgar com os preços reduzidos.

No intervalo entre R$ 1,02 e R$ 10,08 (a preços de fechamento em 13 de março) se concentram as ações das 18 construtoras e incorporadoras com mais liquidez na Bovespa (média de R$ 100 mil negociados por dia). Esses preços são surpreendentes se comparados aos valores de lançamento em 2006 e 2007, quando das ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês). Atualmente a mais barata, a ação da Klabin Segall (ON) foi lançada por R$ 15. Os papéis da Abyara (ON), que hoje valem R$ 1,67, saíram por R$ 25 e os da Brascan Residencial (ON), lançados por R$ 16, custam hoje R$ 1,87.

“As construtoras eram empresas que embutiam expectativa de entrega de resultados elevados”, explica o chefe de análise da corretora Link, Andrés Kikuchi. Antes da crise, as boas perspectivas para a economia e o elevado déficit habitacional projetavam crescimento forte para o setor. Com a redução do crédito, seja para a incorporação dos imóveis seja para a venda final, e a piora da economia, as vendas caíram e os resultados das empresas pioraram.

No caso mais dramático, as ações da Klabin Segall recuaram 87,6% desde setembro, enquanto os papéis da Agra Incorporadora (ON) acumulam uma queda de 83,6%. Elas são seguidas por JHSF Participações (ON), com baixa de 75,4%, Abyara (-71,5%), MRV (-70,7%) e Brascan (-70,1%). Com queda superior a 60% estão os papéis da Rossi, Cyrela, Even, Gafisa, Tenda e Camargo Correa. As que menos perderam foram as ações da EZTec (ON) com desvalorização de 30,9%.

A partir desta semana, saem os balanços referentes ao quarto trimestre da maioria das empresas do setor. Mas, para a equipe de análise da corretora Planner, a divulgação não alterará o preço das ações das companhias, porque as prévias operacionais, divulgadas entre janeiro e fevereiro, ajudaram a empurrar as cotações para baixo. “As construtoras que divulgaram prévias mostraram que seguraram os lançamentos no último trimestre. Além disso, as vendas tiveram forte retração”, explica a Planner.

Ainda pode piorar

“O número de imóveis à venda é grande e a velocidade de venda diminuiu muito”, ressalta Kikuchi. Ele citou, como exemplo, o caso da Cyrela que tinha, no quarto trimestre de 2008, um estoque de imóveis para negociar equivalente a 6,3 vezes o total de suas vendas no mesmo período. Ou seja, mantido o ritmo de vendas e sem lançamentos, a construtora precisa de 19 meses para zerar o estoque. A Rossi precisa de 21 meses e a EZTec, de quase dois anos.

 “As empresas estão mal, mas nada impede que fiquem pior”, diz a analista de renda variável da gestora Global Equity, Mariana Gonçalves. De acordo com ela, quem manteve os papéis deve segurá-los mais um pouco. “Temos uma chance de queda mais forte dos juros, o que melhora a oferta de crédito e a perspectiva para as construtoras”, explica. Para quem não investiu, o melhor é esperar. “Todo mundo quer comprá-las no fundo do poço, mas é impossível saber se ele já chegou”, afirma a analista, alertando ainda que, quando a economia melhorar, o setor da construção não será o primeiro a decolar.

“Para entrar em financiamentos longos, as pessoas tendem a esperar a estabilidade do emprego e do mercado. Os bancos sobem primeiro”, aposta Mariana. A equipe da Planner acredita que a virada do setor da construção dependerá de três fatores: medidas para estimular a confiança do consumidor, redução da taxa de juros e ampliação das linhas de crédito para a habitação.

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