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Economia - Nacional

Com agravamento da crise, mercado espera redução da Selic


Kelly Oliveira
Agência Brasil

Brasília – O agravamento da crise externa e, por consequência, a perspectiva de menor crescimento econômico deve levar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) a reduzir mais uma vez a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual, no próximo dia 18. A expectativa é de economistas e analistas do mercado financeiro. Atualmente, a Selic está em 11% ao ano.

Em dezembro, ao divulgar o Relatório de Inflação, o BC indicou que a queda da taxa Selic, para reaquecer a economia neste ano, leva ao risco de maior inflação em 2013. No cenário de mercado, em que são consideradas as expectativas do mercado financeiro para o comportamento do câmbio e a variação da taxa Selic, a inflação deve ficar mais distante do centro da meta em 2013. Hoje, esse parâmetro está em 4,5%. A previsão do mercado é que a inflação fique em 4,8%, em 2012, e 5,3%, em 2013. Em 2011, a inflação ficou no limite superior da meta (6,5%).

Na avaliação da professora de economia da Universidade de São Paulo (USP) Leda Paulani, a atual diretoria do BC tem “uma postura um pouco diferente do que estávamos acostumados”. “Essa equipe é um pouco mais preocupada com a questão do crescimento econômico”, ressalta.

Leda considera que está havendo uma pequena alta nos índices de inflação, mas dentro de “um padrão normal”. Por isso, para ela, é importante estimular a economia com corte de juros, em momento de agravamento da crise econômica externa. “A situação externa não vai se resolver no curto prazo. São problemas estruturais das economias da Europa”, acrescenta.

O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Oliveira, também avalia que o governo está atualmente mais preocupado com o estímulo ao crescimento econômico, do que com a possibilidade de alguma alta dos preços. “Mas isso não quer dizer que o Banco Central vá descuidar da inflação. A própria desaceleração econômica contribui para que a inflação não dispare”, analisa.

Oliveira disse ainda que se o governo deixasse a economia sem estímulos, haveria aumento do desemprego e da inadimplência. Ele acredita que, de agora em diante, o consumidor contará com taxa de juros cada vez menores, por influência da queda da Selic, mas terá que lidar com uma inflação um pouco mais alta.

De acordo com a pesquisa Focus, feita pelo BC com analistas do mercado financeiro, a expectativa para a primeira reunião do ano do Copom é de mais uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros. A pesquisa, divulgada na semana passada, mostra que, para o fim de 2012, a expectativa é que a Selic fique em 9,5% ao ano. Para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2012, a estimativa é de 5,31%, com crescimento da economia de 3,3%.

Com expectativa de inflação maior em 2013 do que neste ano, o banco Itaú acredita que “o BC optará por cortar mais os juros no curto prazo para garantir a retomada da atividade e, em 2013, elevará a Selic até 11,50% para reequilibrar a economia”. Para este ano, a expectativa do banco é que a Selic seja reduzida a até 9%, com quatro quedas consecutivas de 0,5 ponto percentual.

Mas o banco pondera que há sinalizações de mais cautela do BC e a possibilidade de que outros instrumentos sejam usados para estimular o crescimento econômico, o que pode levar a um ciclo mais curto de redução dos juros básicos. A instituição financeira espera por crescimento econômico de 3,5% e inflação de 5,2%, em 2012. “A elevação substancial do salário mínimo e a redução temporária do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] para bens duráveis vão contribuir para o crescimento no primeiro trimestre. Mais adiante, o efeito dos juros menores e gastos públicos em alta ganharão tração, levando a economia a um pico de crescimento no segundo semestre”, avalia o banco, em relatório.

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