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Economia - Nacional

Com 80% das pastagens queimadas pela geada, preço da carne de boi deverá disparar



A geada registrada no início da última semana castigou 80% das pastagens de Bauru e região e, como consequência, o preço da carne deverá subir nos próximos meses. Mas, até lá, o consumidor deverá pagar menos para levar o produto para casa. Este efeito gangorra é resultado direto da falta de capim para alimentar o rebanho. Sob a perspectiva de emagrecerem rapidamente, os bois que deveriam permanecer na engorda até meados de agosto deverão ser comercializados a partir de agora. Como consequência da maior oferta de carne no mercado, o consumidor deverá ser beneficiado com preços mais baixos.

Porém, dentro de dois ou três meses, a situação inversa deve se impor. "Com certeza o preço voltará a subir, porque faltará boi para abate. Praticamente, só vai restar o gado confinado (alimentado com ração), que na nossa região não passa de 10% do total", diz o presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde.

De acordo com ele, a pastagem "queimada" pela geada, à medida em que for secando, se tornará mais propícia à ocorrência de incêndios, o que preocupa ainda mais os pecuaristas e reforça a pressa em vender o quanto antes a criação. "O produtor poderia comprar ração para alimentar esse gado até agosto, mas é um investimento inviável porque a ração, feita a base de soja e milho, entre outros grãos, está muito cara", detalha.

Atualmente, a arroba do boi gordo é comercializada a R$ 95,00. Segundo Lima Verde, não é possível prever a que valor poderá chegar entre outubro e novembro próximos. "Seria um exercício de adivinhação. Mas certamente teremos uma leve redução de preços agora e, depois, uma grande elevação", resume. Consultadas pela reportagem, empresas frigoríficas informaram que ainda não estão pagando mais caro pelo boi gordo, mas avaliam que os reflexos negativos já devem ser sentidos dentro dos próximos 15 dias.

O mesmo deve ocorrer com a indústria de laticínios, que deve sofrer com a escassez de leite no período, já que as vacas, sem alimento, reduzem a produção em 80% em poucos dias. "Mas, como a indústria conta com fornecedores de diversas regiões, pode ser que o preço para o consumidor final não seja alterado mais do que o normal para esta época de seca", acrescenta o titular da Secretaria Municipal da Agricultura e Abastecimento (Sagra), José Carlos Zito Garcia.

(Fonte: De olho no tempo - Meteorologia)
 

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