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Economia - Nacional

Atividade industrial cresceu menos em 2006


Luciana Rodrigues - Agência O GloboRIO - As indústrias brasileiras reduziram o ritmo de aumento da produção no ano passado, crescendo 2,8%, contra 3,1% em 2005. No entanto, a qualidade da expansão de 2006 superou a do ano anterior. A avaliação é da gerente de análises e estatísticas derivadas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Isabella Nunes.Ela lembra que, enquanto em 2005 menos da metade dos produtos investigados pelo IBGE (49,7%) tiveram alta na produção, em 2006 esse total chegou a 54,6%.Isabella destaca que, no ano passado, o crescimento industrial foi liderado pelo setor de bens duráveis, o que indica uma reação positiva do mercado interno graças ao aumento da massa salarial, à estabilidade do mercado de trabalho, ao controle da inflação e à maior oferta de crédito.- A indústria também foi impulsionada pelos bens de capital, que são indicadores próximos aos dos investimentos. Isso significa que o crescimento será incorporado na sua capacidade produtiva - disse.Isoladamente em dezembro, o setor de bens de capital cresceu 5,4% frente novembro (com ajuste sazonal). Esta foi a maior taxa de expansão desde julho de 2005. Nos últimos dois meses de 2006, esse segmento acumulou alta de 7,1%.Entre outubro e dezembro, o setor de bens de capital foi o que teve a melhor performance: alta de 7,7% frente igual período de 2005. Quando avaliado o setor de bens de capital exclusivamente voltado para a indústria, a alta registrada é de 15,9%.Os bens de capital para uso misto tiveram alta de produção de 16,9% no ultimo trimestre. O destaque desta categoria foram os equipamentos de informática.No resultado acumulado de 2006, a maior expansão de bens de capital foi naqueles setores voltados para energia, com alta de 22,2%. O destaque foi para os transformadores, cuja produção foi influenciada pelo programa "Luz para Todos" do governo federal.Expansão supera dados registrados na era FH Os dados do IBGE mostram que a indústria teve uma expansão maior dos quatro anos do governo Lula - considerando a média anual - que nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso.Entre 2003 e 2006, a indústria brasileira acumulou um crescimento de 14,9%, com uma taxa média anual de 3,5%. O resultado supera os 2,5% anuais médios alcançados durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso e também fica acima do 1,3% anual de seus primeiros quatro anos de gestão.No ano, informática se destaca Com peso de apenas 0,8% no setor industrial, o segmento de máquinas, escritórios e equipamentos de informática foi o que exerceu a maior influência positiva no resultado da indústria em 2006.A produção do setor cresceu nada menos do que 51,6% depois de ter aumentado 17,6% em 2005.Segundo Isabella Nunes, a venda de computadores, monitores e equipamentos de informática foi alavancada pelo programa do governo "Computador para todos" que ofereceu linhas de crédito mais vantajosas e isenção fiscal para a compra do produto.Além disso, o dólar baixo barateou o preço dos computadores nos últimos dois anos. O Câmbio, porém, foi o vilão de alguns segumentos da indústria em 2006.Em dezembro, a produção de materiais elétricos e de comunicações, por exemplo, recuou 4,4% frente a novembro na série com ajuste sazonal devido, principalmente, às férias coletivas dos fabricantes de celulares.A produção de celulares perdeu um pouco do ímpeto exportador, explicou Isabella.O segmento de bens de consumo duráveis perdeu fôlego ao longo de 2006. No último trimestre do ano, ele ficou estável depois de ter caído 1,6% tanto no segundo quanto no terceiro trimestre.Além de celulares, automóveis também reduziram suas exportações. E os equipamentos eletrônicos sofreram a concorrência dos importados.- O câmbio afeta o setor de bens de consumo duráveis porque este perde competitividade nas exportações e se ressente com a concorrência dos importados.A redução no ritmo do crescimento industrial segue outros indicadores já divulgados pelo IBGE.Segundo a opinião de analistas de mercado reunidas no primeiro boletim Focus, do Banco Central, divulgado em janeiro, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto para 2006 (soma de todas as atividades do país) é de 2,73%.Nesta segunda-feira, o Focus divulgou sua projeção para 2007, de expansão de 3,5%.Já a inflação de 2006, medida também pelo IBGE, ficou em 3,14% - abaixo da meta do governo, de 4,5%.

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