Porto Velho (RO) domingo, 5 de abril de 2020
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Economia - Nacional

Análise: BC ignora a crise e compra US$ 3,3 bilhões


Agência O Globo SÃO PAULO - O Banco Central (BC) não interrompe suas compras de dólares no mercado interno apesar da persistência da tormenta internacional. Do dia 27 de fevereiro, quando a bolsa de Xangai caiu 8,8% desencadeando movimento geral de correção de preços de ativos, até ontem o BC adquiriu, segundo estimativas de operadores, cerca de US$ 3,3 bilhões. Na crise de liquidez anterior a atual, ocorrida em maio do ano passado, o BC rapidamente suspendeu seus leilões de compra. Ele continuou adquirindo dólares nos quatro pregões após a deflagração da crise, em 10 de maio de 2006. Depois parou. O cenário agora parece bem diverso. O dólar não está dando saltos, sempre que a moeda ameaça subir muito aparecem exportadores interessados em fechar contratos e o desarme das posições vendidas em dólar de investidores estrangeiros não revela nenhum pânico. Quando o dólar atingiu ontem a cotação de R$ 2,15, surgiram exportadores dispostos a vender. Se a turbulência é sentida como pesada e duradoura, a tendência é de eles reterem seus contratos à espera de preços mais elevados. Depois da entrada dos exportadores, a moeda cedeu, mesmo assim o BC pagou R$ 2,1405 para retirar do sistema US$ 380 milhões, sinal de que quer o dólar em patamar elevado. " O BC está aproveitando a turbulência para puxar o dólar para cima " , diz o corretor Sidnei Nehme, da NGO Câmbio. E a moeda fechou cotada a R$ 2,1360, em leve avanço de 0,14%. Se o BC faz questão de deixar claro que deseja um dólar mais alto é porque não teme os efeitos da depreciação cambial sobre a inflação. A atitude coerente com esse despreocupado posicionamento cambial será o aumento da dose de corte da taxa Selic pelo Copom. Mas a opção essencial é pelo conservadorismo, não pela coerência. O próprio mercado não acredita que a saída dos hedge funds das posições montadas a partir de empréstimos em iene não provocará crise cambial. Segundo o boletim Focus divulgado ontem, as cem instituições pesquisadas pelo BC reduziram, na mediana, sua projeção de dólar no fim do ano de R$ 2,15 para R$ 2,14. Os fundos externos " vendidos " em dólar futuro na BM e F diminuem sua exposição mas sem correria. Ela caiu de US$ 2,643 bilhões no último dia de fevereiro para US# 1,15 bilhão na sexta-feira. Também no quesito relativo às expectativas de inflação, o Focus da semana passada, já elaborado no calor da tempestade que se abateu globalmente desde a China, ignora completamente a possibilidade de crise. A projeção de IPCA para o acumulado de 2007 cedeu de 3,91% para 3,88%. E o prognóstico para o índice 12 meses à frente, na sexta queda consecutiva, recuou de 3,82% para 3,78%. Mas os sinais de que o Brasil continuará pagando os maiores juros reais do mundo (um pouco acima de 8%) não impedem o crescimento dos " comprados " em juros futuros. Com exceção do contrato mais curto, para abril, que recuou 0,01 ponto, a 12,61%, os demais subiram. O CDI previsto para a virada do ano avançou 0,03 ponto, a 12,14%. (Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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