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Economia - Nacional

Análise: BC compra US$ 51 bilhões, mas dólar cai 5,6%


Agência O Globo SÃO PAULO - Com a compra de US$ 1,3 bilhão realizada ontem, já passam levemente de US$ 40 bilhões as aquisições de moeda americana feitas pelo Banco Central diretamente no mercado de câmbio à vista apenas este ano. Os leilões do BC já retiraram de janeiro até ontem mais do que tudo o que foi comprado ao longo de 2006, cerca de US$ 35 bilhões. Por meio dos seus swaps reversos, o BC comprou no mercado futuro de dólar cerca de US$ 11 bilhões, ante US$ 7 bilhões em todo o ano passado. Ou seja, do início do ano até ontem, o BC enxugou do mercado nada menos que US$ 51 bilhões. Qual o efeito sobre a cotação do dólar? A moeda americana desvalorizou-se no período 5,57%, caiu de R$ 2,1370 no último pregão de 2006 para R$ 2,0180 ontem, a menor cotação em seis anos. As pesadíssimas e custosas intervenções cambiais do BC apenas evitam que o dólar afunde para patamar entre R$ 1,60 e R$ 1,80. As compras de dólares não são encaradas como punição pelo mercado. Na verdade, elas atuam como contraparte essencial para viabilizar o jogo especulativo. As compras à vista fornecem liquidez a quem quer participar da festa ou ampliar o seu cacife. O player não pode entrar se o dólar estiver em patamar muito baixo. Caso contrário, o risco de a variação cambial futura ser maior que a remuneração da Selic será desencorajador. Os swaps reversos merecem acolhida calorosa por parte dos bancos. Eles permitem a aplicação pós-indexada à Selic, título cada vez mais sonegado pelo Tesouro Nacional. Quanto mais o BC intensifica suas intervenções cambiais, mais os investidores estrangeiros ampliam suas posições vendidas carregadas no mercado futuro de dólar da BM & F. Segundo levantamento do economista Luiz Rogê Ferreira, chefe do departamento de análises da CMA, só do final de abril até terça-feira passada o BC vendeu o equivalente a US$ 4,6 bilhões em swaps reversos. No mesmo período, o capital externo aumentou suas posições vendidas em dólar futuro em US$ 4,5 bilhões. As ações cambiais do BC são completamente inócuas em estancar a queda do dólar, apenas ajustam a velocidade declinante aos interesses dos especuladores. Se o dólar estivesse caindo apenas como resultado do ingresso de moeda física procedente da balança comercial e do saldo financeiro, a tarefa de frear a queda ou mesmo impor uma alta seria das mais fáceis ao BC. Mas ele comprou a totalidade dos dólares físicos que entraram no país durante o ano e a cotação persistiu em queda. O motivo é que o dólar recua à vista por indução das quedas impostas ao dólar futuro pelo capital estrangeiro. É por esta razão que não adianta nada impor controles de capitais, via impostos, ao ingresso de dólares físicos. E não há como controlar os dólares virtuais que derrubam o preço da moeda no futuro. Só existe uma maneira de o BC inverter o rumo de queda do dólar futuro: derrubar a taxa Selic. O juro básico caiu 7,25 pontos de setembro de 2005 até a última reunião do Copom. Durante esse ciclo de afrouxamento, a Selic tombou de 19,75% para 12,50%. Essa queda é utilizada por economistas como argumento à sua tese de que não é o juro alto o responsável pela sobrevalorização cambial. Fazem o raciocínio de que a persistência da queda do dólar a despeito do afrouxamento isenta a Selic de culpa. Não é isso. O fato é que, apesar do tombo nominal, a Selic ainda paga o maior juro real do mundo, de 7,5%, e o seu declínio é muito lento. Para dissuadir completamente o ingresso de capital externo especulativo, a taxa precisaria cair de uma vez só para a faixa entre 6% e 7%, segundo calcula o professor-emérito da USP, Delfim Netto. Isso não acontecerá no governo Lula. O contrato de CDI futuro com vencimento em 2010 projeta taxa de 10,47%. Os hedge funds ainda tem um horizonte confortável pela frente, só que, a cada reunião do Copom, a prodigalidade diminuiu um pouco mais, por isso não há tempo a perder.Fed não evita euforia - Não há a mínima possibilidade de o Federal Reserve (Fed) exercer este ano uma ação destinada a contrair a fantástica liquidez mundial. Embora o comunicado expedido ontem após a reunião que decidiu manter em 5,25% o juro básico americano ter decepcionado os mercados - esperava-se um tom mais brando, mas o Fed manteve a sua preocupação central nos riscos inflacionários -, os fechamentos foram eufóricos. O Ibovespa, no 17º recorde de alta do ano, a 51.300 pontos, subiu 2,03%, o dólar caiu 0,24%, cotado a R$ 2,0180, o risco-país recuou 1,94%, para 152 pontos-base, e o CDI para a virada do ano caiu 0,02 ponto, para 11,48%. (Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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