Porto Velho (RO) sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
×
Gente de Opinião

Cultura

VIDA DE APOENA É PAIXÃO AMAZÔNICA


Livro que narra parte da história do sertanista está à venda na internet. Ele viveu em Rondônia e Mato Grosso
AGÊNCIA AMAZÔNIA
contato@agenciaamazonia.com.br
BRASÍLIA — O homem que enxerga longe, livro de Lilian Newlands narrando a vida do sertanista Apoena Meireles, já está à venda na internet. Entre as décadas de 80 e 90, Apoena, filho do lendário sertanista Chico Meireles, chefiou a 8ª Delegacia da Fundação Nacional do Índio em Porto Velho (RO), foi superintendente em Cuiabá (MT), e presidente do órgão.
A autora contou com a colaboração de Aguinaldo Araújo Ramos. "Paixão, humor, intriga, tragédia e política, tudo temperado com muita aventura e atualidade", promete Lilian.
Não se trata de ficção. O livro reúne as memórias do sertanista Apoena Meirelles, morto com três tiros de revólver, aos 55 anos, em 9 de outubro de 2004, quando saía de um caixa eletrônico do Banco do Brasil, em Porto Velho, capital de Rondônia. O assassino de Apoena tinha 18 anos quando praticou o crime. Está solto em Porto Velho.
As memórias foram escritas na primeira pessoa por ele e sua mulher, a antropóloga Denise Maldi, morta em 1996, vítima de câncer. Na década de 80, Denise escreveu também Guardiães da fronteira, contando a história de índios de Rondônia e Mato Grosso, do Vale do Guaporé, região fronteiriça à Bolívia.
Personagens da selva
Segundo Lilian, muito antes do termo desenvolvimento sustentável tornar-se moda, o personagem central desse livro já defendia uma harmonia entre quem vive na floresta e a atividade econômica — respeitando-se a demarcação das terras indígenas — e fiscalização séria e constante para que os índios não entregassem suas riquezas a preço de banana. Antes de morrer, há quase três anos, Apoena era o principal interlocutor dos índios nas negociações entre a Funai, Polícia Federal e o Governo de Rondônia, para a exploração de diamantes na reserva dos índios Cinta-larga, na região do Roosevelt, entre aquele Estado e o vizinho Mato Grosso.
Possidônio e Ari Daltoé
O livro lembra também do jornalista Possidônio Bastos, que na década de 60 chefiou em Brasília a sucursal de O Globo, foi para a selva do Roosevelt e do Aripuanã, entrevistou Apoena e se apaixonou pela profissão de sertanista. Morreu a flechadas pelos Cinta-larga a quem tanto amava. Apoena, o homem que enxerga longe também traz outras narrativas de amigos dele e cujas mortes também foram trágicas. O piloto Ari Daltoé, por exemplo, que lembrava o príncipe loiro de Saint-Exupéry, caiu com o seu bimotor em 1981. O sertanista José do Carmo Santana, o Zé Bell, que acompanhou Apoena e Denise até em parte da viagem de lua-de-mel do casal, morreu em conseqüência de choque hipovolêmico por conta de um tiro que levou, acidentalmente, em 1982.
Todos esses e outros personagens aparecem no livro também de forma bem-humorada, incluindo-se nesse contexto algumas tribos ou atitudes pessoais de alguns índios.O capítulo escrito por Denise Maldi sobre o mito que existia sobre os Kren-akarore, que seriam povos gigantes, é um bom exemplo.
A resistência dos Paaka-Novas aos missionários que tentavam catequizá-los e fazê-los acreditar nos santos do cristianismo, é outro. Nem os Kren-akarore eram gigantes, como rezava a lenda, nem os Paaka-Novas deixaram de adorar seus próprios deuses. Sem contar o suruíPipira, um índio que não sabia remar.
A política marca presença na parte destinada a Apoena Meirelles, toda documentada. De delegado regional, Apoena chegou a presidente da Funai, na Nova República. Ficou no cargo apenas sete meses. Defendia a descentralização do órgão, mostrava a dificuldade que a burocracia criava aos índios e tantos outros problemas que afligiam a região, envolvendo conflitos que acabavam em mortes de ambos os lados.
Para adquirir o livro: carmo9livraria@yahoo.com.
Fonte: Agência Amazônia - Parceira do Gentedeopinião

Mais Sobre Cultura

Marchinha de Waldison Pinheiro representará Porto Velho no concurso regional em Manaus

Marchinha de Waldison Pinheiro representará Porto Velho no concurso regional em Manaus

Marchinha de Porto Velho é classificada no Rede Folia“...Quem foi que disse /Que pode descer a lenha /Nem venha, nem venha / De agora em diante tem a

 “LAS CABAÇAS LEVAM O ESPETÁCULO “O DIA DA CAÇA”  A VÁRIAS CIDADES DA REGIÃO AMAZÔNICA”

“LAS CABAÇAS LEVAM O ESPETÁCULO “O DIA DA CAÇA” A VÁRIAS CIDADES DA REGIÃO AMAZÔNICA”

O espetáculo “O Dia da Caça” é fruto do encontro artístico entre Las Cabaças e os também palhaços Esio Magalhães e Lily Curcio. Foi contemplado pelo

Feijoada pré-carnaval da Banda do Vai Quem Quer acontece dia 23 de fevereiro

Feijoada pré-carnaval da Banda do Vai Quem Quer acontece dia 23 de fevereiro

Para aquecer os foliões, a Banda do Vai Quem Quer realizará no próximo dia 23 de fevereiro, sábado, a primeira edição da sua “Feijoada Pré-Carnavale

Veja os selecionados para o 1° Madeira - Festival de Teatro de Rondônia

Veja os selecionados para o 1° Madeira - Festival de Teatro de Rondônia

O 1°  Madeira - Festival de Teatro de Rondônia acontecerá entre os dias 13 e 17 de março no Teatro Guaporé em Porto Velho e terá todas as aprese