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VIDA DE APOENA É PAIXÃO AMAZÔNICA


Livro que narra parte da história do sertanista está à venda na internet. Ele viveu em Rondônia e Mato Grosso
AGÊNCIA AMAZÔNIA
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BRASÍLIA — O homem que enxerga longe, livro de Lilian Newlands narrando a vida do sertanista Apoena Meireles, já está à venda na internet. Entre as décadas de 80 e 90, Apoena, filho do lendário sertanista Chico Meireles, chefiou a 8ª Delegacia da Fundação Nacional do Índio em Porto Velho (RO), foi superintendente em Cuiabá (MT), e presidente do órgão.
A autora contou com a colaboração de Aguinaldo Araújo Ramos. "Paixão, humor, intriga, tragédia e política, tudo temperado com muita aventura e atualidade", promete Lilian.
Não se trata de ficção. O livro reúne as memórias do sertanista Apoena Meirelles, morto com três tiros de revólver, aos 55 anos, em 9 de outubro de 2004, quando saía de um caixa eletrônico do Banco do Brasil, em Porto Velho, capital de Rondônia. O assassino de Apoena tinha 18 anos quando praticou o crime. Está solto em Porto Velho.
As memórias foram escritas na primeira pessoa por ele e sua mulher, a antropóloga Denise Maldi, morta em 1996, vítima de câncer. Na década de 80, Denise escreveu também Guardiães da fronteira, contando a história de índios de Rondônia e Mato Grosso, do Vale do Guaporé, região fronteiriça à Bolívia.
Personagens da selva
Segundo Lilian, muito antes do termo desenvolvimento sustentável tornar-se moda, o personagem central desse livro já defendia uma harmonia entre quem vive na floresta e a atividade econômica — respeitando-se a demarcação das terras indígenas — e fiscalização séria e constante para que os índios não entregassem suas riquezas a preço de banana. Antes de morrer, há quase três anos, Apoena era o principal interlocutor dos índios nas negociações entre a Funai, Polícia Federal e o Governo de Rondônia, para a exploração de diamantes na reserva dos índios Cinta-larga, na região do Roosevelt, entre aquele Estado e o vizinho Mato Grosso.
Possidônio e Ari Daltoé
O livro lembra também do jornalista Possidônio Bastos, que na década de 60 chefiou em Brasília a sucursal de O Globo, foi para a selva do Roosevelt e do Aripuanã, entrevistou Apoena e se apaixonou pela profissão de sertanista. Morreu a flechadas pelos Cinta-larga a quem tanto amava. Apoena, o homem que enxerga longe também traz outras narrativas de amigos dele e cujas mortes também foram trágicas. O piloto Ari Daltoé, por exemplo, que lembrava o príncipe loiro de Saint-Exupéry, caiu com o seu bimotor em 1981. O sertanista José do Carmo Santana, o Zé Bell, que acompanhou Apoena e Denise até em parte da viagem de lua-de-mel do casal, morreu em conseqüência de choque hipovolêmico por conta de um tiro que levou, acidentalmente, em 1982.
Todos esses e outros personagens aparecem no livro também de forma bem-humorada, incluindo-se nesse contexto algumas tribos ou atitudes pessoais de alguns índios.O capítulo escrito por Denise Maldi sobre o mito que existia sobre os Kren-akarore, que seriam povos gigantes, é um bom exemplo.
A resistência dos Paaka-Novas aos missionários que tentavam catequizá-los e fazê-los acreditar nos santos do cristianismo, é outro. Nem os Kren-akarore eram gigantes, como rezava a lenda, nem os Paaka-Novas deixaram de adorar seus próprios deuses. Sem contar o suruíPipira, um índio que não sabia remar.
A política marca presença na parte destinada a Apoena Meirelles, toda documentada. De delegado regional, Apoena chegou a presidente da Funai, na Nova República. Ficou no cargo apenas sete meses. Defendia a descentralização do órgão, mostrava a dificuldade que a burocracia criava aos índios e tantos outros problemas que afligiam a região, envolvendo conflitos que acabavam em mortes de ambos os lados.
Para adquirir o livro: [email protected].
Fonte: Agência Amazônia - Parceira do Gentedeopinião

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