Sexta-feira, 10 de abril de 2026 - 11h15

Nesta sexta-feira (10),
o artista rondoniense Mariadri lançou o álbum “MLK INVISÍVEL”, já disponível em
todas as plataformas digitais. O projeto marca um novo momento em sua
trajetória, consolidando uma identidade artística que rompe com padrões do funk
tradicional e propõe uma experiência sonora e conceitual atravessada pela
Amazônia e pelas vivências periféricas.
MLK INVISÍVEL se
apresenta como um território onde o ritmo encontra o pensamento. Ao mesmo tempo
em que convida o público à dança, o álbum tensiona questões profundas como
invisibilidade social, violência estrutural, racismo, desigualdade e os
impactos de um sistema socioeconômico que historicamente marginaliza corpos e
territórios.
Com direção artística e
composições de Édier William e produção musical de Tullio Nunes, o trabalho
constrói uma linguagem própria ao incorporar elementos sonoros da Amazônia,
como flautas andinas, bioinstrumentos e paisagens sonoras desenvolvidas a
partir de pesquisa de campo com o percussionista Bira Lourenço. Sons de
motosserra, árvores caindo e fogo deixam de ser efeitos e passam a integrar a
narrativa musical, transformando o álbum em um registro sensorial de um
território em constante tensão.
A faixa-título, “MLK
INVISÍVEL”, sintetiza o conceito do projeto ao afirmar a existência de quem
historicamente foi apagado. Já músicas como “Álbum de Suspeito” e “Túmulo
Aberto” denunciam o racismo e a violência que atravessam a juventude
periférica, enquanto “Deixa Queimar” e “Já Vi” tensionam a relação entre
colapso ambiental e indiferença coletiva.
O álbum também evidencia
um momento de virada na carreira de Mariadri. Após iniciar sua trajetória no
funk melody e no proibidão, o artista passou por um período de silêncio
criativo que resultou na construção de uma estética mais autoral e
politicamente engajada.
Segundo Mariadri
“grande parte das músicas não foram compostas por mim, mas compostas a partir
de mim, demorei conseguir cantar ‘Túmulo Aberto’, por exemplo, pois ela é sobre
os amigos que perdi na favela. Tudo que canto nesse álbum foi composto para mim
e eu estou muito feliz de ter essa experiência.”
MLK INVISÍVEL surge,
assim, como resultado de um processo de amadurecimento artístico e reconexão
com suas raízes amazônicas.
O projeto foi
viabilizado por meio de recursos da Lei Paulo Gustavo, reforçando a importância
do investimento público na produção cultural das periferias e da região Norte,
historicamente invisibilizadas no cenário nacional.
Com participação do
artista Mc Onfroy, o álbum amplia suas camadas e diálogos, consolidando-se como
uma obra que transita entre o entretenimento e a reflexão.
MLK INVISÍVEL já está
disponível em todas as plataformas digitais: https://ditto.fm/mlk-invisivel-mariadri
“Este é um álbum para
dançar, mas, sobretudo, para enxergar”, afirma o cantor.
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