Sexta-feira, 12 de dezembro de 2025 - 16h42

O
documentário “Con(cs)erto de Ferro e Flor”, dirigido por Rafaela Oliveira e produzido
pela Conexão Norte em parceria com a Cia de Artes Clandestinos, acaba de
finalizar suas filmagens. A obra, que avança agora para a etapa de finalização,
será lançada ainda em dezembro e promete marcar profundamente o cenário
audiovisual rondoniense pelo seu impacto social e sensibilidade artística.
O projeto
foi contemplado no Edital Paulo Gustavo de Ji-Paraná – EDITAL DE CHAMAMENTO
PÚBLICO Nº 002/2024, destinado à seleção de propostas com recursos da Lei
Complementar 195/2022 (Lei Paulo Gustavo) na área do audiovisual. A aprovação
possibilitou a realização de um filme que não apenas denuncia a violência
contra a mulher no estado, mas também fortalece a produção cinematográfica
local e valoriza profissionais da região.
Com uma abordagem experimental, o documentário utiliza elementos poéticos, depoimentos e composições sonoras para interpretar a dualidade entre sofrimento e força, destruição e resistência. Inspirado na obra “Céu Rasgado”, da escritora jiparanaense Keila Barbosa e interpretado pela atriz Andressa Silva, o filme expõe a realidade da violência de gênero em Rondônia, estado que ocupa um dos primeiros lugares no país em índices desse crime, ao mesmo tempo em que evidencia a resiliência das mulheres que sobrevivem a essas agressões.

A diretora Rafaela Oliveira destaca que o filme nasceu de uma necessidade urgente de confrontar essa realidade e abrir espaços de escuta:
“Este documentário é um gesto de cuidado e coragem. Reunimos histórias reais de mulheres que, mesmo atravessadas pela dor, encontram maneiras de transformar suas próprias narrativas. Eu espero que o público sinta não só a força dessas vozes, mas também a responsabilidade coletiva de mudar esse cenário.”
Além do impacto social, “Con(cs)erto de Ferro e Flor” também se consolida como uma iniciativa de fortalecimento do setor audiovisual de Rondônia, gerando oportunidades para artistas e técnicos locais. A equipe envolveu profissionais da cidade em diversas áreas da produção, contribuindo para o desenvolvimento e a circulação da mão de obra especializada na região.

Comprometido com a inclusão, o projeto também garante acessibilidade por meio de legendas multilíngues, tradução em Libras e audiodescrição. As exibições ocorrerão em espaços preparados para receber pessoas com diferentes necessidades, com rampas de acesso, assentos adequados, locais para cadeirantes e banheiros adaptados. Após cada sessão, o público poderá participar de um bate-papo mediado, com presença de intérprete de Libras, favorecendo o diálogo aberto sobre o tema.
O lançamento oficial do documentário acontecerá em Ji-Paraná ainda neste mês de dezembro, reunindo comunidade, profissionais do audiovisual, instituições e pessoas engajadas no enfrentamento à violência de gênero. A expectativa é que a obra se torne uma ferramenta de reflexão, mobilização e transformação social, reafirmando o papel da arte como força vital para promover mudanças significativas.
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