Sexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Cultura

Cineastas rondonienses discutem produção de animação na Amazônia em roda de conversa com alunos da rede pública de Porto Velho na 2ª Edição do FICAR

Em encerramento da programação, Festival homenageia Marcos Magalhães, um dos maiores animadores do Brasil


Cineastas rondonienses discutem produção de animação na Amazônia em roda de conversa com alunos da rede pública de Porto Velho na 2ª Edição do FICAR - Gente de Opinião

No último dia do Festival Infantil de Cinema de Animação de Rondônia – FICAR 2ª Edição, realizado na última sexta-feira (29) na Escola Estudo e Trabalho, em Porto Velho, os bastidores da sétima arte foram colocados em pauta. Mais do que exibir filmes, a programação levou alunos e educadores a refletirem sobre o processo de criação por trás de uma animação, em um bate-papo com os cineastas rondonienses Juraci Júnior e Édier William, que tiveram seus filmes exibidos durante o festival.

Em meio aos desafios de se produzir cinema na Amazônia, os dois compartilharam suas experiências em uma roda de conversa que mostrou aos jovens como a arte pode se tornar ferramenta de resistência, crítica social e identidade cultural. A atividade também contou com uma homenagem especial ao cineasta Marcos Magalhães, criador do Anima Mundi e referência internacional na animação brasileira.

Magalhães não pôde estar presente, mas enviou um vídeo diretamente de seu espaço de trabalho, entre rascunhos e projetos em andamento. “Para mim é uma imensa honra receber esta homenagem, que divido com a minha família, meus alunos, colegas animadores e professores. O reconhecimento por um público infantil é muito importante, ainda mais em um festival amazônico que acontece numa região plena de histórias e personagens, que já estão vivos na imaginação e ficarão ainda mais poderosos quando transformados por estes jovens animadores em filmes de animação”, disse o cineasta.

Cinema que toca e transforma

Cineastas rondonienses discutem produção de animação na Amazônia em roda de conversa com alunos da rede pública de Porto Velho na 2ª Edição do FICAR - Gente de Opinião

Para dar a tônica do debate, foram exibidos os curtas “Nazaré: do Verde ao Barro”, de Juraci Júnior, e “Planeta Fome”, de Édier William. O impacto foi imediato: até os estudantes mais dispersos se endireitaram nas cadeiras para acompanhar a densidade das histórias.

Mediada pela coordenadora pedagógica do festival, Carmela Tacaná, a roda de conversa girou em torno de perguntas sobre carreira, uso de inteligência artificial, roteiro e, sobretudo, o sentido de se produzir cinema. “O cinema como arte é uma forma de expressão e deveria ser mais valorizado no dia a dia. Saber que temos animações feitas por cineastas da nossa cidade é inspirador”, disse Ian Lima, estudante do ensino médio.

O mesmo sentimento de inspiração foi destacado por Gustavo Chaves, que já participou de oficina ministrada por Magalhães: “Achei muito legal e interessante porque não é sempre que temos a oportunidade desse contato. Isso incentiva a expressar talentos que a gente nem sabia que tinha. Foi assim comigo na oficina do Marcos, aprendi muito com ele”.

Vozes do festival

Para Édier William, levar sua obra às escolas é o que dá sentido à produção. “Depois de todos os desafios enfrentados, o público ter acesso ao que a gente produz é algo que nos enche de orgulho. “Planeta Fome” nasceu da urgência de discutir um problema real, que não pode esperar: quem sente fome não pode esperar por amanhã. Fazer esse debate dentro da escola é fundamental”.

Juraci Júnior reforçou a importância da representatividade. “O FICAR aproxima a arte e essa identidade que a gente busca trabalhar. Quando o público reage, se emociona, se reconhece na tela, isso é muito potente. Esses estudantes podem se ver como futuros criadores. Olhar nos olhos deles e trocar experiências foi essencial”.

Cineastas rondonienses discutem produção de animação na Amazônia em roda de conversa com alunos da rede pública de Porto Velho na 2ª Edição do FICAR - Gente de Opinião

Para os alunos, a experiência foi reveladora. “A gente nunca pensa que vai sair uma animação daqui de Porto Velho. Hoje essa vivência quebra a visão que se tem da nossa cultura”, comentou Ana Eloise. Já Laís Maria destacou a relevância do FICAR: “Ter esse contato dentro da escola é um privilégio, algo que normalmente é muito difícil de acontecer”.

Do dia 25 a 29 de agosto, o FICAR percorreu escolas da rede pública em Rondônia, tendo passado por Guajará-Mirim, Nova Mamoré, e encerrando a programação em Porto Velho. A iniciativa aproxima crianças e adolescentes da linguagem cinematográfica e provoca reflexões sobre suas próprias vivências por meio da arte. Ao avaliar o encerramento da edição, a coordenadora do festival, Izadora Jemima, destacou o sucesso da proposta. “Nosso objetivo sempre foi democratizar o acesso ao cinema e estimular o olhar crítico desde cedo. Encerrar com essa troca entre cineastas, alunos e professores só reforça que o FICAR está cumprindo seu papel”, concluiu.

O festival foi realizado pela Associação Ambientalista Verde Vida, com recursos da Lei Paulo Gustavo (Edital nº 06/2024 – SEJUCEL/SIEC), e contou com apoio do Governo do Estado de Rondônia, FEDEC, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Gente de OpiniãoSexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Livro “Amazônia Negra”, de Marcela Bonfim, estreia na Feira do Livro com debate sobre identidade e pertencimento

Livro “Amazônia Negra”, de Marcela Bonfim, estreia na Feira do Livro com debate sobre identidade e pertencimento

Entre memórias, territórios e identidades que atravessam a Amazônia, a presença negra ganha voz, imagem e protagonismo no lançamento do livro “Amazô

Entre arte e tecnologia, Exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas” chega ao CCBB Brasília

Entre arte e tecnologia, Exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas” chega ao CCBB Brasília

Reunindo arte e tecnologia, a Exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas” chega ao CCBB Brasília em 9 de junho para explorar uma pluralidade de temát

Curta-metragem “Kika Não Foi Convidada” tem estreia mundial em Curitiba

Curta-metragem “Kika Não Foi Convidada” tem estreia mundial em Curitiba

O curta-metragem “Kika Não Foi Convidada”, escrito e dirigido por Juraci Júnior, terá a estreia mundial na 15ª edição do Olhar do Cinema Festival In

Artesanato rondoniense ganha destaque e amplia oportunidades de renda na 13ª Rondônia Rural Show Internacional

Artesanato rondoniense ganha destaque e amplia oportunidades de renda na 13ª Rondônia Rural Show Internacional

O Pavilhão do Artesanato Brasileiro (PAB) tem sido um dos ambientes mais movimentados da 13ª Rondônia Rural Show Internacional (RRSI), que acontece

Gente de Opinião Sexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)