Segunda-feira, 1 de dezembro de 2025 - 08h30

Eleita pelo segundo
ano consecutivo, Marcela Bonfim foi destaque na cerimônia dos +Admirados
Jornalistas Negros e Negras da Imprensa Brasileira 2025, realizada na noite
desta terça-feira (25/11), em São Paulo. A premiação é promovida por Jornalistas&Cia,
1 Papo Reto, Neo Mondo e Rede Jornalistas Pretos.
Representando
Rondônia e toda a região Norte, Marcela conquistou novamente o 1º lugar na
categoria Imagem/Vídeo, com o projeto Amazônia Negra, trabalho que vem
consolidando sua contribuição para a comunicação e para a afirmação da
identidade negra amazônica.
Para Marcela, o
reconhecimento nacional reforça a necessidade de ampliar a visibilidade sobre o
Norte, principalmente Rondônia, e sobre a presença negra na Amazônia, temas
estes que ela transforma em imagem, narrativa e memória. Em seu discurso, ela
destacou o papel de Rondônia como território complexo, diverso e ainda pouco
compreendido pelo restante do país:
“É importante estar
aqui, ainda mais falando a partir de Rondônia, essa terra que para o Brasil
ainda é muito medonha, porque o Brasil não conhece. Mas é um lugar que produz
muito conhecimento. Ali eu entendi uma Amazônia negra, uma cultura que o Brasil
ainda não conhece e que precisa acessar. O Brasil também existe pela negritude
da Amazônia, por essa pedagogia visual que mostra nossa história, nossa força e
nossa complexidade.”
O trabalho de Marcela Bonfim tem se afirmado não apenas como produção audiovisual, mas como um projeto político e intelectual que constrói pontes entre história, território e identidade. Ao articular imagem, pesquisa e presença feminina negra, Bonfim cria conexões que reposicionam Rondônia e a Amazônia no imaginário nacional, revelando uma geografia marcada por resistências, ancestralidades e deslocamentos que o Brasil insiste em desconhecer.

Seu trabalho marcado e reconhecido por uma perspectiva negra, sobretudo de uma mulher amazônida, que abraçou Rondônia como seu lar, reorganiza narrativas, dá voz aos silenciamentos e amplia repertórios sobre o que é ser do Norte e o que é ser negra no Brasil. Sua fala ecoa a urgência de democratizar os espaços. “A gente está no processo de inclusão social, a mulher preta, o homem preto, acessando e fazendo comunicação. Que surjam outros comunicadores, que sejam enxergados também, e que a gente siga firme, forte e para a frente. Axé!”, pontuou.
Além de Marcela Bonfim, outros comunicadores negros também foram premiados na edição 2025. Entre eles, Aline Midlej, eleita a +Admirada do Ano, e as jornalistas Basília Rodrigues, Flávia Oliveira, Adriana Couto, Joyce Ribeiro e Aline Aguiar, que compuseram o TOP 5 na categoria Vídeo. Na categoria Áudio/Texto, o prêmio reconheceu Edilene Lopes, Ed Wanderley, Cecília Oliveira, Cíntia Gomes e Juliana Cézar Nunes. A cerimônia ainda contemplou categorias regionais, veículos jornalísticos liderados por profissionais negros e prêmios especiais como o Troféu Luiz Gama e o Troféu Glória Maria, reforçando a pluralidade e a força da comunicação negra em todo o país.
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