Porto Velho (RO) domingo, 15 de setembro de 2019
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Gente de Opinião

Viriato Moura

A DOENÇA GRAVE QUE O DR. CONFÚCIO VAI TRATAR


 

A doença mais grave que o Dr. Confúcio Moura terá de tratar em seu governo responde, paradoxalmente, pelo nome de saúde.

Desde logo, para que se seja justo, não se deve atribuir ao governo que terminou a etiologia desse mal que assola por aqui desde há muito. Afinal, algumas providência foram tomadas, porém os diversos remédios e suas doses foram insuficientes para atenuar, a níveis aceitáveis, a grave enfermidade. A cura passou longe.A DOENÇA GRAVE QUE O DR. CONFÚCIO VAI TRATAR  - Gente de Opinião

A saúde do estado de Rondônia está na UTI. O que a  levou a essa condição terminal precisa ser diagnosticada com precisão pelo novo governador e pelo secretário da pasta. Porque os motivos são múltiplos e complexos e que, por isso, merecem um análise de especialistas. Teóricos sem vivência específica na área e em nossa realidade não devem ser ouvidos. Perda de tempo. E mais: nem sempre o que deu certo em outros estados dará certo aqui. Trazer gente de fora para intervenções ocasionais, nem pensar.

Considerando que a situação da  saúde de Rondônia é grave – gravíssima, para ser mais preciso! –, que foi o item que a pesquisa popular (no período eleitoral) apontou com prioritário para ser resolvido, e que o governador é um médico experiente, impõe-se que desde as primeiras horas do novo governo medidas de impacto (leia-se mutirões) sejam empreendidas para reduzir, o mais rápido que se puder, o número de enfermos que necessitam de cirurgias mais urgentes (como são as vítimas de traumas). Não dá mais para suportar as condições desumanas em que se encontram essas pessoas que superlotam os hospitais públicos, em particular o João Paulo II. Para que se tenha uma idéia sobre a nefasta espera, durante muito tempo a média entre o dia da lesão e o tratamento cirúrgico foi de (pasmem!) 42 dias. Alguns pacientes esperaram mais de 90 dias com fraturas e que, por isto, foram operados em hospitais privados  em condições muito adversas. Essa espera significa mais riscos de complicações, sequelas, óbitos, e recuperação mais demorada. E ainda há o grave problema social decorrente disso. Inaceitável!

Diante dessa assustadora situação, algumas medidas que envolvem o governo estadual, o Ministério Público, os profissionais da saúde e os hospitais particulares precisam ser tomadas com urgência. Todos devem se comprometer em resolvê-la.

O governador precisa comandar pessoalmente essa operação. Deve dar ordens claras e objetivas, e facilitar todos os meios para que as ações não sejam obstruídas por burocracias desnecessárias. Nesse contexto, é indispensável a participação do Ministério Público Estadual (que tem se mostrado sensível ao problema), para que tudo transcorra com a lisura necessária, dentro do que estabelecem as leis pertinentes. Nenhuma das partes, entretanto, deve esquecer que estão em jogo sofrimentos e vidas humanas. A situação é de  exceção, de calamidade pública. A solução deve ir pelo mesmo caminho.

Quanto aos profissionais da saúde do quadro do governo, precisam ser ouvidos para que expliquem, embasados em suas vivências no desempenho de suas funções, os motivos que levaram a saúde ao estado em que se encontra. E, principalmente, como podem contribuir, efetivamente, para melhorá-la. O Sindicato Médico, atualmente bastante atuante, precisa dizer o que quer e por que quer para se integrar, de fato, a esse projeto. Todos deve ter em mente que quem está pagando um alto custo por essa situação é a população menos favorecida. As partes precisam ser honestas e claras. Radicalismos não são sensatos e não conduzem a soluções duradouras. Há que haver, de ambas as partes—médicos e governo—, um diálogo sincero que busque, verdadeiramente, a solução. A boa vontade, neste contexto, é indispensável.

Quanto à iniciativa privada, sua contribuição é fundamental. Sem essa participação ágil e efetiva, o problema não se resolverá a contento. A despeito de o governo passado ter tentado aparelhar a máquina da saúde com profissionais especializados, através de concursos públicos, a medida não se mostrou eficaz. Muitos dos que foram aprovados logo em seguida pediram demissão. Há especialidades ainda muito deficitárias como neurocirurgia,  neurologia, nefrologia,  cirurgia de cabeça e pescoço, anestesiologia, e até  ortopedia, entre outras. É preciso motivar profissionais de outros estados a virem atuar em Rondônia. O Acre conseguiu isso através de bons salários e outros benefícios. A meritocracia precisa entrar em ação. Porque por melhor que seja o salário,  não havendo incentivos para quem produz mais estes profissionais tendem a se desmotivar. Se o cirurgião que opera  poucos pacientes receber o mesmo que aquele que opera muitos,  com o tempo este passa a agir como aquele.

O Dr. Confúcio Moura conhece todos os lados da questão em pauta. Além de médico atuante durante muitos anos, é empresário do setor hospitalar em nosso estado, administrador público experiente (foi prefeito por duas vezes e secretário estadual de saúde), e se movimenta com desenvoltura no campo político (foi deputado federal).

A partir deste 1º de janeiro próximo Confúcio estará diante do maior desafio de sua vida. A doença que tomou conta da saúde de Rondônia fará ecoar seus gemidos em sua mente como uma súplica desesperada de quem quer ter o direito de não sofrer tanto e de viver os anos que tem direito.

Pelo que conheço de Confúcio Moura, homem sensível e humanitário, ele não sossegará enquanto não fizer cessar tanto sofrimento.  É a esperança que resta a quem mais precisa de assistência à saúde em Rondônia.

 

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Fonte: Viriato Moura - viriatomoura@globo.com  
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