Quinta-feira, 5 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Vinício Carrilho

O capital criminoso


A cada dia vemos o crime acompanhar o fluxo internacional do capital. Seja pelos depósitos das propinas de brasileiros corruptos, nos chamados paraísos financeiros, seja o tráfico internacional de armas, drogas ou pessoas. Quando imaginamos já ter visto tudo, algo diferente surge e tumultua o cenário. Em todo caso, a ideia básica é que o capital corrompe em todos os polos as relações sociais e isso, em algum momento, internacionaliza as atividades criminosas.
           

 Gente de Opinião

 Sem pensar nas máfias tradicionais que também se enraízam pelo mundo afora, em todos os continentes, o sistema financeiro cada vez mais parece ser o sistema sanguíneo do capital acumulado na corrupção. Este seria o caso, para ficar apenas num exemplo, das Ilhas Jersey e o fluxo de capitais do mundo todo, na forma da lavagem de dinheiro, e que recebeu polpudas quantias do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf. Contudo, com movimentação superior a US$ 870 bilhões (R$ 1,74 trilhões), o crime organizado transnacional lembra as megaempresas transnacionais que exploram o capital em todo o globo.

Em outro caso mais prosaico, vimos a denúncia de que 680 jogos haviam sido manipulados em seus resultados por uma máfia de jogos de azar sediada nos Tigres Asiáticos. O hilário chegou a ocorrer a um brasileiro, quando ainda jogava futebol na Itália:

O jogo estava empatado em 1 a 1 até os acréscimos do segundo tempo. Então Tuta, que havia entrado no segundo tempo, marcou o gol da vitória. Não foi abraçado por nenhum de seus companheiros, exceto o brasileiro Fabio Bilica. E ainda foi xingado pelos rivais. O capitão do Bari até deu um tapa na cara do brasileiro na saída do campo (veja na imagem). O jogador teve até que prestar depoimento para a justiça esportiva local, na época[1].

 

Imagina você apanhar por fazer o que é pago para fazer, neste caso marcar gols. Bom, se o jogador apanhou por fazer gols, o que fariam com alguém que estivesse em seu caminho e realmente pudesse atrapalhar os negócios? As formas de violência mais brutais vêm à mente de todos, ao pensar nesses casos, e isto mostra-nos a força do capital. Realmente, com o capital na proa, não há nada, nem ninguém que não possa ser removido.

Vinício Carrilho Martinez

Professor Adjunto II da Universidade Federal de Rondônia

Departamento de Ciências Jurídicas

Doutor pela Universidade de São Paulo

 


* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 5 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Fundamentos civilizatórios da educação emancipadora

Fundamentos civilizatórios da educação emancipadora

      O objetivo geral do texto é delinear alguns fundamentos que não podem ser questionados e abandonados por quem pensa a Educação de forma emancip

Fascismo verde e amarelo

Fascismo verde e amarelo

-- a contradição em carne viva. -- nuances e seduções do reprodutivo Pensamento Escravista.O Brasil não é o país das contradições, é a própria essênci

Fundamentos - Esse texto é um desagravo

Fundamentos - Esse texto é um desagravo

Esse texto é um desagravo em virtude dos cortes e dos maltratos recebidos pela Educação e Ciência no Brasil. As caneladas sempre sobram para o lado

Soberania analítica

Soberania analítica

Nesse texto procurei sintetizar as respostas que forneci à revista da PUCMG. Não alterei o sentido, nem a estrutura do texto, e adotei esse caminho

Gente de Opinião Quinta-feira, 5 de março de 2026 | Porto Velho (RO)