Sábado, 8 de agosto de 2015 - 19h41
Os antigos batiam a gema do ovo até ficar bem enevoada ou como flocos de neve amarelados: gema em neve. Também diziam que alguém muito próximo a sua terra, aos dotes culturais dos ancestrais e tradicionalismos, era um sujeito da gema.
Tudo isso, hoje, batido e mexido no cadinho do Mal, revelou uma subespécie, um substrato, uma sanguessuga da boa fé.
Daí, mexendo e batendo de acordo com interesses sombrios, temos uma cultura fascista pululante, frenética, indomável pelo bom senso (irracível) que podemos chamar de “gema em névoa”.
As neves do passado estão muito passadas na atualidade, agora são espessas e dotadas de um poder de manobrar a ignorância que parece sem controle. Uma névoa de horror.
Na verdade, a névoa de horror foi o que levou o filósofo inglês renascentista Thomas Hobbes a calcar o Estado soberano na condição humana do medo. Hobbes presenciou uma guerra civil religiosa e ele mesmo se auto-exilou para fugir das atrocidades da turba ensandecida que descia do céu para dominar a política.
No Brasil, a última investida recebeu a alcunha de “Cristobofia” – na prática, é a criação de mais um tipo penal para punir legalmente os hereges, os ateus e todos os que não se curvarem aos desígnios da santidade beatificada pelo neo-pentacostalismo.
O neo-pentecostalismo - absurdo, ignorante, intolerante - vai acabar reproduzindo as lutas físicas do passado. As depredações a centros de umbanda e as humilhações verbais já são uma constante - e daí à violência física é um passo. Na verdade, esse passo já foi dado, quando apedrejaram uma criança que cultuava ritos africanos.
Por isso, bem no miolo do pretenso Estado Laico (se é que um dia existiu tal estrutura nesta República de bananas), pretende-se inserir um núcleo duro da exceção: um Estado Laico de Exceção.
Logo teremos um Estado Teocrático (como é o Irã), ao penalizarmos as críticas religiosas de quem não se serve da religião como ópio do povo (diria o pensador alemão Karl Marx).
Pensadores com o gênio de Montaigne seriam condenados à santa fogueira que habita o calabouço das masmorras transformadas em presídios.
Infelizmente não estamos longe de tal barbaridade. A imbecilidade e o etnocentrismo são marcantes.
Por isso temos parlamentares portando o Antigo Testamento e o tal projeto da Cristofobia. A Idade Média é aqui!
E por essas e por outras, a Cristofobia é a meia-cura que sobrou do sincretismo (mistura de religiões), totalmente enganadora, sem sal, sem sabor, e dura como o monolito em que se insculpiu o ancestral Código de Hamurabi.
Vinício Carrilho Martinez
Professor da Universidade Federal de São Carlos
Inaê Level
Professora de Sociologia da Rede Pública de Ensino
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