Porto Velho (RO) segunda-feira, 23 de julho de 2018
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Silvio Santos

Wilton da Silva Ribeiro - Há 21 anos como comissionado no governo de Rondônia


 
Wilton da Silva Ribeiro - Há 21 anos como comissionado no governo de Rondônia - Gente de Opinião
 
Quando você chega à sala onde funciona o Cerimonial do governo do estado de Rondônia na torre do edifício Rio Pacaás Novos no CPA, la vem ele com aquela gentileza e um sorriso especial, procurando saber o que o visitante deseja. Ele é o “seu” Ribeiro, que desde o governo de Valdir Raupp, é contratado como comissionado. “São 21 anos como comissionado do governo de Rondônia”. Ribeiro é considerado por todos em todos os lugares ou segmentos, por exemplo: no carnaval apesar de ser azul e branco no Rio de Janeiro. “Sou Portela”. Em Porto Velho é torcedor ferrenho da escola de samba Os Diplomatas (vermelha e branca). No tempo dos cabarés do Trevo do Roque vivia por la com os amigos Ozires Lobo e Câmara Leme entre outros. Outro dia nos encontramos no CPA e conversa vai, conversa vem, resolvi gravar as histórias do Ribeiro de como ele conseguiu permanecer como comissionado, desde o governo Raupp até hoje.

 
 
E N T R E V I S T A
 
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Zk – Vamos começar pela sua identificação?
Ribeiro – Meu nome é Wilton da Silva Ribeiro, nasci em Belém do Pará no dia 21 de novembro de 1955. Aos sete anos de idade comecei a trabalhar com meu pai como ajudante de sapateiro. Fiquei em Belém até meus 14/15 anos de idade.
 
Zk – E foi pra onde?
Ribeiro – Meu sonho era conhecer Brasília. Acontece que eu tinha uma tia que morava la e chegava muita carta dela pra minha mãe e minha mãe ficava encantada com as histórias que vinham nas cartas e com isso eu me empolgava. O tempo foi passando, até que certo dia fiz uma traquinagem de menino e o meu pai me deu uns coros (surra) bacana. Me aborreci com aquele corretivo e disse, quer saber, vou pra casa da minha tia em Brasília e fui, era o ano de 1975.
 
Zk – Morou quanto tempo em Brasília?
Ribeiro – Fiquei algum tempo e resolvi ir pro Rio de Janeiro. Ao chegar ao Rio de Janeiro fiz muitas amizades, o Rio de Janeiro foi minha escola de vida. Morei em Cavalcante, depois fui pra Jacarepaguá e como melhorei de emprego, aluguei uma vaga que lá eles chamavam antigamente, de “cabeça de porco” já em Copacabana na rua Toneleiros. Lá continuei estudando e foi quando me surgiu pela Associação Cristã dos Moços o curso de jornalismo, vale lembrar, que não era um curso superior. Quando terminei o curso, fiquei sabendo através dos jornais impressos, que o Território Federal de Rondônia estava passando a estado e eu me animei com a notícia e disse: Vou pra Amazônia conhecer esse estado novo, isso foi no ano de 1980 para 1981.
 
Zk – Você veio do Rio de Janeiro direto pra Porto Velho?
Ribeiro – Dei uma passadinha em Belém pra visitar minha família que havia deixado após aquela surra que peguei do papai. Fiquei em Belém por aproximadamente seis meses e depois segui pra Porto Velho. Conversei com um amigo que havia servido o exército aqui. “Se você quiser ir pra lá eu arrumo a passagem”. Realmente ele me deu a passagem e eu vim pela VASP.
 
Zk – Lembra o dia que chegou a Porto Velho?
Ribeiro – Esse dia, nem que eu queira, tem como esquecer. Cheguei justamente no dia 4 de janeiro de 1982, dia da instalação do estado de Rondônia. A cidade era uma festa só. Me hospedei no Hotel da Tia Carmem. Deixei as coisas lá e fui saber o que estava acontecendo na cidade e terminei por ir parar na praça Getúlio Vargas em frente ao palácio, onde o fuzuê estava formado. Teixeirão assumindo como primeiro governador do estado na presença do Ministro Mário Andreazza e do Abi Akell e o povão na praça festejando, era um verdadeiro carnaval.
 
Zk – Depois dessa festa, você, com certeza, foi procurar emprego?
 
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Ribeiro – De Belém eu já vinha encaminhado para trabalhar no jornal O Guaporé, afinal de contas eu tinha o curso de jornalismo. O Diretor do jornal era um cidadão que não lembro o nome agora, se era Sílvio ou Silva só sei que ele era do Rio de Janeiro e esse cidadão ficou me enrolando. O tempo ia passando e meu dinheiro acabando, me vi agoniado. Tive que vender um aparelho chamado normógrafo, já que também tenho o curso de desenho em arquitetura, pra ir pagando o hotel.
 
Zk – E nada de ser chamado pelo diretor do jornal O Guaporé?
Ribeiro – Pois é. No hotel, os caixeiros-viajantes que se hospedavam lá, me deram a dica que o Grupo Fortaleza, que por coincidência, era da família Ribeiro, donos das lojas Fortaleza, Jangada Surf, Eletrosom e outros empreendimentos estava precisando de vendedor. Fui lá falei com o Ribeirinho e fiquei por algum tempo trabalhando pra eles (4/5 anos). De lá fui trabalhar com o Antônio Lopes do Natal Foto Color e então voltei a uma das minhas especialidades jornalísticas, que era a fotografia. Cheguei a assumir a gerência de algumas lojas do Antônio no interior do estado. Foi quando resolvi tocar por conta. Nesse ínterim, conheci os radialistas Áureo Ribeiro, Dálton de Franco e o fotógrafo J Gomes que hoje está no Diário da Amazônia e então assumi como repórter policial, já, que o Áureo e o Dálton tinham programa policial. Passei a atuar como repórter free lance. Eu ficava na Central de Polícia que naquele tempo era onde hoje é o presídio feminino na Farquar com a Carlos Gomes no bairro Caiari. Depois de algum tempo atuando como repórter policial, surgiu à oportunidade de eu tocar o meu próprio negócio.
 
Zk – E que negócio era esse?
Ribeiro – Coloquei uma loja especializada em fotografia e xerox. Passei a ser meu próprio patrão. Depois voltei a atuar como free lance no jornalismo policial e terminei por assumir a fotografia e passei a fazer assessoria.
 
Zk – Assessoria fotográfica, pra quem?
Ribeiro – No governo de Valdir Raupp fui contratado para ser fotografo do secretário Emerson Teixeira que foi secretário de Planejamento e depois assumiu a Sedam e resolveu se candidatar a um cargo político e estava em campanha e foi através dele e do Rui Vieira que conheci o pessoal do governo do estado.
 
Zk – Você foi contratado pelo estado através de concurso?
Ribeiro - Não! Entrei como comissionado. Aliás, até hoje trabalho para o governo estadual como comissionado, já se vão 21 anos. Trabalhei no período do governador Raupp, governo José Bianco, Ivo Cassol, João Caula e o Doutor Confúcio Moura (dois mandatos) é 5º governador com quem trabalho. Sempre que muda o governo e entra secretário novo, graças a Deus eles renovam meu contrato.
 
Zk – Nessas andanças pelo mato, você vivenciou algum fato que podemos classificar como pitoresco?
 
 
 
 
Ribeiro – Um dos fatos que me faz até sorrir, foi o seguinte: Fomos à aldeia dos Caxararis na divisa
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de Rondônia com o Acre e tivemos que deixar os carros em determinado local, porque dali pra frente não existia estrada e nem picadão, era mata fechada mesmo e então tivemos que seguir a pé. No dia anterior eu tinha tomada umas e outras e estava numa ressaca daquelas que agente amanhece chamando a “Olga”. Quando chegamos ao local combinado, existiam uns seis índios nos esperando, só que eles estavam a cavalo. Da equipe da Sedam presente só eu era neófito em andar na mata o Emerson, o Marcão que era o chefe de transportes já eram calejados nessas visitas. Os índios em seus cavalos e nossa equipe seguindo a pé, todo mundo da Sedam la na frente e eu ficava sempre lá pra trás e o secretário gritava, cadê o Ribeiro, onde ficou o Ribeiro e eu agarrado em qualquer tronco de árvore provocando, respondia com muita dificuldade, Tô aqui secretário. De vez enquanto a pergunta se repetia e eu com a voz embargada pela “bílis” respondia que estava “tudo bem”. Foram mais de 2 quilômetros nessa agonia.
 
Zk – E no Cerimonial. Quanto tempo?
Ribeiro – Foi no governo de Ivo Casso quando a Silvana Borges era a chefe, que fui trabalhar no Cerimonial onde permaneço até hoje.
 
Zk – Qual sua função no Cerimonial do governo?
Ribeiro – Trabalho na logística. Onde o governador vai participar de um evento, como recentemente aconteceu com a inauguração do hospital do câncer. Nós da logística, um dia antes temos que fazer toda a preparação do ambiente, organizar mesas, poltronas, checar o som, organizar toda estrutura inclusive do cafezinho a água gelada.
 
Zk – Desses governadores todos que você atendeu pelo Cerimonial, qual o mais exigente?
Ribeiro – Pra mim nenhum deles, todos, graças a Deus, sempre me trataram bem. Inclusive o seu João Caula quando ele foi chefe da Casa Civil do governador Cassol era e é uma pessoa muito extrovertida, muito desportista e por várias vezes nos encontramos na casa do Doutor França Guedes e o ex governador Caula ao violão, é quem animava as cantorias.
 
Zk – Vamos encerrar?
Ribeiro – No próximo ano de 2018, teremos eleição para governador, espero que aquele que for eleito, em especial a pessoa que for nomeada para o Cerimonial ou o secretário da Casa Civil, me dê à honra de continuar trabalhando como comissionado no Cerimonial. No mais, desejo a todos meus colegas de trabalho e amigos, um Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Boas Festas!

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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