Porto Velho (RO) segunda-feira, 19 de novembro de 2018
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Gente de Opinião

Silvio Santos

TATIANA SOBREIRA


A arte e a cultura
da Amazônia - Agora


Semana passada os telespectadores do canal Amazonsat, foram presenteados com informações (positivas), shows musicais, danças folclóricas e receitas de comida típica sobre o estado de Rondônia através da comunicação de uma jovem simpática e descontraída, que cativa qualquer ser humano com o seu sorriso. Estamos nos reportando a apresentadora do programa Amazoniagora Tatiana Sobreira uma cabocla amazonense de Codajás que com o seu jeito manhoso e carinhoso de se comunicar, encanta os que param a frente da televisão para assistir o seu programa. São duas horas, que parecem passar num piscar de olhos, tanto o dinamismo da equipe que faz parte da produção do programa, "Trabalhamos com apenas três produtoras e dois câmeras", relata em tom de reconhecimento a apresentadora Tatiana, lembrando, "Um programa dessa monta, se fosse numa rede como Globo, Bandeirantes, Record ou Redetv com certeza, teria no mínimo, sete produtores e mais um punhado de assistentes, nós fazemos tudo só em cinco pessoas". Realmente, quem foi assistir a produção do programa que era transmitido ao vivo da praça da Madeira Mamoré em Porto Velho, ficou abismado com tanta eficiência. De um quadro para o outro, as produtoras mudavam todo o cenário, esticavam cabos e arrumavam os artistas. Em menos de 10 minutos, estava tudo pronto para entrar no ar. Tatiana dava uma arrumadinha no visual, ajeitava o elegante chapéu e começava, "vem aqui meu bichin, chegue, chegue", num sotaque parecido com o baiano, o que nos deixou em dúvida, "será que ela é mesmo amazonense", questionávamos, eu o Sérgio Ramos e o César Carimbo. Foi essa dúvida que nos levou a começar a entrevista com a pergunta, Você é cabocla de onde?

Na realidade, o programa Amazôniagora levado ao ar pelo Amazonsat entre meio dia e meia e duas horas e meia da tarde, (horário de Brasília) fez pelos nossos artistas plásticos, músicos, cantores, compositores e artesãos o que ninguém jamais fez, pelo menos nos últimos dez anos. De uma só cartada a Tatiana mostrou o que temos de melhor nos seguimentos culturais citados acima e com um agravante, ainda mostrou todos os dias, um prato típico diferente da nossa culinária. O mais intrigante disso tudo, foi que, apesar da divulgação das nossas artes e cultura e da história de Rondônia, o programa não recebeu (acho que não procurou) apoio de nenhuma entidade governamental, seja do estado ou do município. "A prefeitura liberou essa área que agora lhes pertence para que fizéssemos as filmagens. Apoio mesmo só da equipe da nossa co-irmã TV Rondônia".

A cada bloco, nossa entrevistada mandava beijos e beijos aos telespectadores e nós para não perdemos o fio da meada, agradecemos com beijos a gentileza da entrevista.
 

E N T R E V I S T A  

Zk – Essa cabocla é de onde?

Tatiana – Sou da Amazônia, sou de Codajás nascida em 1973 no dia 2 de setembro, saí de lá aos 15 anos.


Zk – O jornalismo em sua vida começou quando?

Tatiana – Tenho 15 anos de rádio, comecei fazendo rádio e campanhas publicitárias, há sete anos trabalho com televisão, parei com o rádio em novembro para me dedicar única e exclusivamente a TV, no Amazonsat estou há tês anos. Antes trabalhava em outras emissoras em Manaus.


Zk – Na televisão você começou como apresentadora de programas?

Tatiana – Não comecei trabalhando com comerciais e sendo produtora de comerciais e fazendo documentários e institucionais pra empresas privadas, aí tomei gosto pela coisa e quando vi já estava no ar, mas eu sempre soube que a oportunidade um dia ia surgir e era o que eu queria mesmo.


Zk – O Amazoniagora foi uma idéia sua, ou você foi contratada para ser apenas a apresentadora do programa?

Tatiana – Quando comecei no Amazonsat eu fazia o "Sabores da Amazônia" e um dos diretores a época que era o diretor executivo do Amazonsat hoje ele é o diretor em Brasília, me viu apresentando o Sabores e falou assim: Tatiana eu tenho um projeto com um Programa de seis horas no ar e é um programa jornalístico, só que eu quero o teu jeito, porque tu és natural, só que não sei como vai ficar, o que você sujere?


Zk – E você sugeriu o que?

Tatiana – Olha o nome, peguei um produtor que é o Moisés Monteiro, vamos ver o que, que a gente faz. Começou com duas horas, não tinha identidade, ele disse, decida o que você quer. Sentamos numa mesa, fiz as propostas daquilo que eu achava que seria notícia, onde nós tínhamos interligação de todos os estados e de Brasília. Quando vimos ganhamos três horas. Começou um enxurrada no Brasil todo de telefonemas, chegavam mais mil cartas por mês, foi realmente uma surpresa.


Zk – Hoje, o programa é apresentado em quantas horas?

Tatiana – Por decisão nossa estamos com duas horas no ar, porque se tornou muito cansativo. De um produtor, passamos a ter sete, hoje tenho quatro só mulheres e deu certo, ficou a identidade. Aí te respondo, quem criou! Acho que foi todo um conjunto, a emissora como um todo e deu certo.


Zk – Você falou que apresentava o Sabores da Amazônia. Por apresentar um programa de culinária você sofreu algum preconceito junto a classe de jornalistas?

Tatiana – Nós jornalistas acabamos tendo um pouco de preconceito com quem faz culinária em televisão, quer queira, quer não. Jornalista como é que você vai aceitar fazer gastronomia? Eu disse assim, tudo que se começa é pela cozinha, local onde você tem todas as emoções, você lava, você limpa, você ama, você odeia, você coloca choro ou não, tudo na cozinha e lá deu certo. Acho que a gastronomia é sempre, a identidade de um povo, é através da gastronomia, que você consegue revelar quem é esse povo. Essa identidade foi boa porque foi através da gastronomia que pude mostrar meu trabalho e ela eu não poderia esquecer no programa Amazoniagora. O programa acabou sendo jornalístico cultural e isso, é muito importante pra gente na Amazônia que é a educação cultural mesmo.


Zk – Por falar em comida. Qual o prato típico da sua cidade natal Codajás?

Tatiana – Açaí! Lá o açaí é o carro chefe, nós temos uma festa todo mês de abril onde existem culinaristas locais que fazem mais de 250 pratos com açaí e frutos da terra que são os peixes. Os peixes tradicionais da Amazônia a gente tem que é o pacu, o matrinchã, tambaqui, curimatã, o pato do mato a carne de caça. É uma cidade com mais de 20 mil e poucos habitantes que tem esse dia-a-dia.


Zk – E você, gosta de degustar qual peixe e de que maneira?

Tatiana – Mano! Você me pergunte de qual maneira que não gosto, porque, gosto de todas as maneiras, pra mim peixe é peixe. Foi peixe então ele ta lascado, eu como mesmo.


Zk – Através do Amazoniagora você tem a oportunidade de conviver com a arte e a cultura da Amazônia como um todo. Vamos falar sobre isso?

Tatiana – Noto que essa identidade tem muita gente escondida, fico abismada com tanto talento, com cada identidade que a gente encontra, são talentos fortíssimos, que trazem a raiz, tanto de sincretismo, de religiosidade, de pessoas que tem uma profundidade de conhecimentos impressos nas suas artes. Quando vejo essa identidade, falo pra´s minhas produtoras [e elas se irritam comigo as vezes], gente, eu quero, não importa quem seja, se o cara tem sucesso ou não, eu quero ele.


Zk – Como é feita a seleção dos artistas que se apresentam no programa?

Tatiana – É como disse, gente, eu quero ele. Aqui ninguém passa por triagem, a gente trás o quem tem, é ao vivo mesmo, é na real. Mesmo sendo ruim pêra quem acha que é ruim, pra gente é bom! Essa identidade eu te digo que é uma é brasileira tem que respeitar. É por isso que respeito cada lugar que venho e cada povo que trago.


Zk – Recentemente o Grupo Raízes Cabocla esteve em Porto Velho e em conversa com seus integrantes, colocamos uma questão que vimos no Amazonsat sobre um Movimento que está em andamento em Manaus de se definir a música amazonense como MPA e não MPB, eles discordaram dos que defendem esse movimento. E você o que acho disso?

Tatiana – Eu concordo com os meninos, acho que esse sectarismo que você faz de designar A ou B de Brasil, acho que é MPB. É a música Nordestina, a Amazonense, é a música do Raízes, é a música do Soda, é a música do reggae que vem da influencia de Bob.Acho que música é música é uma linguagem universal. O Raízes é uma linguagem que ele pôde provar, como a gente pode provar, não tem dificuldade. É o que gente quer? Então nego vai atrás. Quer queira, quer não, a gente acaba recebendo influencia de onde quer que venha. Quem acredita na corrente da MPA tudo bem, eu respeito mas, permaneço acreditando, sou do mesmo posicionamento do Celdo que é o comandante do Raízes Caboclas.


Zk – Não sei se alguma pessoa falou pra você sobre as dificuldades enfrentadas por todos que trabalham com artes e cultura no estado de Rondônia um estado que não tem Lei de Incentivo a Cultura seja a nível de governo estadual e mesmo nos municípios e a gente fica assistindo através da televisão, o investimento que os governos no estado do Amazonas aplicam na cultura. A pergunta é, no Amazonas e principalmente em Manaus existe realmente esse investimento na cultura local?

Tatiana – Existe! Olha, todas as difulcades, são advindas de todo o povo. Apesar de toda conquista que conseguimos, ainda estamos longe de ter o que merecemos. Acho que a gente não pode se abaixar tem que mostrar. Através desse programa, através do Amazonsat abrimos a oportunidade democraticamente da gente poder mostrar. Vocês enquanto artistas, não cruzem os braços, batam na porta, se a imprensa não aceitar use o meio, não deixe ele calar, bata nos órgão e faça com eles respeitem vocês. Foi assim que nós do Amazonas conseguimos, foi assim que o Acre conseguiu. Ainda ta longe, ta, de conseguir na parte de cultura, mas agora através do Amazonsat que a única emissora de televisão genuinamente amazônica, a gente ta conseguindo fazer com que o povo perceba o que, eu tenho voz, eu tenho minha cara registrada. Não é porque eu trabalho no canal não, é porque a gente percebe que tem poder, se a gente tem esses meios de comunicação que vestem a camisa, use esse meio. É difícil, o Amazonas é assim, quer queira, quer não, um expoente na cultura, mas nós já tivemos aí a mercê do Grão Para que era o Para e hoje o Para é um expoente cultural a gente sabe disso. Hoje não, a gente destruiu as amarras e ta conseguindo e Rondônia ta conseguindo, Vai ser difícil vai, mas não pode desistir.


Zk – Quando foi que vocês, produtores do Amazoniagora decidiram, sair com a equipe de Manaus para outras cidades e estados. Quem foi que teve a idéia, agora, vamos pra Rondônia, Roraima, Amapá, /acre etc...?

Tatiana – Essa necessidade de mostrar a voz de vocês mesmos. /sentindo a necessidade do próprio presidente da emissora Dr. Felipe Daou que acredita piamente que o canal pode, mesmo com as dificuldades de distância, de vias de transporte não importa o tempo, chegar, levar e mostrar a identidade. Ele queria um programa que não estivesse dentro do estúdio, e ele tem condições pra faze-lo, então mobilizou todas as praças que são da Rede Amazônica através do Amazonsat e só queria um apresentador que tivesse coragem.


Zk – E você se escalou?

Tatiana – E eu disse me leve que eu faço pro senhor, me dê a condição, me deixe ser democrática, e foi o que aconteceu. /democracia é com vocês, de falar o que está acontecendo, o que vocês não estão gostando, dee falar que pode mudar, o monitoramento das ações e do que, ue o povo está precisando mesmo, porque aí ele poderia trabahar enquanto formador, enquanto jornalista através de nós colaboradores que somos, apresentadores, jornalistas, produtores, técnicos e aí, olha no que resultou. Hoje a gente sai a cada 30 dias as vezes a cada 15 dias e a gente trás pra ele esse resultado. A cada dia que passa mano, eu ter garanto que ele se sente mais feliz.


Zk – Você se deslocam apenas para as capitais ou transmitem o programa de cidades do interior?

Tatiana – Vamos aos interiores também , a gente as praças, a gente pega através das nossas correspondentes. /as vezes a gente vai através da prefeitura que pagam pro programa ir, as vezes não. A tendência é ir cada vez mais.


Zk – Por falar em apoio. Em Porto Velho você contaram com o apoio de quem?

Tatiana – Conseguimos o apoio da prefeitura que liberou esse patrimônio (armazéns da Estrada de Ferro Madeira Mamoré), que agora é alçada da prefeitura, decidiu limpar o local e o apoio da estrutura total da TV Rondônia o restante é única e exsclusivamente da emissora do Amazonsat.


Zk - Quem viaja com você?

Tatiana – Eu vim sozinha porque a produção já veio na frente. Vei o cinegrafista mais duas produtoras. Pra você ver, prum programa de uma televisão grande aberta entre Bandeirante, SBT, Redetv e Globo são sete produtores para um programa de 45 minutos ou 12 produtores. Nós fazemos um programa de duas horas diárias ao vivo apenas com duas produtoras, temos aqui a nossa base que são duas a Tais e a Vagna e eu que sou a produtora do programa.


Zk – A direção do Amazonsat é a mesma da TV Rondônia?

Tatiana – Não! A TV Rondônia trabalha em parceria com o Amazonsat mas, ele tem a direção de jornalismo, seu núcleo de produção, sua presidência e como é do mesmo grupo da rede Amazônica acaba criando um elo, onde ficamos interligado nessa parceria. Tudo se decide via Amazonsat e via TV Rondônia.


Zk – Para encerrar. Estávamos ali assistindo o programa, eu o Sérgio Ramos e o Cezar Carimbó discutindo a seu respeito. Qual é o signo dela, eu apostei que era ou sagitário ou aquário. Tire esse nossa dúvida por favor?

Tatiana – Ascendência em Aquário, signo em Virgem e a lua em Escorpião. Sou virginiana 2 de setembro 33 anos, idade de Cristo. Renascendo pra vida.


 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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