Porto Velho (RO) domingo, 22 de setembro de 2019
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Silvio Santos

SARDINHA - A história do Boi Bumbá Tira Teima o mais antigo do Flor do Maracujá


Agripino Dias Brasil "Sardinha" - Fotos Ana Célia Santos - Gente de Opinião
Agripino Dias Brasil "Sardinha" - Fotos Ana Célia Santos

Se procurarmos pelo seu Agripino no segmento folclórico dança de Boi Bumbá em Porto Velho ninguém vai saber informar, porém, se falarmos o nome SARDINHA todos respondem: É do Tira Teima. Semana passada fomos até a residência do Sardinha no bairro Ulisses Guimarães, saber sobre de como seu grupo de Flor do Campo passou a se chamar Tira Teima, depois de também ser chamado de Tira Prosa. Sardinha é um dos mais antigos na brincadeira de boi bumbá em Porto Velho. “Muito antes do Flor do Maracujá eu já brincava boi”. Casado com a folclorista dona Edna Sarmento presidente o boi mirim Estrelinha, na casa do Sardinha o que se respira durante o ano todo, é boi bumbá. “Nossas indumentárias são todas confeccionadas pelos meus filhos e família aqui em casa. É tudo nosso”.

Na conversa, você vai ficar sabendo de muitos causos sobre a brincadeira de boi em Porto Velho.

 

ENTREVISTA 

Zk – Qual seu nome completo?

Sardinha – Meu nome mesmo é Agripino Dias Brasil nasci em Porto Velho no dia 23 de junho – véspera de São João, no ano 1952, por isso, sempre batizava o meu Boi no dia do meu aniversário. A Famosa Serraria Santo Antônio era do meu pai, quando meus pais faleceram vendemos o terreno.

Zk – Onde era a Serraria Santo Antônio?

Sardinha – Ali onde hoje, é o Clube dos Vaqueiros no Trevo do Roque. Vendemos e fomos morar no bairro Bela Vista no final da rua Campos Sales, lá comecei a brincar no Flor do Campo cujo curral era atrás da Rodoviária. Na realidade, eu não brincava, quem brincava era meu filho e o Edson meu cunhado. Quando criança brinquei de vaqueiro no Boi Tira Cisma que era no Areal.


‘Quando o Edson e meu filho ainda brincavam no Rei do Campo fui convidado para uma festa de batizado em Candeias do Jamari e o Padrinho foi o seu Euro Tourinho do jornal Alto Madeira. Quando vimos, meu filho chegou correndo avisando que o Edson estava todo amarrado. Fui lá desamarrei o Edson e disse pra ele arranjar outro Boi pra brincar e fomos para o Flor do Campo’  


Zk – E a história do Flor do Campo?

Sardinha – Foi assim, o Edson brincava no Boi do finado Chagas o “Rei do Campo”, era ele e meu filho e eu morava no garimpo, quando chegava à época da brincadeira de Boi eu vinha pra cidade pra participar, eu fazia a fantasia do Edson, dona Margarida cortava e eu enfeitava o Manto e o Chapéu ele brincava de 1º Rapaz.

Zk – E como foi que o Ribamar que era dono do Parque de Diversão que era montado no Flor do Maracujá se envolveu com o Flor do Campo?

Sardinha – Foi através do Luiz Amaral o verdadeiro dono do boi Flor do Campo. Quando o Edson e meu filho ainda brincavam no Rei do Campo fui convidado para uma festa de batizado em Candeias do Jamari e o Padrinho foi o seu Euro Tourinho do jornal Alto Madeira. Naquele tempo ainda não tinha a ponte a travessia era através da balsa e tinha a praia muito bonita. Chegamos ainda de dia e quando vimos, meu filho chegou correndo avisando que o Edson estava todo amarrado. Fui lá desamarrei o Edson e disse pra ele arranjar outro Boi pra brincar e fomos para o Flor do Campo.  

Zk – Já n o Flor do Campo?

Sardinha – Mal eu tinha ingressado no Flor do Campo o Luiz Amaral me chamou e pediu pra eu confeccionar um Boi que ia ter uma apresentação lá em Ariquemes e eu fiz. O interessante é que eu nunca tinha feito um Boi e o Luiz foi me dando as dicas, e fui montando o bicho. A cabeça era de boi mesmo que a gente pegava no curre (matadouro), o corpo a gente ia enchendo de esponja de banco de carro, depois cobria de pano e pronto. Já morando no Bela Vista resolvi inovar a confecção do Boi.

ZK – Inovar o que?

Sardinha – Naquele tempo, os Bois de Porto Velho, só mexiam a cabeça de um lado pro outro. Na hora do Boi Beber água o Vaqueiro era quem colocava a bacia perto da boca dele. Criei um mecanismo feito com liga de câmara de pneu de carro, que Boi baixava a cabeça e bebia água num recipiente colocado no chão. Falei pro Carlinhos que era o Amo: Na hora da apresentação do Boi tu anuncia que ele vai baixar a cabeça pra beber água, o Carlinho ainda duvidou, eu garanti que iria dar certo. Foi o maior sucesso na apresentação do Flor do Maracujá que ainda era ao lado do Ginásio Claudio Coutinho lembrando que já era o Boi Tira Prosa.


‘Quando chegava o Flor do Maracujá o Ribamar contratava os melhores dos demais Bois para se apresentar também pelo Tira Prosa. Chegaram a se apresentar Galego, Suritiba, Ventania, Dartanhã, Nonato, Zé Comichão era uma verdadeira seleção. A gente tinha barreira de Amo. O certo foi que o Tira Prosa passou a ser o grande campeão do Flor do Maracujá’


Zk – Por que o boi deixou de ser Flor do Campo e passou a se chamar Tira Prosa?

Sardinha – O Luiz Amaral já não estava muito bem de saúde e por isso deixou o boi comigo, por outro lado, apareceu uma conversa que o Luiz tinha perdido o Boi no processo de separação (divórcio), pra mulher dele e então resolvemos mudar o nome para Tira Prosa. Tem uma história muito interessante sobre as apresentações do Tira Prosa no Flor do Maracujá!

Zk – Que história é essa?

Sardinha – Quando trocamos o nome de Flor do Campo para Tira Prosa muitos saíram da nossa brincadeira, então o Ribamar que era considerado Rico já que era dono do Parque de Diversão e gostava realmente do nosso Boi desde os tempos do Flor do Campo, fazia o seguinte: Quando chegava o Flor do Maracujá ele contratava os melhores dos demais Bois para se apresentar também pelo Tira Prosa. Costumo dizer que do nosso boi mesmo, era Você (Silvio Santos), Carlinhos do Boi que era o 1º Amo e mais uns poucos. Porém, no Maracujá chegaram a se apresentar pelo Tira Prosa o Galego, Suritiba, Ventania, Dartanhã, Nonato, Zé Comichão era uma verdadeira seleção. A gente tinha barreira de Amo. O certo foi que o Tira Prosa passou a ser o grande campeão do Flor do Maracujá.


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Zk – Você chegou a ver ou participar das “Brigas” de Boi no meio da rua. Por que aconteciam as brigas?

Sardinha – Acontece que os bois bumbás quando chegava o tempo de São João, eram contratados para dançar na casa dos chamados ‘Categas’ e a gente ia a pé, cantando pelo meio da rua, as vezes, um Boi se encontrava com outro e o PAU comia. Era briga de verdade mesmo. Lembro que a Toada considerada Grito de Guerra dizia assim: “Arreda recôa, lá vai bala pela proa”. Essas brigas ficaram tão violentas que chegaram a fazer vítimas fatais como foi o caso daquele brincante que morreu debaixo do boi, ali perto do Mercadinho do Km-1.

Zk – Você, mesmo sempre atuando como dirigente do grupo, chegou a brincar como personagem?

Sardinha – Não teve Pai Francisco melhor que eu nesse Flor do Maracujá, só que poucos sabiam. No dia da apresentação eu dizia que ia fazer uma viagem e a noite, chegava já Mascarado como Pai Francisco (Nego Chico), naquele tempo, o Pai Francisco dizia verso de improviso nas apresentações, com a voz modifica (a gente fazia uma voz rouca).

Zk – Como foi que o Boi passou a se chamar Tira Teima?

Sardinha – Primeiro o Ribamar se desentendeu com o Luiz Amaral e devido esse racha eu assumi o Boi de vez e ao me mudar para o Ulisses Guimarães troquei o nome para “Tira Teima”. Se você prestar atenção, todo ano no Flor do Maracujá a gente anuncia o Tira Teima como o Boi do Arraial das Três Gerações – Flor do Campo, Tira Prosa e Tira Teima.

Zk – Hoje você sente muita dificuldade para colocar o Boi no Flor do Maracujá?

Sardinha – O meu bairro o Ulisses Guimarães de primeiro, era muito bom de brincante, agora a juventude prefere praticar outras coisas que não são muito aconselháveis. Por outro lado, nós não temos um local adequado para ensaiar, apesar de ensaiarmos no nosso quintal que é grande, de vez em quando alguém chama a Polícia e o ensaio tem que parar. É muito difícil. Tem uma área grande nas imediações que estamos reivindicando pra ver se eles fazem uma quadra, que vai servir também para a prática de esportes além de abrigar nossos ensaios.

Zk – Como você conheceu a dona Edna?

Sardinha – Dona Edna é minha querida esposa, nos conhecemos no tempo do garimpo, estamos juntos há 45/46 anos, tivemos 7 filhos, desses, só estão vivos quatro.

Zk – Como surgiu o Boi Estrelinha?

Sardinha – Nasceu por intermédio da dona Margarida que era do Posto e inventou a brincadeira de um boizinho e pedia pra gente ajudar. O ensaio do Boi adulto era lá, ela pagava o caminhão e a gente vinha. Muito tempo depois foi que o boi foi registrado e passou a se apresentar no Flor do Maracujá. Com o tempo, dona Margarida achou de parar e dona Edna assumiu, porque tinha muita criança. Hoje o Estrelinha é o maior campeão da categoria infantil do Flor do Maracujá e é dirigido pela minha querida esposa Edna Sarmento.

Zk – Para encerrar esse nosso papo. Quantos da sua família são envolvidos com a brincadeira de boi?

Sardinha – Todos, não escapa um. Agora como ITEM (Personagem) só a minha filha caçula que é a Sinhazinha do Tira Teima e a minha neta que é a Sinhazinha do Estrelinha, tem algumas que brincam nas Barreiras, os demais trabalham nos bastidores, na confecção das fantasias e alegorias. Tudo que colocamos no Flor do Maracujá é feito aqui em casa. É tudo nosso!

Zk – Sobre os Bois no Flor do Maracujá deste ano?

Sardinha – Se eu fosse da coordenação das apresentações e dos julgadores, tirava o Boi que ficou em Terceiro Lugar o Az de Ouro não merecia. Tirava também, ponto do Boi do Aluízio. Os jurados parece estavam cegos, não viram um Boi sem Orelha e o outro colocando Mascarado com Cesto nas Costas. Pronto falei! 

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* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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