Porto Velho (RO) sexta-feira, 17 de agosto de 2018
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Gente de Opinião

Silvio Santos

Ovídio Amélio de Oliveira – Escritor


Conheci o Ovídio em 1998 justamente, quando ele estava divulgando a primeira edição do livro História de Rondônia. O interessante, foi que logo de cara, percebi que a data da criação do município de Porto Velho estava incorreta, então o alertei para esse fato que deveria ser corrigido antes do livro chegar as bancas, ele fez um adendo corrigindo e o livro foi publicado. Daí pra frente , sempre estamos nos encontrando. O trabalho desse cidadão, é dos mais importantes para a historia do nosso Estado. Ele não para de pesquisar a história da nossa gente, dos municípios que formam o estado de Rondônia. Surge um novo povoado, lá está o Ovídio querendo saber o porque de sua criação, quem teve a idéia, enfim, o historiador sai anotando tudo, e quando menos se espera, ela aparece com um livro contando a história daquela Vila que agora, já é município. Creio que o Ovídio seja a pessoas que possui o maior acervo sobre a história e a geografia das cidades que formam o estado de Rondônia. "No inicio deste ano o INCRA autorizou que xerocopiasse aproximadamente 500 documentos que falam da colonização de Rondônia". Esse trabalho do Ovídio fez com que seus livros passassem a ser indicados para Vestibulares, concursos públicos e ser indicado como referencia nas escolas públicas e particulares. "Já foram impressos mais de 100 mil exemplares". Mesmo com todo esse volume de exemplares na praça, Amélio diz que não está rico e nem ganha muito dinheiro. "Acontece que por questão de ética, não aceito patrocínio de qualquer empresa, pessoa ou governo, porque eles dão o patrocínio mais querem que eu conte a história deles, do comércio deles. Essa apoio eu não aceito".
A entrevista com o Ovídio Amélio é tão rica de informações importantes, que resolvemos publica-la na integra e isso fez com que a dividíssemos em duas partes. A primeira parte você vai acompanhar a partir de agora.


E N T R E V I S T A

Zk – Por que você resolveu pesquisar a história e a geografia de Rondônia?
Ovídio – Em 1973 fiz minha primeira viagem a Rondônia. Saí de Cuiabá no mês de agosto num ônibus da Viação Mota. De Cuiabá a Porto Velho demorava 22 horas de viagem; O ônibus tinha travisseirinho, servia café e água gelada. Saí de Cuiabá às 19 horas, tomamos café por volta das cinco horas da madrugada em Vilhena e almoçamos em Ji-Paraná,  chegamos em Porto Velho com o sol de fora.

Zk – Se é assim, vamos falar sobre o que você viu de Vilhena a Porto Velho. Quais as cidades que existiam realmente?
Ovídio – Na época, Vilhena era um povoado que deveria ter umas 50 casas, Pimenta Bueno também não passava disso, Cacoal tinha umas 30 casas, Presidente Médici era apenas um ponto de apoio, Ouro Preto só tinha um barzinho na beira da estrada, Jaru a mesma coisa, Ariquemes tinha poucos barracos e algumas casas na beira da estrada, além disso, o ônibus parava em algum ponto onde a gente almoçava, tomava café, essas coisas.

Zk – Isso quer dizer que a estrada era boa?
Ovídio – Pelo menos nessa primeira viagem era.  A partir de 1974 - sempre estava viajando entre Mato Grosso e Rondônia -, naquela ocasião já começaram existir atoleiros nos períodos chuvosos. Em janeiro de 1975, fiz numa viagem de Cuiabá a Rondônia e ocorreu um fato interessante. Na década de setenta, era difícil conseguir lugar no ônibus, era uma média de três dias na rodoviária de Cuiabá para conseguir uma vaga no ônibus para Rondônia, acontece, que naquele tempo ocorria a grande migração de colonos com destinos a Rondônia. Acontece que Ji-Paraná se chamava Vila Rondônia. A gente chegava na rodoviária, pedia uma passagem para Rondônia e o agente destacava o bilhete para Vila Rondônia. Como eu já tinha experiência em viagens para Rondônia, fui para a cidade de Jangadas, na época, os ônibus não passavam por Cáceres passava por Jangada, Nobre, subia a Serra de São João e pegava o Chapadão de Mato Grosso. Em Jangada o ônibus fazia ponto para jantar. Na época era permitido até dez pessoas em pé. No corredor do ônibus tinha bagagem, cachorro, panela, enfim... Quando os passageiros desembarcaram pra jantar, eu falei com o motorista e ele me disse "Eu não pego mais ninguém, nem pra ir em pé". Fiquei por ali e quando abriu a porta do ônibus para o povo entrar eu entrei e fui lá para o fim do corredor. Não podia mexer com o pé se não perdia o lugar. Andamos a noite inteira. Às dez horas da manhã, deu ponto de almoço, a gente tava no sertão de Mato Groso, região de areão.

Zk – O que se servia nos restaurantes naquele tempo?
Ovídio – Na época era, o bife era de Charque, Charque cozido com repolho, esses eram os principais pratos. Bom chegamos em Vilhena às quatro horas da tarde. O motorista reuniu os passageiros e falou: "Olha, tem um atoleiro muito grande aí pela frente, vamos comer o que puder comer aqui e também levar alguma coisa porque lá no atoleiro com certeza, vamos ficar por um bom tempo. Quando chegamos no atoleiro, distante 50 quilômetros de Pimenta Bueno, a fila de carro era mais ou menos de 3 quilômetros. Naquele tempo não tinha carreta. Caminhão grande era truquinho. Eu estava com uma noite inteira e um dia sem dormir e em pé dentro do ônibus e sem almoço e sem janta, quando o povo desceu eu me deitei nas poltronas da frente e dormi, se o pessoal voltou e pediu o lugar eu não sei, só sei que acordei de manhã cedo, fui até uma casinha que existia as margens da rodovia, e naquelas ocasiões transformava em restaurante. Fui até o poço daquela casa, puxei água de um poço, lavei o rosto, tomei um cafezinho preto e fui observar o atoleiro, comprei um pacote de bolacha de água e sal, fui para perto de um córrego e comi a bolacha bebendo água daquele córrego que era limpinha. Voltei pro ônibus e perguntei se alguém tinha coragem de enfrentar comigo a pé, os 50 quilômetros até Pimenta Bueno. Apareceram dois companheiros. Meu irmão que morava em Pimenta Bueno, sabendo do atoleiro foi com o carro dele até a outra ponta do atoleiro para me socorrer. Eu tive várias viagens nesse sentido em Rondônia.

Zk – Assim você acompanhou a formação de várias cidades. Cite algumas?
Ovídio – Acompanhei o nascimento e o crescimento de Cacoal, Vilhena, Colorado D'Oeste, Rolim de Moura, Espigão D'Oeste, enfim, quase todas as cidades de Rondônia. Em 1987 fotografei diversas cidades, em 1991 fotografei todas, em 2000 voltei a fotografar e agora em 2005 estou fotografando por terra e por via aérea, que é para o nosso portal eletrônico.

Zk – Vamos voltar à pergunta inicial. Por que você tomou a decisão de
escrever a história de Rondônia?
Ovídio – Em 1984 resolvi escrever uma revista sobre Rondônia, justamente quando queimaram a prefeitura de Cacoal e quando o pessoal em Ji-Paraná fechou a BR, colocando fogo em pneu em cima da ponte sobre o rio Machado. O Teixeirão atendendo as exigências dos manifestantes desceu de helicóptero na cabeceira da ponte, subiu num tambor de combustível e falou com a multidão e liberou a ponte. A nossa revista, Revista Rondônia de 1984 registra esse fato. Em virtude das dificuldades próprias da época, não tivemos êxito, publicamos até a 3ª edição. Em 1985 elaboramos uma edição de mapas da cidade de Porto Velho em 1986 elaboramos uma edição do mapa do estado de Rondônia. A partir daí, a cada um ano, dois anos publicamos edição atualizada de mapas do estado de Rondônia.

Zk – O que fez você se interessar por isso?
Ovídio – É aquele negócio, você vai trabalhando e vê a necessidade, aí começa a vir os pedidos as cobranças, você tendo condições de fazer, passa a fazer, às vezes sem querer, entrando num seguimento para atender um certo pedido. Como estava editando o mapa de Rondônia surgiu muito questionamento sobre a História e Geografia de Rondônia e então eu tenho informações, dados, documentos, referencias bibliográficas sobre tudo isso.

Zk – E o primeiro livro surgiu quando?
Ovídio – Nosso primeiro livro, foi publicado em 1998 e a partir de então, não paramos. Já publicamos a sexta edição do livro intitulado História, Desenvolvimento e Colonização do Estado de Rondônia do livro Geografia de Rondônia – Espaço & Produção já publicamos a 3ª edição.  É de nossa autoria o livro Assim é Rondônia. Tenho pesquisada a história e a geografia de mais de trinta municípios e iniciada, os 52 municípios. Já publiquei livros de vários municípios; entre eles Candeias, Buritis, Governador Jorge Teixeira, Urupá, Alvorada D'Oeste, Rolim de Moura, Vale do Anari e vários outros.

Zk – Qual a metodologia que você aplica para escrever seus livros?
Ovídio – Primeiro ponto, acompanhei essa evolução, o crescimento, então sei quais foram às fontes. A construtora que trabalhou nas obras, os projetos que financiaram as obras. Então vou com eles e pego os documentos, inclusive o INCRA no começo desse ano, me deu a permissão para xerocopiar quase 500 documentos. O INCRA foi o órgão que realizou a colonização das terras de Rondônia desde o começo. Em 1970 foi implantado o primeiro Projeto do INCRA em 71, 72, 73, 74. Em 1975 foi o último ano que o INCRA implantou Projeto Integrado de Colonização em Rondônia – PIC. Em 74 ele implantou dois PAD – Projeto de Assentamento Dirigido na região de Ariquemes. Em 1980 o INCRA fez um levantamento e viu que tinha um número muito grande de pessoas que estavam precisando de terra e aí implantou o Projeto de Assentamento Rápido que atingiu vários municípios. Me parece que existiam 16 mil famílias para receber lote. O INCRA selecionou 12 mil. A partir de então o INCRA passou a trabalhar com os PA – Projeto de Assentamento como foi o caso dos PAs Urupá, Machadinho e outros.

Zk – Os livros desde o primeiro, foram aceitos pelas secretarias de educação?
Ovídio – Nosso livro sempre teve boa aceitação, nas secretarias, escolas estaduais, municipais, particulares, cursinhos em concursos. As SEMECS e a SEDUC têm adquirido exemplares de nossas obras.

Zk – Além do INCRA quais outras fontes de pesquisa?
Ovídio – Pesquisamos em diversas bibliotecas, em Mato Grosso na Universidade e Rondônia, em jornais, publicações antigas, no acervo de documentos do INCRA, IPEA – órgão do governo federal, IBGE SUDECO, PÓLONOROESTE e muitas outras fontes.

Zk - Afinal de contas, quem financia suas pesquisas?
Ovídio – Se o escritor for buscar apoio, ele não escreve. Primeiro você faz o trabalho, pesquisa, elabora o material e aí você tem mercado. Se não tiver, você perdeu. Por exemplo, o livro referente à história e a geografia de Jaru está pronto a dois anos e não foi editado, tenho fotografia de Jaru, do ônibus da Eucatur no ponto de ônibus todo cheio de lama, a cidade era um lamaçal só.

Zk – Você entrevista as pessoas da cidade para elaborar os livros, ou se baseia apenas nos documentos oficiais?
Ovídio – Veja bem! Em 2003, um grupo de estudantes do PROACAP fez um levantamento sobre a história de uma cidade do interior. Até aí tudo bem, pesquisaram com morador antigo e tal. Só que a pesquisa oral acaba misturando, o que foi que aconteceu no período de Território de Rondônia e no período de Estado, as pessoas já de idade fazem uma mistura e a história fica registrada de uma forma não correta. Então, eu tendo esse conhecimento, eu acompanhei. Também recorro aos funcionários antigos que participaram nesse processo de colonização e construção de infra-estrutura. Dr. Assis Canuto, atual vice-prefeito de Ji-Paraná foi fundador e o primeiro coordenador do PIC Ouro Preto, já conversamos muito. Desta mesma forma já entrevistei várias pessoas que trabalharam em órgãos, que eram coordenadores que eram executores. Tenho o cuidado de anotar as datas existentes nas placas de inaugurações. Por último, é que vou procurar o morador antigo. Ele sabe quem foi o primeiro comerciante, quem montou o primeiro mercado, a primeira farmácia, a primeira oficina mecânica e assim, eu termino minha pesquisa.

Zk – Sim?
Ovídio – A formação da maioria das cidades de Rondônia teve início com um núcleo urbano de apoio rural, uma linha e a maior parte quase que intransitável, o pessoal andava com cacaio nas costas. No governo Jorge Teixeira foi criado a CODARON com recursos do Polonoroeste. Teixeirão fez com que a comunidade elegesse um líder, que reunia a população e escolhia o local onde seria implantado o núcleo urbano (centro técnico administrativo), no quilometro tal, ou no entroncamento da linha tal com a linha tal. Era assim. Muitas cidades nasceram desse jeito. No Centro Técnico Administrativo tinha o escritório da CODARON, da Emater, da Seplan e outros órgãos do governo. Eram construídas cinco casas para, Seplan, Emater, CODARON, Administrador e uma para abrigar os técnicos em Trânsito pelo local. Em volta disso, vinha um, montava um bolichinho (comercio pequeno), outro montava uma farmacinha e a cidade ia crescendo. A maioria das cidades de Rondônia começaram assim, inclusive tenho foto de boa parte delas.

Zk – Você estava falando sobre o clima de Rondônia. Qual é a questão?
Ovídio – O clima de Rondônia é uma parte bastante discutida e existe situações diferentes. Se você pega informações com o IBGE e você ver clima da região Norte, é predominante o Clima Equatorial, porém, a SEDAM publicou em 2002 um Atlas Geo Ambiental de Rondônia e ela utiliza a classificação de Kôppen por essa classificação, o Clima de Rondônia é Tropical. Em vista disso, nós adotamos na 1ª e 2ª edição do livro Geografia de Rondônia a classificação de Kôppen, na terceira edição comentamos as duas situações.

Zk – E os candidatos do concurso da PM e do Corpo de Bombeiros Militar?
Ovídio – Como a sugestão indicada é o livro geografia de Rondônia – Espaço & Produção a resposta certa é Clima Tropical. Inclusive os candidatos desses concursos devem ter cuidado, existem muito conteúdo que não confere com o das obras indicadas, isso leva o candidato estudar temas que não tem nada a ver com o texto das obras indicadas.

Zk - Qual a vantagem do escritor ter sua obra indicada para um concurso ou vestibular?
Ovídio – No ano passado ou começo desse ano, eu estava no INCRA pesquisando, quando uma pessoa do setor me apresentou um advogado e esse advogado disse admirado. Você é o Ovídio, aquele livro geografia de Rondônia é de sua autoria? Respondi que sim e ele disse que o livro estava indicando para o concurso do Tribunal de Justiça. Respondi pra ele, não sei! Saí dali e fui direto ao Tribunal de Justiça e confirmei que realmente o livro estava indicado para o concurso.

Zk – No concurso da PM e Bombeiro?
Ovídio – Eu estava no interior do Estado pesquisando, quando numa sexta feira de tarde, liguei para meu filho e ele me disse: Pai o Livro História e Geografia de Rondônia está indicado para os concursos da PM e Corpo de Bombeiros. Eu respondi, nos concursos são indicados essas referencias e ele, mas está indicado o livro e o seu nome também. Eu falei, agora tenho que me virar, porque o livro está esgotado. A terceira edição estava praticamente pronta para ser impressa, mas faltavam alguns complementos. Trabalhei dois dias para concluir e viajei para acompanhar a impressão e acabamento da obra,
Mas não deixei os candidatos sem fonte de pesquisas. Os livros são vendidos nas agências dos Correios até o dia 30 de novembro e nas principais livrarias

Zk – Além disso?
Ovídio – Peguei o manual do candidato e elaborei uma apostila. Não é completa porque nenhuma apostila tem condições de ser completa. Mas garanto que o candidato que estudar pela nossa apostila tem 80% de chance de acertar as questões.

Zk – E o livro dos municípios?
Ovídio – O livro do município aborda a formação da cidade, a colonização regional. Por exemplo, Ariquemes. O livro de Ariquemes tá pronto, só falta imprimir. Tem fotografia de quando tinha o Porto Papagaio ainda na época dos seringueiros, a Vila Velha Ariquemes, a formação da Nova Ariquemes, como surgiu, qual foi o projeto, o prefeito que foi o arquiteto e a cidade hoje. Quando se fala na História de Ariquemes fala em uma micro região que abrange várias cidades. Além disso, tem a divisão política, por exemplo, Jaru e Machadinho pertenciam a Ariquemes.

Zk – E a cultura, os costumes. A mudança de um município pra outro é muito acentuada?
Ovídio – Com exceção de Porto Velho e Guajará Mirim, que mantêm o
regionalismo do tempo do Território como Tacacá, Vatapá o Boi-Bumbá. Do Candeias pra frente os costumes e a cultura mudam totalmente, o que prevalece são as festas agropecuárias, a mistura do paranaense, paulista, mineiro, capixaba etc... Em Ariquemes os primeiros colonos foram baianos, que migraram para o cultivo do cacau.

Zk – Os baianos?
Ovídio – Poucas pessoas sabem disso. Ariquemes foi criado para ser um pólo cacaueiro e os primeiros 200 e poucos colonos vieram da Bahia.

Zk – Não sei se você pode esclarecer uma dúvida que paira em muitos
rondonienses. Rolim de Moura foi realmente construída para ser a capital de Rondônia. Tem fundamento isso?

Ovídio – Não! Em 1972 foi criado o PIC GY-Paraná (a grafia é GY mesmo) e a migração para Rondônia era muito grande e não tinha terra para abrigar todo mundo. Em 1975 o INCRA criou o setor Rolim de Moura que era ligado ao PIC GY-Paraná. Primeiro criou o setor Abaitará que não virou cidade, mas, na região criou Primavera de Rondônia e em seguida foi criado o setor Rolim de Moura e no entroncamento das linhas 25 e 184 foi implantado o Núcleo Urbano daquela região, na época não era NUAR. A Vila foi em 79 quando o Teixeirão já era governador, mas, o projeto é anterior a ele, então não existe esse negócio da cidade ter sido feita para ser a capital de Rondônia.

Zk – E o nome Rolim de Moura?
Ovídio – Numa conversa com alguém do INCRA fiquei sabendo que o nome Rolim de Moura foi dado à cidade por acaso. Me contou esse funcionário do INCRA  não sei se por gozação, que na hora, eles não tinham um nome para batizar aquele setor e então alguém disse, vamos colocar Rolim de Moura. Não tinha nada a ver com Rolim de Moura do Guaporé, uma localidade que existe há bastante tempo e tem a ver realmente com o nome do governador de Mato Grosso Antônio Rolim de Moura que foi quem promoveu uma política de povoamento no Vale do Guaporé é claro que o nome da cidade considerado capital da Zona da Mata tem o nome em homenagem ao governador de Mato Grosso também. Mas, segundo esse funcionário do INCRA foi dado por acaso.

Zk – O que tá vindo por aí em termo de livros?
Ovídio – A 3ª edição do livro Geografia de Rondônia já está a venda nos Correios e a partir do meado de novembro chega nas livrarias a 6ª edição do livro História, Desenvolvimento e Colonização do Estado de Rondônia.

Zk – Algum professor já questionou o conteúdo dos livros?
Ovídio – Aconteceu um fato engraçado em Ouro Preto do Oeste. Um professor questionou sobre área de Rondônia: "disse ele, eu pego um mapa tá 243.044 Km², pego outro tá 238.512,8 Km² eu pego o seu tá 237.564,5Km²". Eu tenho um cuidado de acompanhar os dados do IBGE. Na realidade Rondônia teve enquanto Território do Guaporé com 251 e alguma coisa a primeira área do Território, depois essa passou a ser 243.044 Km², nos anos 80/90 foi utilizada a área 238.512,8 Km². Já o Anuário Estatístico do IBGE de 2002 publicou 237.564,5 Km². Portanto eu acompanho a evolução da publicação oficial. Essa informação o candidato ao concurso da PM e do Bombeiro vai encontrar à página 14 da Geografia de Rondônia.

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Zk – Onde podemos encontrar seus livros?
Ovídio – Nossos livros estam em todas as principais livraria de Rondônia. Para quem está fora de Rondônia tem o endereço eletrônico do nosso Portal www.ovidioamélio.com.br nesse caso, é só clicar em Concurso da PM e do Corpo de Bombeiros que aparece uma página referente aos livros citados. Clic em comprar o livro, e encontra o endereço, faz deposito em banco e manda o endereço por e-mail que nos remetemos o livro.

Zk – Quantos exemplares já foram colocados na praça?
Ovídio - Eu acredito que já estou aproximando dos 100 mil exemplares no estado. Devo deixar claro que a gente doa muitos exemplares, e estão inclusos os livros de história e geografia dos municípios.

Zk – Volto a insistir. Quem apoia?
Ovídio – Veja bem! É preciso ter muita boa vontade. Pedir apoio para quem, para o político? Ele vai querer que seja a história dele. Vai pedir apoio para o empresário ele vai querer que seja a história do comercio. Ele foi o primeiro supermercado da cidade? Não! O primeiro foi a vendinha de uma pessoa que transportava mercadoria pelas estradas ruins, transportava num carro velho, batalhou no atoleiro, na lama. Dali, cinco, seis, dez anos vem uma outra pessoa com melhores condições e se instalou um comercio maior na cidade, tudo bem e o outro, o outro acabou, mas foi ele o primeiro. Esse apoio eu não quero. Vou a procura da história, lá na casa dos primeiros, sento com ele converso, igual fiz em Mirante da Serra com o administrador, que também teve um pequeno comercio, ele contando como sofreu pra chegar ali, como batalhou, montou a primeira vendinha e daí por diante esse é o começo da história. O outro mercado faz parte da continuação da história e principalmente da atualidade. Procuro conversar com aquela que foi a primeira professora da localidade o os outros são o segundo, terceiro. Vou te contar a história de Ji-Paraná.

Zk – Vamos a essa história?
Ovídio - Eu estando num hotel por umas duas semanas e lá encontro uma pessoa que questionou comigo no segundo dia de conversa: "Oh todo o escritor que não registrar o Amiguinho como fundador de Ji-Paraná não está correto". Eu falei, pois o Amiguinho não é o fundador de Ji-Paraná. Durante três dias ficamos naquela pendenga, é não é. Até que no terceiro dia a gente estava jantando e eu disse, O Amiguinho foi importante para a história de Ji-Paraná não estou negando isso aí não, mas não é o morador mais antigo. – ele me disse, o Amiguinho é do tempo de Rondon – respondi, agora você me permitiu provar que ele não é. Rondon era militar e tudo que fazia documentava. Está no museu do Índio; Tem muito documento de Rondon na biblioteca em Cuiabá na Universidade Federal de Mato Grosso e em vários outros locais. Rondon passou em Ji-Paraná por volta de 1909. Aí perguntei, qual a idade do Amiguinho e ele me disse, deve ter uns 90 anos. Tudo bem vamos fazer o seguinte: Se Rondon passou em 1909, ele passou na localidade de Urupá (nome de Ji-Paraná naquela época) e encontrou uma família com uma criança recém nascida que podia ser o Amiguinho, Rondon viu uma criança, mas, a criança com certeza não recorda que viu Rondon. Quem era mais antigo? Os pais dele que estavam lá! Porém, acredito que ele não nasceu em Ji-Paraná, essa foi uma simulação de resposta. O Amiguinho foi importante para a história de Ji-Paraná, mas, não é o mais antigo morador.

Zk – Peraí! Naquele tempo o nome de Ji-Paraná não era Presidente Pena?
Ovídio – Quando Rondon passou por volta de 1909 existia a localidade de Urupá ele implantou o posto telegráfico deu o nome ao posto de Presidente Pena, então a região ficou por um período com dois nomes, Urupá e Presidente Pena.

Zk – Para encerrar. qual sua idade?
Ovídio – Eu nasci em 20 de dezembro de 1954.

Zk – E o Portal?
Ovídio – Nosso maior Projeto é a construção do portal www.ovidioamelio.com.br. Ele fica pronto com 1200 páginas, através desse endereço na Internet, vai ser possível o rondoniense ter orgulho de conhecer e mostrar cada uma das 52 cidades de Rondônia, as serras, as cachoeiras, os rios, a produção regional e muito mais... Vai ser maravilhoso mostrar para a população de Rondônia, do Brasil e do Mundo. A partir do próximo ano poder acessar o nosso portal. O que eu faço é com alegria, faço porque gosto e quando a gente gosta, faz com prazer.  O nosso portal vai ter um link com mais ou menos com 100 temas diferente sobre Rondônia, ele vai permitir que o estudante que está lá no interior faça um trabalho sobre o Hospital de Base em Porto Velho que é conhecido no estado inteiro. Assim vai ser também com o aeroporto, a ferrovia, o porto graneleiro, o sistema de transporte, as barcaças que transporta a soja que vem de Mato Grosso e passa por Rondônia e é desembarcado em Porto Velho. Assim vai ser o portal www.ovidioamelio.com.brZk -

Zk – Tem agradecimento?
Ovídio – Agradeço primeiro a Deus que me deu essa força de vontade, agradeço a empresa Eucatur. Sempre eu tive passe livre contribuindo assim com minhas viajem. A imprensa de um modo geral que me apoia. Na verdade é uma parceria.


* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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