Porto Velho (RO) quinta-feira, 23 de maio de 2019
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Gente de Opinião

Silvio Santos

Histórias da cidade onde nasci e vivo - Mocambo, o bairro boêmio - O Batuque da Mãe Esperança Rita - No balanço da Mad Maria


Histórias da cidade onde nasci e vivo - Mocambo, o bairro boêmio - O Batuque da Mãe Esperança Rita - No balanço da Mad Maria - Gente de Opinião

LIVRO

Porto, Velho Porto - Histórias da cidade onde nasci e vivo

Autor: Sílvio M. Santo


Nesta edição damos continuidade às histórias que fazem parte do livro de minha autoria, que está prontinho para ser publicado: “PORTO, VELHO PORTO – HISTÓRIA DA CIDADE ONDE NASCI E VIVO”.

São histórias que pesquisei em publicações de vários autores que se preocuparam com a nossa história como Esron Menezes, Amizael Silva, Abnael Machado de Lima, Yedda Bozarcov, Manoel Rodrigues, Hugo Ferreira e em especial do meu amigo professor Francisco Matias, porém, a maioria das histórias relatam fatos vividos por mim, já que apesar de ter nascido no Distrito de São Carlos, vivi minha infância, adolescência e vivo até hoje, em Porto Velho. Muitas das histórias que os amigos tomarão conhecimento a partir de hoje, são exclusivas, pois foram vividas por mim.

Infelizmente pelas normas acadêmicas, meu livro não pode ser considerado como de História, porém, as histórias nele contidas, posso garantir, (a maioria. foram vividas por mim) e as demais, são fruto de dias e dias de pesquisas.

Se você empresário editor, se interessar em produzir o meu Livro, entre em contato através do celular: (69) 9 9302-1960



Mocambo – O bairro boêmio


Levando-se em consideração que o bairro Caiari só foi criado depois que a Madeira Mamoré passou a ser administrada por brasileiros e ainda que os bairros do Triângulo e Alto do Bode ficavam nas terras da empresa Madeira Mamoré Railway Cº e, que a área onde ficava a famosa Rua da Palha jamais foi considerado bairro. O Mocambo pelo menos na análise desse escriba foi o primeiro aglomerado de casas e pessoas que podemos considerar como bairro na Porto Velho brasileira, que nasceu durante a administração do Major Guapindaia (1915 – 1917).

Talvez por ter sido formado por pessoas consideradas de baixo poder aquisitivo, pouco se encontra a respeito de sua formação em publicações da época.

O mais completo documento que encontramos sobre a formação do bairro, faz parte da monografia de bacharelado para o curso de História da escritora Nilza Menezes publicada no livro "Mocambo – Com Feitiço e com Fetiche".

Desde quando surgiu, o Mocambo é considerado o bairro boêmio de Porto Velho, por abrigar por muito tempo as casas das chamadas "mulher de vida fácil" – Prostitutas, naquele tempo, os abrigos dessas mulheres eram conhecidos como "Pensão", Cabaré ou Prostituição. Ali também foi instalado o primeiro "Batuque" (terreiro de Macumba) de Porto Velho que ficou conhecido como "Batuque de Santa Bárbara" cuja Mãe de Santo era dona Esperança Rita.

Em consequência da existência das várias "Pensões" e do Terreiro da Mãe Esperança os homens solteiros que moravam na Casa Seis e outras edificações da Madeira Mamoré, por ser único local onde poderiam encontrar diversão, e, os próprios moradores da Porto Velho brasileira (em especial os da Vila Confusão) frequentavam o local, que ninguém sabe explicar com precisão como surgiu.

Nilza Menezes em sua monografia escreve: "...Com a vinda de Dona Esperança Rita, negra maranhense, que fundou o terreiro de Santa Bárbara, localizado atrás do cemitério dos Inocentes e próximo ao córrego que hoje divide o Mocambo do Areal, iniciou-se o povoamento daquele espaço, cujo ano de ocupação é motivo de discussão". Segundo Antônio Cantanhede em Achegas para História de Porto Velho, “Por iniciativa de D. Esperança Rita, maranhense, natural da cidade de Codó, foi organizada, a 24 de junho de 1914, a Irmandade Beneficente de Santa Bárbara”. Ainda segundo Nilza, para o Dr. Ary Pinheiro a tenda de umbanda teria sido fundada em 1917. Moradores antigos e frequentadores do bairro e dos cultos afros na cidade de Porto Velho, também confirmam o início das práticas religiosas por Mãe Esperança Rita a partir de 1916 como o foco do povoamento do Mocambo. Pelo que conseguimos colher, o Mocambo começou quando Guapindaia autorizou a demarcação da área do Cemitério dos Inocentes.


O Batuque da Mãe Esperança Rita