Porto Velho (RO) quarta-feira, 18 de setembro de 2019
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História do Carnaval em Porto Velho: O Triângulo não Morreu – infantil


 História do Carnaval em Porto Velho: O Triângulo não Morreu – infantil - Gente de Opinião

 

Dona Raimunda Ilcelina de Holanda (73), viúva do carnavalesco Armando Holanda popularmente conhecido como Periquito, lembra de quando começou e terminou o bloco infantil “O Triângulo Não Morreu”. É bom esclarecer que tivemos duas entidades carnavalescas com esse nome. Primeiro foi a Escola de Samba “O Triângulo Não Morreu” criada em 1954 pelo guarda da Estrada de Ferro Madeira Mamoré o seu Miguel, e outros (a história dessa escola de samba será contada na próxima semana) e depois o “Bloco do Periquito” que também foi registrado com o mesmo nome. Bom! Hoje a história do carnaval em Porto Velho é sobre o bloco do Periquito. Primeiramente o bloco só aceitava foliões mirins do sexo feminino. “Acontece que o Armando há muito te mpo brincava carnaval vestido de mulher, era de Bailarina, Baiana e Maria Pretinha”. O bloco desfilou pela primeira vez no carnaval de 1968 com aproximadamente 10 meninas mais o Periquito vestido de Bailarina. Já na década de 1980 passou a desfilar com brincantes adultos, concorrendo com os blocos Unidos da Castanheira e Unidos do Mato Grosso entre outros. Enquanto desfilou nessa categoria ganhou todos os títulos.

Em 1984 passou a Escola de Samba do 2º Grupo. A Ata que registra a transformação de bloco para escola de samba foi feita no dia 10 de novembro de 1984. Em 1995 a escola desfilou contando a história do Pioneiro Chico Torres.

O último desfile da escola de samba “O Triângulo Não Morreu” dirigida pela família do Periquito foi no carnaval de 1990 com o Tema “Copa do Mundo”.

Armando Holanda nasceu no dia 06 de fevereiro de 1926 e faleceu no dia 5 de março de 1996 em Fortaleza (CE) sua terra natal.



 

E N T R E V I S T A

 

História do Carnaval em Porto Velho: O Triângulo não Morreu – infantil - Gente de Opinião



Zk – Por que o Periquito resolveu colocar um bloco infantil só com meninas?

Celina – Quando nossas duas filhas mais velhas ficaram grandinhas, ele achou de levá-las para brincar carnaval junto com ele. Depois as meninas foram crescendo, conhecendo amiguinhas e essas amiguinhas também queriam sair fantasiadas com o “seu Periquito” foi daí que surgiu o bloco “O Triângulo Não Morreu”.

Zk – Antes disso ele desfilava por algum bloco ou escola de samba?

Celina – Ele gostava de brincar carnaval fantasiado de Bailarina, de Baiana, de Cigana, de Maria Pretinha. Muitas vezes ele ia atrás da escola de samba do “Triângulo” do guarda Miguel. A fantasia que mais ele gostava de brincar carnaval era a de Bailarina,.

NR – Aqui lembramos dona Celina de um fato que nos foi contado pelo Armando Holanda – Periquito que aconteceu justamente quando ele brincava carnaval fantasiado de Bailarina:

O Fato – Certa vez ele estava fantasiado de Bailarina e foi beber uma cerveja no Iara Bar que era da dona Nega e ficava ali na rua Barão do Rio Branco em frente à praça Jonathas Pedrosa. O bar era reduto de carnavalescos de Porto Velho como Leônidas, Bainha, Silvio Santos, Cabeleira, Inácio Campos, Pelado, Rooselvet, Bizigudo, Manelão e tantos outros. Periquito contou que naquele dia estavam outras pessoas que ele taxou de “moleques”. Foi um desses “moleques” que causou toda a confusão. Ao ver a Bailarina com aquela saia bem curtinha encostada no balcão o rapaz não resistiu e passou a mão em sua trazeira, Ao sentir a mão do rapaz, Periquito pegou uma faca de mesa e saiu correndo atrás do “moleque”. O rapaz subiu a ladeira da prefeitura como um foguete e o Armando atrás dele, só desistiu da perseguição porque o jovem entrou na Catedral.


 

Zk – A senhora lembra em que ano o Bloco saiu pela primeira vez?

Celina – O bloco mesmo começou a sair no ano de 1968. Isso depois que as mães das meninas nossas vizinhas, começaram a levar suas filhas para sair junto com ele no carnaval. Foram 22 anos de desfile de 1968 a 1990.

Zk – A senhora fazia parte do bloco?

Celina – Na verdade eu não gostava de carnaval, só passei a ajudar fazendo as fantasias quando vi que o bloco estava com muitos brincantes e então passei a comandar a confecção das fantasias.

Zk – Como a senhora conheceu o Periquito?

Celina – Ele era Condutor de trem na Madeira Mamoré e certa vez meu pai ia fazer uma viagem para Belém terra onde nasci e pegou o trem do Iata para Porto Velho, foi nessa viagem que conheci o Armando, nesse tempo eu ia fazer 16 anos. Nasci no dia 11 de dezembro de 1939. Dessa viagem nós passamos uns três meses em Belém e quando voltamos e desembarcamos no Porto onde tinha um Pontão de atracação no Plano Inclinado, fui até a estação e por coincidência ele estava chegando de Guajará Mirim, só que aquela era a última vagem, pois no outro dia, ele entrou de licença prêmio (seis meses). Fui para o Iata e já não esperava mais por ele.

Zk – E como foi o reencontro?

Celina – Acontece que meu pai solicitou da Madeira Mamoré um vagão pra pegar uma carga dele no Iata e quando vi o condutor era o Armando. Enquanto a carga era embarcada no trem ele ficou me “cantando” (sorrindo muito), aí eu já estava com 17 anos de idade. Um dia ele perguntou se eu queria casar com ele. Na realidade apesar de ter sido praticamente criada na colônia, nunca gostei daquela vida de roça então aceitei o pedido dele.

Zk – E correu para se casar em Abunã?

Celina – Que nada! Disseram para o meu pai que o Armando tinha um bocado de mulher. Aí o negócio pegou. Foi então que entendi que eu ia me casar com ele custasse o que custasse e até peguei uma discussão com meu pai. Ele dizia que eu não casaria com o Armando e eu dizia que casava sim. Se o senhor não consentir vou fugir com ele. Sempre fui assim calada, mas, quando abro minha boca é pra decidir. Depois dessa ameaça ele concordou e o casamento foi em Abunã porque no Iata não tinha cartório.

Zk – Como era o nome do seu pai?

Celina – Raimundo Nazaré da Silva conhecido como Nenem Gomes ele era fazendeiro no Iata.

Zk – E o Periquito tinha muita mulher como foram dizer pro seu pai?

Celina – Em virtude dessa conversa, meu pai me deu um mês pra voltar pra casa após casada. Achei pouco pra desistir de um casamento no civil, mas, tive que aceitar. Antes do meu pai morrer passei na cara dele: Olhe o senhor disse que eu só ia passar um mês com o Armando, estou com Trinta e Poucos anos de casada com ele. Só não estou ainda com ele porque ele morreu (sorrindo).

Zk – Em Porto Velho você moraram aonde?

Celina – Primeiro moramos no Benjamim Constant perto do campo de aviação, depois fomos para o Areal onde tive a Ângela nossa primeira filha. Do Areal fomos morar no Caiari e finalmente fomos morar no pé do morro do Triângulo onde passamos 12 anos, até conseguir essa casa na Vila Ferroviária onde moro até hoje.

Zk – Quando a senhora se casou com o seu Armando ele já era carnavalesco?

Celina – Era sim. Quando casei com ele, não sabia nem o que era carnaval e ele já se fantasiava. Quem o arrumava era a dona Glaci mulher do Mário Teixeira que também era condutor de trem. No inicio eu achava estranho ver meu marido vestido de mulher, depois me acostumei.

Zk – A senhora freqüentava os clubes com ele?

Celina – Frequentava sim, não no carnaval, mas, nas festas que os clubes realizavam todo mês. Eu gostava mesmo era do Danúbio Azul Bailante Clube.

Zk – E quando a senhora passou a gostar de carnaval?

Celina – Não passei a gostar de carnaval, passei a ajudá-lo na organização dos blocos, depois os meninos foram crescendo e passaram a ajudar também.

Zk – O bloco cresceu muito?

Celina – Cresceu tanto que a gente ficava muito atarefada com tanta menina. No inicio o bloco era integrado apenas por meninas. Só na década de 1980 quando passou a desfilar como escola de samba foi que passou a contar com brincantes homens mesmo assim, só nas alas que pediam a presença da figura masculina como Mestre Sala, Batucada e puxador de samba que sempre era o Banana. Devo confessar que quando o bloco era só de menina, era bem melhor de cuidar, gente grande dava muito trabalho.

Zk – Quando vocês foram embora para Fortaleza o bloco ou a escola de samba já havia parado?

Celina – Já! O último desfile foi o de 1990 quando cantamos um enredo sobre a Copa do Mundo e o samba foi do Silvio Santos, aliás, todos os sambas depois que o bloco passou a desfilar como escola de samba a partir do carnaval de 1985 foram feitos pelo Silvio Santos.. Depois desse desfile Armando se aposentou comprou um apartamento em Fortaleza e fomos morar pra lá e os meninos não quiseram mais colocar a escola de samba.

Zk – Qual o motivo que levou vocês a pararem com a escola de samba?

Celina – Todo mundo diz que o Armando foi pro Ceará pra morrer. Não foi isso, ele já saiu daqui doente. Eu tava vendo que ele não agüentava mais. Nem ele e nem eu. Então botei as cartas na mesa: Se você quiser continuar, vai continuar sozinho porque vou embora para a minha família em Belém. Foi então que ele concordou em parar com a escola. Ainda fez uma proposta que a gente ia pro Ceará, mas, quando fosse a época do carnaval ele vinha pra cá. Assim também não quero respondi. Isso foi logo após o carnaval de 1990.

Zk – O Armando morreu quando?

Celina – Não era pra ele ter morrido. Ele foi operado da próstata e ficou bonzinho. Aí o médico disse: Seu Armando o senhor vai tomar esse remédio pro resto da sua vida. Então todo dia ele tinha que tomar aquele remédio, acontece que ele só tomou o remédio por três meses e achou que estava bom mesmo, era praia todo dia. Era pra ele voltar ao consultório de seis em seis meses. Ele voltou depois de dois anos quando a doença atacou de novo. Chegou e disse ao médico que queria se operar de novo. O doutor Raul olhou pra ele e disse: Seu Armando pro senhor não tem mais operação.

Zk – Ele morreu quando?

Celina – Morreu no dia 5 de março de 1996 aos 70 anos de idade em Fortaleza (CE) sua terra natal.

 

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 Fonte: Sílvio Santos - zekatracasantos@gmail.com  
 
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