Porto Velho (RO) quarta-feira, 14 de novembro de 2018
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Gente de Opinião

Silvio Santos

GENERAL PINTO HOMEM


A cultura popular na visão do General

Durante as reuniões que tratavam da organização da 25ª Mostra de Quadrilhas e Bois-Bumbás, o que mais se ouvia era a frase, "O General não abre mão disso, não abre mão daquilo". Volta e meia o secretário Ocampo voltava a citar, "O General... O General etc..." Na realidade, a turma dos grupos folclóricos não estava nada satisfeita com tanta exigência feita pelo General para ceder o espaço que pertence ao Exército e onde a SECEL pretendia montar o Flor do Maracujá. Aparadas as arestas, no dia 23 de junho, no palco do Flor do Maracujá fomos apresentados ao General Pinto Homem comandante da 17ª Brigada, após alguns minutos de conversa, vimos que o homem não era o "bicho de sete cabeças" que vinham pintando. O General Pinto Homem realmente é um cidadão simpático e que acima de tudo gosta da nossa cultura popular ou então, passou a gostar no momento em que assistiu o primeiro grupo folclórico se apresentando no Arraial Flor do Maracujá. Tanto, que das dez noites do Arraial, ele freqüentou pelo menos sete. "Só não assisti todos os grupos porque tive que ir ao Peru numa missão". Dali pra frente, sempre estávamos nos encontrando, principalmente nos eventos que envolviam danças folclóricas. Em Guajará Mirim durante o Festival que reúne os Bois Flor do Campo e Malhadinho lá estava o General aplaudindo. Na programação da Semana do Folclore que aconteceu até sexta feira passada na Casa da Cultura Ivan Marrocos ele praticamente marcou presença todas as noite. Paralela a semana do folclore aconteceu à semana do Exército que termina hoje com a Corrida do Soldado, então resolvemos entrevistar o General comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva. No intervalo da solenidade e das competições do Dia do Soldado ele reservou alguns minutos para nos atender em sua sala e foi ali, que ficamos sabendo da sua paixão pela brincadeira de Boi-Bumbá e da sua torcida para que o governo estadual adquira aquela área onde aconteceu o Flor do Maracujá este ano, para construir o nosso Bumbodromo. Além do Flor do Maracujá Pinto Homem fala sobre o Forte Príncipe da Beira e sobre a crise política que abala Rondônia, inclusive sobre uma possível intervenção federal no estado. Acompanhe a entrevista.

E N T R E V I S T A


Zk - Por gentileza, qual seu nome completo?

General – Nelson Calvoso Pinto Homem.

Zk – O senhor estar em Rondônia desde quando?

General – No dia 2 de setembro vai fazer um ano que estou aqui como comandante da Brigada. Fui promovido em julho do ano passado e comando do Exército me designou para ser o comandante da Brigada.


Zk – Faça um breve histórico da sua vida militar?

General – Começou a trinta e poucos anos, em 1972 quando entrei na Academia e de lá pra cá em mais de 30 anos como oficial, tenho 10 anos servindo na Amazônia. Atividades na Amazônia como Paraquesdista e outras atividades no Comando de Operações Terrestres em Brasília, são as funções mais importantes.


Zk – Nesses dez anos de Amazônia o senhor destacaria alguma missão ou comando?

General – Dentro desse tempo Amazônico destaco o comando do Batalhão lá em São Gabriel da Cachoeira onde comandei por 2 anos o 5º Batalhão de Infantaria de Selva. Se você percebe, um terço da minha vida militar foi passada ou está sendo passada na Amazônia.


Zk – O Senhor poderia falar sobre as principais atividades do Exército na Amazônia?

General - A Amazônia como um todo, para o Exército é prioridade já há bastante tempo. Na década de sessenta havia mais ou menos mio militares na Amazônia e atualmente são cerca de 22 mil militares da Amazônia. Hoje nós temos cinco comando de brigada, desde aqui na Amazônia Ocidental até o Atlântico na Amazônia Oriental. Por exemplo: O Comando da Brigada de Petrópolis foi transferido para Boa Vista há muitos anos atrás. A Brigada de Tefé veio de Santo Ângelo no Rio Grande do Sul e desde o ano retrasado, temos em São Gabriel da Cachoeira a Brigada que veio de Niterói. Isso mostra a ênfase que o Exército da a Amazônia.


Zk – Quem define as missões a serem cumpridas pelo Exército na região Amazônica?

General – Nossa missão ficou definida pela nossa Carta Magna e também por Lei Complementar. Missão em defesa da Pátria; garantia dos poderes constitucionais; Além disso, colaborar com desenvolvimento Nacional, basicamente da Amazônia por meio da Engenharia de Construção e Defesa Civil. Por exemplo: A tropa que mais tem feito isso recentemente é a tropa do 4º BIS que também é da Brigada.


Zk – Por falar nisso, A Brigada é integrada por quais unidades?

General – A Brigada enquadra três Batalhões de Infantaria de Selva em três estados. O 54º em Humaitá, o 6º em Guajará Mirim e o 4º BIS no Acre. O 4º BIS de Rio Branco em outubro/novembro do ano passado atuou muito combatendo incêndio no Acre e em fevereiro deste ano atou combatendo a enchente, quer dizer, um dia o fogo é o inimigo e no outro é a água. Em novembro do ano passado, recebemos alimentos, que a Força Aérea trouxe de Manaus pra cá para ser distribuído em Humaitá e Lábrea. Quer dizer, o Exército faz parte da sociedade, é uma instituição centenária tradicional e permanente.


Zk – E a questão do tráfego de drogas?

General – Desde 2004 temos competência através da Lei Complementar 117 que modificou a Lei Complementar 97 que regula as atividades do Exército em complemento a Constituição Federal. Então nós temos competência para atuar na faixa de fronteira. O Acre, por exemplo, é todo faixa de fronteira e Rondônia a maior parte é faixa de fronteira. Nós temos competência para atuar, inclusive com relação à repressão como, por exemplo: Tráfego de animais silvestres, bio pirataria, tráfego de drogas, contrabando de armamento, madeira, coisas assim. O que nós fazemos, já que temos competência, mas, não temos conhecimento absoluto, é trabalhar com os órgãos competentes. Quem sabe mais de crime ambiental não é o Exército é o Ibama; quem sabe de drogas, de contrabando de armamento é a Polícia Federal, quem sabe de contrabando é a Receita Federal, quem sabe das questões indígenas é a Funai. Então o Exército que repito, é parte da sociedade, ele atua basicamente em parceria com esses órgãos, embora tenha competência para atuar isoladamente.


Zk – Como o senhor analise as seguintes questões. Teve um problema no Rio d Janeiro o Exército foi lá e resolveu, já o governo paulista não aceita a intervenção do exército nas questões de segurança daquele estado?

General – Não posso comentar isso em profundidade, até porque estou em Rondônia e já me sinto inclusive cidadão de Rondônia, nasci no Rio há muitos anos o que praticamente já esqueci, hoje sou um cidadão de Rondônia e São Paulo é muito distante. O que eu vejo é que São Paulo e aí sou obrigado a concordar com o governador de lá pelas especulações que vejo nos jornais, ele tem uma força policial muito grande, se não me engano são quase 100 mil homens, um estado que é muito menor que a área de responsabilidade da 17ª Brigada que é de 700 mil quilometro quadrados. Se o governador recusa essa interferência federal é porque ele sente como responsável pela segurança pública no seu estado, que é um estado rico, é um estado progressista, é uma das molas do desenvolvimento nacional, ele domina a situação e ele pode decidir. Vi pela imprensa também que já existe uma parceria com o Exército em termo de cessão de aeronaves de asa rotativa (helicóptero), seja para ligação que é o nosso esquilo, seja para transporte de elementos policiais que o nosso Kugar que comporta cerca de 25 homens para poder atuar numa rebelião, por exemplo. O que sei, é que ele recusa, me parece, a atuação do Exército como tropa, porque ele tem um efetivo bastante razoável. Não posso dizer que ele está certo ou errado, creio que. Como comandante geral do seu estado, recusa isso, talvez ancorado em algum argumento de sua assessoria.


Zk – Todos sabemos que Porto Velho é uma das cidades mais violentas do Brasil. Nesse caso o Exército pode agir?

General – Para o Exército atuar no Que se chama de garantia da Lei e da Ordem, apenas mediante decisão presidencial, acho difícil que atuemos em Porto Velho se o governador não requerer ao presidente da República ou se algum outro poder constituído, por exemplo, a Justiça Estadual ou até Federal ou o Legislativo requerer ao presidente da República.


Zk – Atualmente Rondônia passa por um momento político, por muito considerado insustentável, inclusive já se ventilou a possibilidade de haver uma intervenção federal no governo estadual. Caso isso aconteça o Exército é que executa ou quem intervem no governo estadual?

General – Acho difícil, porque a intervenção federal tem um procedimento legal, ela é constitucional, mas depende de diversos fatores. A mim não compete tecer considerações a respeito. Imagino apenas que o Exército pode atuar na parte ligada a segurança, aí sim, porque a segurança externa é atribuição das forças armadas e o Exército está aqui, como a Força Aérea e como a Marinha. Na ordem pública a atuação principal é do governo do Estado o Exército pode complementar, até porque existe um vínculo muito grande do Exército com a Policia Militar. Agora, repito, isso aí tem quer decisão presidencial via Ministério da Defesa, Comando de Operações Terrestre, Comando do Exército e Comando da Amazônia, fora isso eu não posso tomar iniciativa a não ser para salvara vidas ou patrimônio.


Zk – Agora vamos partir para o lado cultural. O senhor tornou-se uma pessoa benquista entre os grupos folclóricos de Porto Velho em virtude do Arraial Flor do Maracujá. Como o senhor explica esse carinho?

General – Olha, na verdade, eu fiquei um pouco reticente a seção daquele espaço, porque houve muitos problemas, mas, este ano em caráter preventivo fizemos um documento para o governo do Estado, particularmente para a SECEL secretário Ocampo, houve uma receptividade muito grande e foi feito um termo um termo de autorização de uso, que é legal e foi cedido o espaço.


Zk – Aí o senhor se engajou ao Projeto?

General – O secretário Ocampo me convidou para a festa de abertura e passei a assistir as apresentações dos grupos folclóricos. Para você ter uma idéia, dos dez dias de festa participei de uns seis ou sete. Para dizer uma palavra bem representativa, fiquei maravilhado com a festa. Vi que é uma festa importantíssima e fiquei feliz desde o primeiro momento, em ter cedido aquele espaço. Foi melhor para a população, melhor para o governo do Estado e até para o Exército e para a Força Aérea que está ali do lado. Foi uma festa monumental, grandiosa e que se depender de mim, ano que vem pode ser repetida no mesmo local.


Zk – É verdade que o Exército pretende vender aquela área?

General – Realmente, a área está em processo de licitação para ser vendida, para realização de obras civis, para empreendimentos imobiliários para que possamos, numa área realmente militar construir casas para oficiais e sargentos. Isso não impede que o governo do Estado faça uma proposta para comprar aquela área, não há problema, acho uma área excepcional para a realização do Flor do Maracujá.


Zk – E qual é o valor?

General – Olha, o valor recente ta na faixa de 2 milhões e 500 mil reais e quem avalia não é o Exército.


Zk – Quem avalia:

General – É o Patrimônio da União. É o Antônio do GRPU, me parece que essa avaliação está desatualizada, talvez fosse um pouquinho mais. É um recurso que permite ao governo do Estado já que Rondônia é um Estado rico, basta lembrar que é um dos maiores rebanhos bovino do Brasil. Devo lembrar que não é uma venda para o Exercito e sim para o Patrimônio da União. O Flor do Maracujá este ano, foi uma festa grandiosa, com gente daqui e de fora, vi, por exemplo, grupos de Humaitá. Participei e fiquei feliz de estar presente. Por que não fazer ali um local definitivo para a festa do Estado com certeza a população gostaria muito.


Zk – Dentre os grupos que o senhor assistiu, tem algum que merece o seu destaque?

General – Não assisti todos e isso pode gerar algum descontentamento, mas, salvo engano gostei do grupo Corre Campo. Eu gosto muito de Boi, gosto muito de Ciranda. Todos os grupos que assisti gostei, mas o grupo de Boi Corre Campo me chamou mais atenção. Aproveito esse gancho do Flor do Maracujá para falar sobre a Madeira Mamoré que se começar a correr o trem bem breve vou ficar muito contente porque é a história de Rondônia e o Exército fez parte dessa história.


Zk – A Brigada abrange quantos municípios?

General – São 78 municípios. É todo o estado de Rondônia; 17 municípios do Acre e 9 do Amazonas, como já falei, são 700 mil quilômetros quadrados é uma área maior que muitos países.


Zk – Vamos falar de outro patrimônio histórico de Rondônia. O Forte Príncipe da Beira?

General – Estive lá no dia 23 quarta feira passada. Devo esclarecer que o Forte Príncipe não é do Exército.


Zk – E de quem é então?

General – É um patrimônio nacional, é uma fortaleza que tem mais de 230 anos de construída. Estivemos lá com o secretário Ocampo com a Val que é assessora da SECEL, com o João Luiz que foi como cinegrafista e com uma pessoa muito importante para a missão que foi a Mônica que é do IPHAN. Falei com o Beto Bertagña que é o Superintendente Regional do IPHAN. Pra mim o IPHAN tem que tomar consciência daquilo. É uma fortaleza é um monumento e o Exército ta lá junto há muitos anos, mas não é competência nossa mante-lo, é competência do IPHAN e nós fazemos o que é possível. Pode ser firmada parceria entre o IPHAN, Exército, prefeitura de Costa Marques e até a prefeitura de Porto Velho porque existe um chamamento para o Forte e com isso a vinda de turistas para Porto Velho, Guajará Mirim também deve fazer parte da parceria.


Zk – Fale sobre a semana do Exército?

General – O grande encerramento acontece neste domingo com a grande corrida do Soldado, para homens 10 quilômetros, para mulheres 7 quilômetros, para crianças mil metros e até para cadeirantes. O Exército aqui em Porto Velho é muito ligado a Força Aérea e a Policia Militar.


Zk – Para encerrar. O senhor é carioca de onde?

General – Costumo brincar que fui carioca. Tenho dez anos de Amazônia. Nasci no Rio de Janeiro no Méier no hospital do Exército. Meus filhos, minha mulher nascemos todos lá, somos todos do Rio de Janeiro, mas, hoje me considero cidadão de Rondônia.


Zk – Para encerrar de verdade. Qual sua escola de samba?

General – Simpatizo muito com a Mangueira embora nunca tenha ido assistir no sambódromo e sou flamenguista, mas, eu gosto mais do Boi-Bumbá. Ainda mais agora, que fui a Guajará e Guajará me deu vontade de ir a Parintins. O Boi de Guajará é grandioso. Agradeço mais uma vez a SECEL especialmente ao secretário Ocampo a Val assessora, que proporcionaram essa ida a Guajará. Fiquei muito feliz em participar.
 
zekatraca@diariodaamazonia.com.br

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