Porto Velho (RO) sexta-feira, 17 de agosto de 2018
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Gente de Opinião

Silvio Santos

Francilene Doraci da Cruz Barreto


HISTÓRIAS DO NOSSO CARNAVAL
Francilene Doraci da Cruz Barreto
Presidente e Porta Bandeira da S.J. Batista

Francilene Doraci da Cruz Barreto - Gente de Opinião
Ainda criança ela fugia de casa e do colégio para freqüentar os ensaios do bloco carnavalesco "O Triângulo Não Morreu", dirigido pelo famoso Armando Holanda. "O interessante é que no Bloco só desfilava menina, até o Periquito se vestia de mulher para nos comandar". Apesar de ter participado como brincante e dirigente de várias escolas de samba, Francis jamais havia ganhado um título de campeã no carnaval de Porto Velho. Ano passado todos davam a São João Batista como campeã, mas na hora "H" a escola não chegou completa na avenida e o título foi por água abaixo. "Aquela derrota me fez ver que o trabalho em equipe, é a melhor maneira de se conseguir nossos objetivos". Acontece que a Francis centralizou todo o esquema da escola e ainda por cima, o furgão contratado para transportar as fantasias, quebrou no meio do caminho para a avenida e ela ficou sem saber o que fazer, o resultado foi que muitos brincantes entraram na passarela do samba com a fantasia pela metade, uns apenas com a parte de cima, outros, apenas com a parte de baixo. "Foi um verdadeiro vexame". Para o carnaval deste ano, a presidente reuniu sua diretoria e dividiu as tarefas,e muito antes do horário da escola entrar na avenida, as alas já estavam todas formadas em seus devidos lugares assim como todas as alegorias e o resultado, todos viram durante o desfile, uma escola compacta onde os integrantes de todas as alas e alegorias entraram brincando carnaval e o que foi melhor cantando o samba enredo junto com os puxadores. "Temos que agradecer algumas pessoas e empresas que nos ajudaram como a Eletronorte, a Fatec através do professor João José, a Quadrilha Mirim da Rádio Farol – Comandada pela senhora Marlene e em especial, aos nossos artesãos e a comunidade do bairro São João Batista". Francis é a única mulher presidente de uma escola de samba em Porto Velho além de ser a secretária da Federação das Escolas de Samba – FESEC. "Se você prestar atenção, há oito anos que as mulheres ganham o carnaval das escolas de samba. Até o ano passado a grande campeã foi a Armário Grande que era comandada pela dona Neguinha. Ela ganhou sete títulos consecutivos. Este ano a São João Batista conquistou o título sob a nossa direção. Isto quer dizer, que nós, as mulheres, somos as melhores dirigentes nas escolas de samba de Porto Velho". Francis desfilou como 1ª Porta Bandeira pela escola Acadêmico do São João Batista no carnaval deste ano.
Francilene Doraci da Cruz Barreto - Gente de Opinião
 
E N T R E V I S T A
Zk – Há quantos anos você milita no carnaval de Porto Velho?
Francis – Desde 1973, comecei com 13 anos de idade.
Zk – Em qual agremiação?
Francis – Comecei na escola de samba "O Triângulo não Morreu" que era dirigida pelo famoso Periquito.
Zk – Fale um pouco da sua trajetória nas escolas de samba de Porto Velho?
Francis – Por incrível que pareça na minha família ninguém gostava de carnaval, principalmente o carnaval de escola de samba. Eu ainda criança, fugia para ir pro´s ensaios do "Triângulo Não Morreu". Era o seguinte: Eu morava na Baixa da União e estudava no Colégio Zenóbio da Costa que ficava no Morro do Querosene, e eu fugiu da aula e ia para a casa do Periquito que ficava no bairro Triângulo.
Zk – Agora você falou numa pessoa que muito fez pelo carnaval de Porto Velho. O Armando Holanda mais conhecido como Periquito. Como era que ele fazia a escola de samba?
Francis – A escola dele era formada por crianças e adolescente, a filha dele era a Porta Bandeira. Vale salientar que a escola só desfilava com meninas não tinha menino era uma escola totalmente feminina. Os únicos brincantes do sexo masculino eram os batuqueiros.
Zk – Depois do Triângulo qual foi a outra agremiação que você se apresentou?.
Francis – Acontece que o 5º BEC chegou e tirou os moradores da Baixa da União e como minha mãe tinha posse, fomos morar na Quintino Bocaiúva entre a José Bonifácio e José de Alencar no bairro Olaria. Acontece que em frente a nossa casa surgiu o Bloco 812.
Zk – Quem foi que criou o 812?
Francis – Foi o Manoel Régis, Cabo Sena, Canduri e os filhos da dona Cléia, Tuca e Tinho. Inclusive os ensaios aconteciam em frente a casa da dona Cléia. Ali eu desfilava de Porta Estandarte e o meu parceiro era o Luiz Leite.
Zk – O Bloco 812 desfilou até que ano?
Francis – Foram apenas dois anos de apresentação, aí surgiu o Bloco Mocidade do Caiari e todo mundo foi pra lá,
Zk – Mocidade do Caiari?
Francis – É isso mesmo, fiquei na Mocidade até ela desistir. Na época, o pessoal falava que a dona Marize Castiel tinha feito um pacto com a direção da Mocidade para que eles nunca chegassem ao Grupo Especial, em troca, a Dona Marize ajudava a Mocidade. Tanto que a Mocidade ganhou em todos as categorias, foi campeã como Bloco, como Escola do Segundo Grupo, mas nunca foi campeã do Grupo de Acesso para não subir para o Especial. Tem um samba do Silvio Santos que diz que a melhor bateria é da Mocidade, e era mesmo, porque a gente tinha os batuqueiros da Caiari e da Diplomatas. Depois fui desfilar pela Pobres do Caiari.
Zk - .Você chegou na Caiari desfilando em que ala?
Francis – A primeira vez que desfilei na Pobres do Caiari foi na ala das Baianas, apesar de ser considerada nova para desfilar como baiana, isso aconteceu em 1994 quando o enredo foi "O Fogo dos Deuses". Fiquei na Caiari até ela deixar de desfilar. Quem me levou para a azul e branco foi o Elifas conhecido como Caqui, que na época era diretor da escola.
Zk – E a Francis diretora de agremiação carnavalesca, quando começou?
Francis – Foi na Boto Verde e Rosa, junto com o Tony que comecei minha história na administração de agremiações carnavalescas. Lá eu era diretora Social e desfilava na Ala das Flores quando a escola começou no Grupo de Acesso e no único desfile da Boto Verde e Rosa pelo Grupo Especial.
Zk - Por que a Boto deixou de desfilar?
Francis – O Tony que era nosso presidente e realmente era o maior investidor da escola, resolveu retirar a escola do carnaval ao perder para o Asfaltão, Nós não admitíamos perder aquele carnaval, um enredo do Jorge Struthos e do Elcio Marinho que falava sobre a China. Realmente nossa escola estava linda e muito organizada e digo mesmo, merecia o título que foi dado para o Asfaltão, aí o Tony se desgostou e a escola deixou de desfilar. Aliás, o último carnaval da Boto foi no carnaval dos 500 Anos do Brasil e eu desfilei com o Estandarte onde o Tony fazia um protesto por ter perdido o último carnaval para a Asfaltão.
Zk – E você foi para qual escola de samba?
Francis – Toda nossa equipe foi apoiar o Edmilson na escola de Samba Unidos do Nacional, todos os batuqueiros e a equipe da Boto que trabalhava comigo, inclusive o carnavalesco Jorge Struthos me acompanhou, desde daí, essa equipe trabalha comigo. Foi no Nacional que me iniciei como Porta Bandeira e ganhei meu primeiro Estandarte de Ouro como Porta Bandeira. Ali também fui a administradora do carnaval da escola.
Zk – Por que você deixou o Nacional?
Francis – Acontece que o Edmilson que era o presidente da escola, ficou com ciúme da nossa equipe, ele achava que eu queria ser a presidente da escola. O Ismael também achou que a gente tinha feito um ótimo trabalho e passou a nos apoiar e em conseqüência disso, o Edmilson brigou com toda nossa equipe e tivemos que sair. Foi quando o pessoal da Unidos do Areal me convidou para assumir a escola de samba. Acontece que meu marido Dagmar era um dos fundadores da Unidos do Areal, mas me acompanhou na escola Unidos do Nacional e o Edmilson criou caso com ele, por isso saímos de lá e ele nos levou para o Areal. Ele ficou desgostoso também por ter divido o título daquela carnaval com o Armário Grande, aí também desistiu de colocar a escola novamente, vendeu tudo para o Manelão que doou para a São João Batista ainda como escola do Grupo de Acesso.
Zk – Agora vamos para a Unidos do Areal. Como foi que você encontrou a escola?
Francis – Encontrei a Unidos do Areal somente com o livro de ata. Ela estava há dez anos em último lugar. Totalmente eliminada e o Cabeleira me chamou e disse que ia me dar a oportunidade de mostrar minha capacidade como dirigente de uma escola de samba.
Zk – Você correspondeu a expectativa do Cabeleira?
Francis – Acho que correspondi, pois a escola no meu primeiro ano como presidente ficou em 2º lugar fato que foi repetido no próximo ano, ou seja, 2002 e 2003. O carnaval de 2002 era do Jorge Struthos que foi assassinado em dezembro de 2001 e quem assumiu a escola como carnavalesco foi o Elcio Marinho que já pertencia a nossa equipe.
Zk – Pelo que estou vendo você nunca ganhou um título?
Francis – Não, nem mesmo como brincante em escola de samba, quanto mais como dirigente.
Zk – Por que a Unidos do Areal deixou de desfilar?
Francis – Foi praticamente a mesma coisa que aconteceu na Unidos do Nacional, digo, a ciumeira dos integrantes da diretoria antiga, inclusive alguns deles pertenciam a nossa diretoria. No primeiro ano do meu mandato foi tudo as mil maravilhas, mas, do segundo ano em diante a ciumeira tomou conta do pedaço e eles passaram a boicotar a minha administração. Eles não se afastaram da diretoria, mas, não compareciam aos ensaios, nas promoções da escola. Até que fizemos uma festa no Ypiranga e a equipe de puxadores e cavaquinista não quis subir no palco. O puxador Cezinha que também era um dos fundadores da escola, não deixou seu filho cavaquinista subir no palco para tocar. Veio a eleição e eu não coloquei, meu nome para apreciação e eles também não tiveram condições de prosseguir com a agremiação, foi aí que fui convidada pelo Banana Split para dirigir a São João Batista.
Zk – Vamos falar da sua administração na São João Batista?
Francis – Na realidade fui para a São João Batista atendendo um convite do Banana Split. Ele me viu triste lá no Chaveiro do Manelão e ficou sabendo o motivo da minha tristeza, então me convidou para assumir a escola que ele ajudou a fundar.
Zk – E aí?
Francis – Quando cheguei na azul e branco, eles vinham de um título como campeã que foi o enredo contando a história do Zekatraca em 2003 e haviam tirado um quarto lugar no carnaval de 2004, a escola estava toda esfacelada, se na época existisse Grupo de Acesso ela teria descido. Peguei a escola sem nenhuma estrutura de carro alegórico. A sorte foi quem em 2005 não houve desfile, foi apenas um show na avenida e eu me apresentei com a Bandeira, já sendo a presidente eleita.
Zk – Fala pra gente como foi que a escola perdeu o carnaval de 2006, já que estava cotadíssima?
Francis – Acho que o grande motivo foi que o carnaval ficou centralizado só na presidência e para completar, o caminhão que estava contratado para transportar nossas fantasias para avenida quebrou e quando chegou à concentração, a escola estava entrando para desfilar, muitos brincantes se apresentaram com a fantasia incompleta. Posso dizer que foi realmente falha nossa. A São João Batista perdeu o carnaval de 2006 pra ela mesma.
Zk – Qual a lição que você tirou do fracasso de 2006?
Francis – Logo após o carnaval de 2006, reuni toda a diretoria para analisarmos as falhas. Foi a partir dessa reunião que os demais diretores da escola viram que eu precisava de mais apoio dentro da agremiação, e todos concordaram em participar ativamente da escola. Dividimos as tarefas e o resultado você viu na segunda feira de carnaval, um desfile quase que perfeito. Todo mundo trabalhando em prol da escola de samba.
Zk – Quanto foi investido no carnaval da São João Batista este ano?
Francis – Se formos colocar na ponta do lápis aquelas despesas que ninguém computa, como alimentação para os trabalhadores dos barracões de fantasia e alegoria. Aquele dinheiro que sai para a água mineral durante o desfile. O gasto com coisas consideradas baratas que a gente compra e não exige nota, o pagamento de empurradores de alegorias, a gasolina para o carro do diretor, o tira gosto da bateria, enfim, os chamados tico-ticos, vamos chegar a mais de 60 Mil Reais. Isso quer dizer, que investimos o dobro do que recebemos dos governos municipal e estadual através da FESEC.;
Zk – Foi um resultado justo?
Francis – Essa pergunta você deve fazer ao público, pois os jurados nos deram o título.
Zk – Por falar em jurado. O que você achou da Comissão de Jurados?
Francis – Foi excelente. Esse ano a gente viu que foi feito um trabalho com muita seriedade, está de parabéns a direção da FESEC por ter escolhido o Hiran Brito Mendes e o Murilloo Collares mais a Ana Castro e a Ana Célia para presidir e atuar como membros da Comissão de Jurados. Principalmente o Hiran Brito.
Zk – E o seu recado para a comunidade do bairro São João Batista?
Francis – À comunidade do São João Batista nossos agradecimentos e elogios pelo apoio que dão a nossa escola de samba. Pessoas como dona Francisca Brito e seu esposo Francisco Sales, eles são o braço direito da escola, tiro o chapéu para eles. Na realidade, a escola é a comunidade, não existe nenhuma escola de samba em Porto Velho que tenha uma comunidade mais coesa do que a São João Batista. Quero agradecer também a todos da diretoria da escola, os artesãos: Flávio Lacerda e Rogério Nunes que foram os responsáveis pela confecção das alegorias contando com o Dagmar e o Lamego. No barracão da fantasia o carnavalesco Elcio Marinha e sua equipe, João, Alcimar, Marcelo Firmino e Marcelo e em especial nosso coreógrafo Bene. Não podemos esquecer dos Interpretes Banana, Edglay, Buzuca, Eraldo, cavaquinista Valci e violão Genezio, aos compositores Silvio Santos, Silvio José, Rogério e Banana pelo maravilhoso samba. O agradecimento especial vai para dona Ana presidente da Quadrilha Arrasta Pé de Rondônia, e ao Gilson da Quadrilha Gira Sol das Três Marias, ao professor João José a FATEC e a Eletronorte,

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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