Porto Velho (RO) quarta-feira, 18 de setembro de 2019
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Silvio Santos

A história do samba enredo contada por Bainha e Silvio


A história do samba enredo contada por Bainha e Silvio - Gente de Opinião

 
Sexta feira passada (17),  o Projeto Cultural “A Fina Flor do Samba” coordenado pelo compositor Ernesto Melo, apresentou no palco do Marcado Cultural o espetáculo musical, “O Desafio do Samba”. Durante o show, os compositores Bainha e Silvio Santos, tentaram convencer a platéia integrada por aproximadamente 1.000 expectadores, que um dos dois, foi o autor do primeiro samba enredo apresentado e cantado por uma escola de samba de Porto Velho.  Esse espetáculo muito contribui para a pesquisa que estamos publicando em capítulos todos os finais de semana no Diário da Amazônia com o título, “Histórias do Carnaval em Porto Velho”, uma vez que os dois compositores, independente de quem foi o autor do primeiro samba enredo, contam a história do samba em Porto Velho. Aproveitando essa deixa, vamos nessa edição, “matar” com se diz na gíria jornalística, mais um capítulo do nosso livro, contando a história do samba e da música em Rondônia:

 

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O Samba em Rondônia

O samba em Rondônia em especial em Porto Velho, surge no inicio da década de 1940 com a chegada dos funcionários públicos transferidos dos estados do Pará e Rio de Janeiro para o recém criado Território Federal do Guaporé que segundo o seu Cláudio Carvalho, marcavam encontro em frente ao Batuque de Santa Bárbara, comandado pela Mãe Esperança no bairro do Mocambo. “A gente ouvia o rufar dos tambores da Casa 6 e não resistia”, Os nordestinos chamados de “Arigós”, que vieram como “Soldado da Borracha” e desistiram de seguir para os seringais, formaram um aglomerado de barracos na Avenida Sete de Setembro, justamente onde hoje existe a Galeria Lacerda e em virtude das constantes brigas, passou a ser conhecido como “Vila Confusão”. A Vila Confusão era também reduto de boêmios como Capote, Alípio Pinheiro e Bola Sete.

Já em 1946 Bola Sete e alguns amigos criam a escola de samba “Deixa Falar” e então o samba começa a ser apreciado também pelos chamados “Categas”, já que a escola passou a se apresentar nos desfiles de carnaval patrocinados pela prefeitura municipal de Porto Velho.
 

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O primeiro compositor

No inicio da década de 1950 o músico João Henrique popularmente conhecido como Manga Rosa compõe e apresenta aquele, que é o primeiro samba composto por um compositor local “Triângulo”. Muitos pensam que esse samba era em homenagem a escola de samba “O Triângulo não Morreu”, que foi criada em 1950, pelo Guarda Miguel funcionário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré e alguns amigos.

O samba de autoria do Manga Rosa foi feito na residência da dona Abigail esposa do sertanista Francisco Meireles que ficava justamente no “pé” do Morro do Triângulo. A letra do samba que até hoje é sucesso nas rodas de samba em Porto Velho, exalta os boêmios que participavam das reuniões musicais na residência de Abigail. Em determinado trecho a letra diz: “O Black, Abigail, Chico Moreira, Manga Rosa, Nego Velho, Aldenor e Waldemar...” Nenhum dos citados fazia parte da escola de samba, mesmo assim, o samba passou a ser cantado no desfile da escola como se fosse seu hino. Porém, o refrão cantado oficialmente quando a escola se apresentava em frente ao palanque oficial era: “O Triângulo não Morreu e nem Morrerá...”

Com o surgimento da escola de samba “Prova de Fogo” que foi fundada no dia 4 de novembro de 1958 e desfilou péla primeira vez no carnaval de 1959, passamos a conhecer o compositor e carnavalesco Waldemir Pinheiro da Silva o nosso Mestre Bainha que compõe para o carnaval de 1960 o samba “Chegou Diplomatas do Samba” um samba de empolgação que registrava a mudança do nome da escola de samba “Prova de Fogo” para “Universidade dos Diplomatas do Samba” com o seguinte refrão: “Chegou Diplomatas do Samba chegou e o povo na rua sambou...”. No ano seguinte Bainha volta a escrever mais um samba empolgação para sua escola com o título: “Diplomatas 1º Lugar”.

Vale salientar que na balada do samba “Triângulo”, Manga Rosa compôs outros sambas como o “A Boemia Voltou”, tudo na década de 1950.

Depois das investidas do Bainha pela composição de samba de empolgação, surge Silvio Santos no ano de 1966, com um samba exaltação, “Rondônia, Futuro do Brasil” que foi apresentado pela primeira vez num baile de carnaval no Bancrévea Clube graças ao esforço do parceiro de Silvio José Carlos Lobo e no desfile da escola de samba “Pobres do Caiari” daquele ano.

 

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O primeiro Samba Enredo

Para o carnaval de 1970 dona Marize Castiel diretora e carnavalesca da escola de samba “Pobres do Caiari”, achou de colocar na avenida um enredo próprio “Sinhá Moça e a Abolição”. Para fazer o samba ela convidou o Silvio Santos por ficar sabendo que ele sabia fazer música de carnaval. Assim, no desfile que naquele ano foi na Avenida Pinheiro Machado, a escola de samba Pobre do Caiari ganhou seu primeiro título cantando o samba enredo “Sinhá Moça” de autoria de Silvio M. Santos. Já no carnaval de 1971 Bainha fez o samba enredo “Epopéia de Rondônia” para a escola Diplomatas. Daí pra frente, todas as agremiações carnavalescas de Porto Velho passaram a se apresentar com música própria.

Destacamos como os grandes do samba enredo em Porto Velho os compositores: Silvio M. Santos. Bainha (Waldemir Pinheiro da Silva), Sebastião Araújo da Silva (Baba), Ernesto Melo, Sidney Leão, Mávilo Melo, Jorge Macumba, Oscar Knigth, Zé Baixinho, Aluizio Bentes, Mariano e Cristóvão.

 

Grito de Cantadores do Sesc

O Serviço Social do Comercio – Sesc, através do Projeto “Grito de Cantadores”, revelou o que até hoje temos de melhor na área músico/cantor/compositor regional (no estilo MPB), foi desse projeto que saíram, Bado, Binho, Laio, Nega e outros que até hoje fazem sucessso. Também foi o Sesc através do Festival Aberto de Música – FAM /Sesc quem revelou vários compositores e tornou conhecido outros como Baaribu Nonato, Zezinho Maranhão, Márcia Brasileiro, Mileo. Foi através do FAM que ficamos conhecendo as cantoras Marfisa, Ceiça Farias, Cristina, Kesia, Keila Castro, Alciréia, Ana Paula e tantas outras.

A Escola de Musica Jorge Andrade tem prestado significativa contribuição para o desenvolvimento dos nossos músicos.

  

Conjunto Bossa Nova

Só a título de registro – Um dos nossos melhores grupos musicais foi o Conjunto Bossa Nova que existiu na década de 60 e contava com o Paulo Santos (violão), João Henrique (sax e flauta), Dinoel (guitarra), Bainha, Leônidas e Cabeleira (percussão) e Ricardo (bateria). O Bossa Nova tocava na Varanda Tropical do Porto Velho Hotel e em sua época, foi o grupo musical mais requisitado para acompanhar os cantores que visitavam Porto Velho.
 

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 Fonte: Sílvio Santos - zekatracasantos@gmail.com  
 
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